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Sempre que estou preparando uma viagem mais, digamos, intensa, gosto de submergir nas referências do lugar: leituras, filmes, músicas, conversas com quem já foi lá e revisita às minhas próprias imagens e recordações quando se trata de um local onde já estive antes. Essa pré-viagem é, para mim, quase tão importante quanto a viagem em si. É a criação de expectativas, a pré-seleção do que ver, o antegustar dos detalhes. Às vezes acaba sendo melhor que a viagem em si, o que vale como uma espécie de compensação.

Agora mesmo estou em plena pré-viagem para a Índia. Em fevereiro vou participar do júri de um festival de cinema em Bombaim e, em seguida, conhecer um pouco do sul do país, que ficou de fora da minha viagem de 2005 pela metade norte. Estou lendo Bombaim Cidade Máxima, de Suketu Mehta, relendo trechos do incontornável Índia – Um Olhar Amoroso, de Jean-Claude Carrière, e ainda pretendo passear ao léu pelas 900 páginas de Shantaram, de Gregory David Roberts. A exposição do CCBB e a Mostra Bhava de cinema indiano vieram a calhar no final do ano.

Fui rever minhas gravações em vídeo de sete anos atrás em Bombaim e tive vontade de editar essas cenas com os Tiffinwallas (ou Dabbawallas), os famosos entregadores de marmita da cidade. Trata-se de um serviço inimaginável numa cidade moderna, mas que lá se mantém por tradição. Os trabalhadores saem de suas casas de subúrbio pela manhã sem levar suas lunch boxes. Por volta das 11 horas, os Tiffinwallas começam a coletá-las nas casas e transportá-las por trem até a estação de Churchgate, no centro. Dali sai uma malha de distribuição para os escritórios e locais de trabalho. O objetivo é que a comida chegue ainda quentinha às mãos do cliente.

O mais incrível ainda está por vir. À tarde os Tiffinwallas recolhem as marmitas e as devolvem da mesma maneira às casas de origem. Vale tudo para dar emprego às multidões indianas. O serviço é tão eficiente que já mereceu o prêmio Six Sigma da revista Forbes. Veja meu vídeo de 6 minutos:

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