Animação contra o desânimo
abril 4th, 2011 § 1 Comentário
A ONDA VERDE (THE GREEN WAVE)
de Ali Samadi Ahadi
Quando Ahmadinejad e o clero conservador sufocaram com mão de ferro a rebelião dos jovens verdes contra as fraudes das eleições de 2009, a única fonte de informação confiável eram os blogs, as redes sociais e as imagens de vídeo e celulares contrabandeadas através da internet. Na época, antes que as Google Revolutions derrubassem as ditaduras da Tunísia e do Egito, aquele fluxo caseiro não foi suficiente para deter o escândalo eleitoral e o massacre da oposição em Teerã.
É com esse material que The Green Wave constrói um poderoso libelo sobre o sonho interrompido da juventude e dos progressistas iranianos. Relatos de 15 blogs, além de mensagens do Twitter e do Facebook, inspiraram uma narrativa adaptada à animação. O efeito é muito poderoso, ficando a meio caminho entre o documento sonoro e a reencenação visual. Ao contrário do premiado Valsa com Bashir, as cenas animadas não predominam no filme, mas apenas fornecem um pathos dramático ao que é descrito em palavras, combinando-se com materiais filmados na rua e depoimentos de ativistas, jornalistas e reformistas.
Diretor, equipe e entrevistados são iranianos expatriados, sobretudo na Alemanha, onde o filme foi produzido. Todos eles sabem que, depois desse doc, tão cedo não poderão voltar ao Irã. Mas o tom das palavras que ouvimos no filme não é só de revolta, terror e desânimo com o esmagamento da Onda Verde. Abatida mas persistente, resta uma voz de esperança pela “reconstrução da nossa nação”.
Emocionante como peça histórica, o filme de Ali Samadi Ahadi testemunha também a importância que os blogs e as redes sociais vão assumindo na realização de documentários. Eles “aquecem” os dossiês colocando a experiência humana à frente das visões profissionais do jornalismo. Um dos melhores filmes desse festival.
‘Os Mutantes & the Garden of Notes’
dezembro 19th, 2010 § 3 Comentários
Diversão de domingo:
Descobri no Youtube esse curta americano em homenagem a Os Mutantes. Para apresentá-lo, apenas traduzo a sinopse postada pelo autor, Jeff McCarty:
“A história de Os Mutantes é talvez a mais estranha em toda a história do rock e serviu como inebriante inspiração para artistas tão diversos como Beck, Devendra Banhart, Sean Lennon, Nirvana e os Flaming Lips. Imagine um grupo de rock brasileiro dos anos 1960 composta por três adolescentes que gostavam de usar roupas estranhas e tocar música psicodélica com guitarras feitas por eles mesmos. Agora imagine essa banda tocando uma música tão estranha e tão bonita que o governo militar de direita do Brasil os declarou uma ameaça nacional, prendendo muitos dos seus amigos e companheiros de banda. Em meio a tanta opressão, é um milagre que seus discos tenham sobrevivido décadas e sejam considerados uma inspiração tão grande por muitos dos melhores artistas de hoje. Os Mutantes and the Garden of Notes mistura animação original, fantasia colorida, velhos clipes musicais, fotografias de arquivo e vinhetas impressionistas para contar a história da banda, da opressão militar e do seu impacto nas gerações futuras em várias partes do mundo. Narrado por Devendra Banhart”.
Vai um stop motion?
novembro 15th, 2009 § Deixe um comentário
Diversão de domingo:
O Youtube, Vimeo e sites afins não se limitam a trazer o mundo em movimento para o nosso nariz e levar nosso mundo para o nariz dos outros. Eles permitem também a qualquer um se converter em curador e programador dentro do grande fluxo da rede. Você pode criar canais pessoais, dentro do próprio site, para sugerir o que outras pessoas devem ver. Ou então fazer suas curadorias no seu próprio site ou blog.
Uma excelente “mostra” virtual eu conheci recentemente através do indispensável Twitter da @mariliamartins, correspondente de O Globo em NY. O designer canadense Mike Smith selecionou no Vimeo 50 curtas incríveis que usam a técnica do stop motion, envolvendo desenho, grafite, animação 3D e gente de carne e osso.
Clique aqui para chegar lá. Vale por um pequeno Anima Mundi.
O mais longo caminho
setembro 22nd, 2009 § 1 Comentário

Você já viu o cabelo de uma pessoa crescendo? Pois então conheça o vídeo The Longest Way. Não consegui incorporá-lo diretamente no blog, mas vale a pena ir até lá. É uma das coisas mais bacanas que vi ultimamente na rede. Dura 5 minutos.
Em novembro de 2007, o alemão Christoph Rehage começou a fazer uma caminhada de Pequim a sua Bad Nenndorf, Alemanha. Seriam mais de dois anos a pé. Ao final de um ano e 4.646 km, ele interrompeu a andança, ainda em território chinês. Durante esse período, se fotografou numa mesma posição, ante diferentes cenários. O vídeo resultante mostra a evolução de uma careca a uma vasta juba, com uma batida musical esfuziante.
No site do projeto, Christoph postou mais informações sobre seu plano, um diário da viagem e notícias mais recentes (ele mora na China).
Jazz animado
agosto 9th, 2009 § 1 Comentário
Diversão de domingo:
Begone Dull Care (1949). Animação de Norman McLaren, música de Oscar Peterson. Duração: 8 minutos
