Perto e longe de Bollywood

janeiro 31st, 2012 § Deixe um comentário

Junte as palavras Bombaim e cinema, e logo você pensará numa terceira: Bollywood. É da “cidade máxima” indiana que saem entre 120 e 150 “hindi films” por ano, os mais populares entre os vários cinemas das diversas regiões da Índia. Mas Bombaim, ou Mumbai para os não-colonizados, também joga suas fichas num tipo bem diferente de filme. A prova disso é que começa nesta sexta-feira a 12ª edição do Mumbai International Film Festival. Neste não haverá requebros na tela nem desfile de celebridades pop no tapete vermelho. O MIFF, realizado a cada dois anos desde 1990, é dedicado a documentários, curtas e animação.

Como jurado da Fipresci, vou me juntar ao dinamarquês Steffen Moestrup e ao indiano Utpal Borpujari para conferir o prêmio da crítica internacional. Não tenho ideia de como funciona um festival de cinema na Índia, mas a programação é das mais interessantes. A competição é dominada por filmes indianos, asiáticos e europeus, com poucas entradas americanas. Da América Latina comparecem apenas programas informativos de curtas da Venezuela e do México. O festival é ótimo principalmente para se tomar o pulso da produção não comercial do Oriente. Onde mais se pode ver filmes do Afeganistão, da Cachemira e animações produzidas em diversos países asiáticos?

Na programação paralela, constam também exibições comemorativas dos 100 anos de nascimento de Satyajit Ray, o célebre cineasta de Calcutá, e dos 150 anos do poeta e músico Rabindranath Tagore. Seminários e master classes completam o calendário. O documentarista David Bradbury (Chile: Hasta Quando?, Front Line), membro do júri oficial, fará uma palestra tipicamente intitulada Keep the Camera Rolling No Matter (Continue filmando aconteça o que acontecer). Um dos objetivos principais do MIFF é estimular a formação e a carreira de novos cineastas não comprometidos com o mainstream.

Promovido pelo Ministério da Informação e Difusão da Índia, o festival vai se beneficiar este ano da onda de prestígio que banha o cinema documental praticamente no mundo inteiro. Até Bollywood se descobriu agora interessada em investir no cinema do real. Javed Jaffrey, um dos mais festejados comediantes e dançarinos das telas, resolveu colocar seu prestígio no mercado da não-ficção. Ele criou a Indian Documentary Foundation para levantar fundos com vistas à produção e comercialização de documentários. Acaba de co-produzir um dos títulos que estarão na competição do MIFF, Inshallah Football (Futebol, se Deus Quiser). O doc enfoca uma família de Srinagar, capital da Cachemira, a disputada e belicosa região do noroeste do país, administrada pela Índia, o Paquistão e a China. O chefe da família é um ex-militante treinado por paquistaneses e casado com uma brasileira. Seu filho cresceu sob a guerra e encontrou no futebol uma razão de viver. Encorajado por um treinador argentino, ele sonha em vir para o Brasil num programa de intercâmbio. Mas a condição do pai torna as coisas muito difíceis para o garoto sair do país.

Na mão inversa, viajo hoje (terça) à noite via Frankfurt e Nova Delhi. Chego em Bombaim somente na tarde de quinta-feira. Depois do festival, que ninguém é de ferro, faço um pequeno périplo pelo sul da Índia, incluindo as cidades de Mysore, Chennai (ex-Madras), Madurai, Trivandrum, Kochi e as famosas Backwaters do estado de Kerala. Não sei como ficará a atualização do blog nesse período, mas pretendo manter um “diário de bordo” no Twitter e no Facebook. Se os deuses da conexão estiverem velando por mim, é claro.

Rastros de 2011

janeiro 2nd, 2012 § 9 Comentários

Divido com vocês as informações de um relatório enviado pela WordPress a respeito do desempenho deste blog em 2011. Não foi nenhum Mashable!, mas também não creio que tenha sido desprezível para um blog individual, solto no mundo e sem celebridades envolvidas.

Os rastros de carmattos receberam 92.000 visitas durante o ano, o que, segundo a WordPress, corresponde à visitação do Louvre durante quatro dias. Isso dá uma média de 7.666 visitas por mês, 1.916 por semana e 273 por dia. Brasil, Portugal e Argentina foram os países onde mais se clicou por aqui.

O dia com mais tráfego foi 19 de março, com 920 visitas. O artigo mais popular nesse dia foi Menos silêncio, por favor. Ao todo foram publicados 238 novos artigos, contendo 288 imagens.

A performance de comentários continuou sendo bem fraquinha. Mas vale a pena destacar os comentadores mais ativos, pela ordem: Fernando Trevas Falcone, Vitor Souza Lima, Thereza Jessouroun, Ariane Mondo e Paulo Lima. A eles agradeço em nome da troca e da interatividade. Agradeço, é claro, a todos os visitantes frequentes e aos assinantes que recebem notificações automáticas por email.

Aproveito para informar que o blog vai ter atualização um pouco menos frequente nos meses de janeiro e fevereiro. Mas pelo menos um post novo por semana dá pra garantir. Quem anda sempre deixa rastros.

Os faróis de Cacá Diegues

outubro 4th, 2011 § Deixe um comentário

“Esse céu, de onde Zampanó espera que lhe chegue alguma coisa, é o mesmo que traz à cena o magnífico corvo de Uccelacci e Uccellini, de Pier Paolo Pasolini, e a neve de meu Bye Bye Brasil”.

Isso é Cacá Diegues comentando La Strada, de Fellini, um dos seus filmes-faróis. Leia mais no blog Faróis do Cinema

Reflexos impossíveis

agosto 7th, 2011 § Deixe um comentário

Ouro Preto

Pisa

Produzidos com o software Water Effect

Fotos de Cabo Verde

junho 19th, 2011 § Deixe um comentário

Diversão de domingo:

Postei três álbuns no Picasa com uma seleção das minhas fotos de Cabo Verde. Não sou um fotógrafo com estética ou técnica particulares. Tento apenas capturar da melhor maneira possível o que vejo,  usando câmera simples ou smartphone. Algumas imagens são mesmo frames de vídeo. Portanto, se liguem mais no objeto do que na forma das fotos.

Clique aqui para visitar.

outubro 7th, 2010 Comentários desativados

 

Lula, o filme, 2º round

setembro 23rd, 2010 § 5 Comentários

Não vou discutir aqui os méritos da escolha de Lula, o Filho do Brasil para disputar uma indicação ao Oscar. Participei no ano passado dessa comissão e sei que os critérios finais não dizem respeito somente à qualidade artística do filme, mas levam em conta, com peso alto, todas as variantes que podem influir na avaliação do filme por espectadores estrangeiros.

Vejo que o anúncio redespertou a fúria dos detratores do filme, especialmente num momento em que as hordas anti-Lula estão alvoroçadas para impedir uma vitória de Dilma Roussef no primeiro turno. Em seu blog, por exemplo, Artur Xexeo achou por bem destacar as restrições de uma resenha publicada hoje no jornal La Nación. O texto dele se refere a uma única resenha, mas o título pode sugerir que toda a crítica argentina “detonou” o filme. A nota diz assim:

Crítica argentina detona ‘Lula, o filho do Brasil’

“A incrível história de vida de Lula da Silva merecia um filme melhor, mais interessante e mais profundo que ‘Lula, el hijo del Brasil’”. Esta é a avaliação da crítica Natalia Trzenko, publicada nesta quinta-feira no jornal argentino “La Nacion”, sobre o filme “Lula, o filho do Brasil”, de Fábio Barreto, que está estreando em Buenos Aires. “Cada episódio da vida do presidente do Brasil é mostrado como se fosse um manual de História escrito por seu biógrafo oficial”, continua a crítica, que deu ao filme a cotação “regular”. O roteiro é considerado “limitado e superficial” pela crítica, que só livrou a cara de Gloria Pires, que, na avaliação do jornal, interpreta “com maestria” o papel de dona Lindu.

Como se vê, os adjetivos e trechos destacados por Xexeo não chegam a justificar o verbo “detonar”. No texto de Natalia Trzenko há elogios também para a performance de Rui Ricardo Díaz e para a cena do comício sem microfone em São Bernardo. Mas os comentários da resenha, no site do La Nación, já incluem o de um brasileiro cheio de vergonha pelo filme e pelo povo que elegeu Lula. O filme de Fábio Barreto virou um catalisador de paixões em torno do seu personagem. Mais de ódio, talvez, que de amor.   

Aconteceu em Woodstock

setembro 24th, 2009 § Deixe um comentário

(Taking Woodstock)          

Fic bicho-grilo. Não espere Janis Joplin nem Jimmi Hendrix. Não espere a dimensão épica de Woodstock para a cultura e o comportamento do mundo ocidental. Para isso, retire na locadora o clássico doc Woodstock. O que Ang Lee nos oferece aqui é um cantinho dos bastidores, uma espiada na cozinha de onde tudo começou por causa de umas caixinhas de leite achocolatado. No fundo, trata-se de uma business comedy com pitadas de crítica de costumes. Às vezes parece que Lee desejou emular uma comédia do fim dos anos 1960, mas que hoje parece bastante careta, apesar de sempre simpática. Um jovem empreendedor, uma mãe usurária, uma negociação complicada para receber 100 mil pessoas numa fazenda de gado. E a descoberta das drogas e da afirmação gay. O material se prestaria muito bem a um filme-painel de Robert Altman. Nas mãos de Ang Lee, por mais que ele divida a tela em imagens simultâneas, ficamos longe de qualquer ambição. Um filme divertido, mas menor, em muitos sentidos. ♦♦♦

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