Um épico do compartilhamento

abril 21st, 2012 § Deixe um comentário

No dia 24 de julho de 2010, eu vi uma sessão de curtas no Anima Mundi e recebi em casa a minha amiga Marília Martins, que acabava de voltar de uma temporada em Nova York. Muita coisa aconteceu pelo mundo naquele sábado. Um menino ganhou trocados nas ruas de Lima, um rapaz americano pegou o telefone e contou à avó que era gay, uma mulher chorou sozinha na cama em algum ponto da Europa, um fotógrafo saiu mostrando que Cabul não era só guerra, muita gente se feriu num acidente de multidão em Duisburg, um homem desmaiou enquanto filmava o parto do seu filho no Brasil… Flashes desse dia, um dia como outro qualquer, compõem o primeiro doc colaborativo a circular internacionalmente em salas de cinema.

O projeto A Vida em um Dia é a ponta mais visível de um novo iceberg na linguagem dos documentários: sai o filme de autor, entra o filme de curador. No Brasil não tem sido diferente. Eduardo Coutinho fez a “curadoria” de programas de TV em Um Dia na Vida. Já em Pacific, Marcelo Pedroso trabalhou exclusivamente com vídeos de turistas em cruzeiros a Fernando de Noronha. Diante da massa de produção individual e caseira que surge a cada dia na era digital, cabe a curadores buscar e organizar sentidos, com vistas a criar novas obras a partir do já criado. De certa forma, somos todos curadores quando precisamos administrar, selecionar, favoritar e arquivar o que nos atrai e interessa. Mas Kevin MacDonald (One Day in September, Touching the Void, O Último Rei da Escócia) foi proativo na sua ideia: através do Youtube, convocou a todos que quisessem filmar aquele 24 de julho em suas vidas e suas cidades, e postar o resultado no megasite. Resultaram 88.000 inscrições de 192 países, gerando 4.500 horas de vídeo. Com isso MacDonald montou os 93 minutos de Life in a Day.

De alguma forma, o longa evoca o modelo das sinfonias documentais que marcaram a década de 1920, mostrando em fragmentos o decorrer de um dia na vida de cidades como Berlim, Moscou, Paris e São Paulo. Em A Vida em um Dia, o início na madrugada e o percurso aproximado da jornada sugerem uma sinfonia mundial. Dentro desse circuito macro, MacDonald criou circuitos menores, unificados por temas (trabalho, romance, nascimentos, alimentação, violência e dor etc), certos padrões de movimento (caminhadas, atletismo) e perguntas específicas (o que você carrega no bolso ou na bolsa? O que você mais ama? O que você mais teme?).

Esse carrossel de cenas públicas e privadas – muitas corriqueiras, algumas legitimamente dramáticas, outras bastante divertidas – formam uma espécie de elogio do banal. Ou melhor, mostram que o banal pode assumir um valor poético ou singular quando oferecido ao olhar que não sabe o que esperar do próximo minuto. Além disso, há uma profunda singeleza nesse oferecimento de si e do seu entorno pelo simples prazer de compartilhar. A Vida em um Dia talvez seja o primeiro épico cinematográfico da idade do compartilhamento.

E você, é capaz de lembrar e compartilhar algo que fez em 24/7/2010?

Cinefilia online

abril 16th, 2012 § Deixe um comentário

Artigo escrito em 2010 para a revista Filme Cultura nº 53, de janeiro de 2011 (alguns números devem, portanto, estar defasados)

Você baixa seus e-mails pela manhã e recebe a mensagem de um amigo avisando que um filme raro dos anos 1970 acaba de ser disponibilizado num site de cinema online. Então você não resiste, pega um café e se refestela no sofá para assistir no seu notebook. Em seguida, visita o fórum do site para checar o que está sendo discutido sobre o filme. Navega depois para outros fóruns semelhantes, “conversa” com outros apreciadores do filme, sendo um de Manágua e um de Singapura. Deixa um comentário rápido no Facebook, recomenda o link do filme no Twitter e escreve um post para o seu blog. Por fim, visita o IMDb para verificar o que seus críticos favoritos escreveram sobre aquela obra-prima.

Mesmo sem entrar numa sala de cinema, sem conversar no barzinho, sem folhear qualquer publicação impressa nem gastar um tostão, você terá percorrido um circuito completo de autêntica cinefilia. O notebook, é claro, não se compara à tela grande, assim como a comunicação virtual não se equipara ao contato pessoal. Os nostálgicos dirão mesmo que o jornal eletrônico não tem as virtudes táteis e até olfativas da revista impressa. Já os contemporâneos argumentarão que nenhum cinema estaria exibindo “aquele” filme. E, afinal, de que outra forma você trocaria ideias com os tais cinéfilos de Manágua e Singapura?

Discussões à parte, o fato é que uma nova cinefilia se impõe para fazer face a uma nova forma de consumo do produto audiovisual. E por que não dizer, a um novo cinema. Um cinema descentrado, individualizado e não simultâneo, mas ampliado pela rede globalizada que já engendrou uma espécie de “novo coletivo”.  Continue lendo

Abacateiro digital

dezembro 26th, 2011 § 2 Comentários

Gil e Bodanzky na tela do Skype

Transformar boas palestras em bons documentários não é tarefa fácil. A CPFL, companhia de energia sediada em Campinas e uma das patrocinadoras do É Tudo Verdade, está convidando cineastas para criar em cima dos registros de eventos patrocinados por ela. Jorge Bodanzky acaba de finalizar dois trabalhos nessa série chamada Discussões e Reflexões.

Sociologia da Crise discute os efeitos da crise financeira de 2008. Aqui, a dinâmica construída pelo roteiro não consegue eliminar uma certa aridez nem organizar as ideias de modo mais produtivo. Em compensação, Transanarquia dá uma boa impressão do que esse modelo de construção pode render.

Transanarquia é um doc de 50 minutos feito a partir de um simpósio de cibercultura realizado em Santos, em 2009. Bodanzky volta a alguns dos participantes para atualizar questões e perguntar para onde anda a internet. Mas, bem de acordo com a proposta geral, ele volta pelo Skype, em entrevistas à distância, notebook a notebook. É claro que nada muda em profundidade nessa abordagem virtualizada, mas pelo menos a superfície do filme se imanta das potencialidades do que seria hoje uma estética digital.

A imagem lowtech e a sincronia desarrumada do Skype conferem uma urgência e uma atualidade especiais às falas de Gilberto Gil e José Arbex Jr. Como sempre nesses casos, Gil é uma estrela cintilante. No simpósio, cantou baladas e raps com o tema da tecnologia e contagiou a todos com suas análises de uma certa vocação da cultura para o consumo coletivo e seu ciberotimismo em vista de um novo “comunismo sem estado” propiciado pela cultura digital. “É muito John Lennon o que vem por aí”, imaginou, com um riso cheio de fé. Na outra ponta do espectro, um outro “Gil”, o economista e sociólogo Gilson Schwartz, relativiza bastante esse entusiasmo, apontando a perda de substância e o advento de uma “iconomia”, variação da economia que se baseia em ícones das relações virtuais.

O debate é interessantíssimo e ainda não perdeu a oportunidade desde a época em que o Wikileaks dominava o noticiário. Mas a CPFL não deve demorar a fazer circular esses filmes, sob pena de suas discussões serem rapidamente superadas pelo trem-bala dessa nova cultura. Seja como for, um doc como Transanarquia resistirá pela simples cota de inteligência nele contida. Inteligência no seu melhor estado, que é a verve. O filme termina deliciosamente quando Pierre Lévy conclui sua palestra anunciatória e Gil pega o microfone para perguntar, todo candura: “Mas Pierre, e se não for assim, como será?”

Não ouvimos a resposta de Pierre, mas eu bem que gostaria de ouvir a de Gil à mesma pergunta, caso Bodanzky a tivesse feito no seu Skype.

Em cartaz no TendlerTube

setembro 13th, 2011 § 5 Comentários

Silvio Tendler e o General Giap

Silvio Tendler é um dos poucos documentaristas brasileiros acostumados com o sucesso de público. Juntos, Os Anos JK, Jango e O Mundo Mágico dos Trapalhões somaram mais de 3 milhões de espectadores nos anos 1980. Nas últimas semanas ele voltou a sentir o gostinho da multidão com um de seus novos filmes. Não nos cinemas, mas na internet. O Veneno Está na Mesa, realizado para a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, já foi visto por mais de 65.000 pessoas, contando os cliques da versão integral e da versão em quatro partes.

Silvio descobriu as potencialidades do Youtube no ano passado, quando postou o curta Fragmentos do Exílio, feito para a Jornada de Cinema da Bahia de 2003. Desde então, realizou especificamente para esse canal uma versão in progress de Há Muitas Noites na Noite (a partir do Poema Sujo de Ferreira Gullar) e os filmes-homenagem Matzeiva Juliano Mer-Khamis (sobre o entertainer-ativista israelense recentemente assassinado) e Giap, Memórias Centenárias da Resistência (para comemorar o centenário de nascimento do general vietnamita Vo Nguyen Giap, que derrotou três impérios).

A grande sacada de Silvio é que os filmes do Youtube não param no Youtube. Ao contrário, decolam para uma intensa vida paralela. “A exibição gratuita na web não mata as possibilidades de outros circuitos. Não param de me convidar para lançar O Veneno Está na Mesa em eventos e festivais. Não paro mais de dar entrevista. Mesmo usando bengala, virei um arauto da saúde”, conta, divertido.

O Veneno abre e fecha com a palavra mágica de Eduardo Galleano. Entre uma e outra, uma série de depoimentos, gráficos e reportagens de TV dão conta dos riscos dos agrotóxicos e das injunções políticas e econômicas que levam a seu uso praticamente compulsório no Brasil, em benefício de multinacionais. Galleano estranha como governos progressistas da América Latina cedem ao envenenamento das lavouras em nome da produtividade e do “deus mercado”. O filme, de 49 minutos, apresenta também uma espécie de “herói orgânico”, um agricultor sintomaticamente chamado Adonai (“Ele, Deus”, em hebraico), que reinventou o milho crioulo no Rio Grande do Sul. Como bom filme de campanha, O Veneno tem sido utilizado até como peça de acusação contra a empresa Monsanto em batalhas judiciais.

Outro filme de impacto no TendlerTube é o do venerando general Giap, o Invencível. Parte da entrevista que Silvio fez com ele em 2003 aparecia em Utopia e Barbárie. Mas aqui há trechos inéditos, como a referência ao “Hanói Hilton”, o campo de prisioneiros usados pelos norte-vietnamitas. Os materiais de arquivo dos estúdios de Hanói incluem cenas (inéditas por aqui) de prisioneiros capturados e armamentos americanos destroçados. Uma trilha sonora original de tons épicos acrescenta ao aspecto elegíaco do curta.

Silvio quer que Giap viaje pelo mundo através de mostras e festivais. Mas admite que este é sempre um público pequeno. No Youtube a plateia se multiplica rapidamente e as chances de circulação dos filmes se ampliam. Para breve, aguardem o próximo lançamento do TendlerTube: um filme construído a partir de fotos do gaúcho Luiz Achutti de um circo mambembe onde a atração principal era um porco. “Vai ser uma metáfora sobre a pobreza”, promete.

Veja os filmes:
O Veneno Está na Mesa
Giap, Memórias Centenárias da Resistência
Fragmentos do Exílio
Matzeiva Juliano Mer-Khamis
Há Muitas Noites na Noite      

Cinearte e Scena Muda na Peneira digital

agosto 10th, 2011 § Deixe um comentário

www.bjksdigital.museusegall.org.br

As revistas Cinearte e A Scena Muda tiveram um papel fundamental na formação de cinefilia e de reflexão sobre o cinema brasileiro nas décadas de1920 a1950. Até há pouco tempo, contudo, sua recuperação ficava restrita a pesquisadores que se dispunham a procurar os poucos acervos disponíveis em bibliotecas. Mas agora é diferente.

Num site especial da Biblioteca Jenny Klabin Segall, qualquer um pode consultar os textos de Adhemar Gonzaga, Pedro Lima e das primeiras gerações de críticos e repórteres cinematográficos no Brasil, bem como uma vasta iconografia da época. Para a digitalização das 110 mil páginas de 1.820 edições das duas revistas, foram reunidos os acervos do Museu Lasar Segall e da Cinemateca Brasileira, com patrocínio do Programa Petrobras Cultural.

O site tem navegação um pouco lenta e não permite “folhear” as publicações. O acesso é feito página a página, no formato de PDF. Mas o internauta pode salvar cada página em seu computador para leitura offline ou mesmo impressão. Aí está um extraordinário passeio pela visão dos fãs e dos críticos que acompanharam o mercado brasileiro de cinema na primeira metade do século XX.

Tempo de ‘criadoria’

junho 30th, 2011 § 2 Comentários

Imagem do Google Street View encontrada por Jon Rafman

Um dos aspectos que pretendo abordar no bate-papo da Mostra Fotocine – hoje (quinta) às 18h30 no Centro Cultural Correios, Rio – é o que venho chamando de Criadoria. Trata-se de um processo em que a criação se confunde com a curadoria, pois se projeta sobre obras alheias já existentes ou ainda por nascer.

Esse processo tem sido muito comum nas artes visuais que se fundam na reprodutibilidade técnica, característica que facilita a criadoria. Cinema e fotografia, temas da mostra curada por Andreas Valentin, são justamente os campos em que isso mais parece florescer.

No cinema, a criadoria se manifesta desde a velha forma do filme em episódios, em que um produtor-curador repassa a diretores diversos a responsabilidade de criar um filme curto a partir de um determinado tema ou dispositivo – as séries “Cidades, eu te Amo”,  Destricted  (filmes eróticos por diretores de cinema de arte) etc – até modelos mais sintonizados com a arte colaborativa em voga.

Tomemos, por exemplo, Desassossego, um longa formado por fragmentos filmados por diversos realizadores a partir de sugestões contidas numa carta dos diretores-curadores Felipe Bragança e Marina Meliande, que montaram o filme final. Ou Pacific, em que Marcelo Pedroso editou cenas filmadas por turistas em cruzeiros. Eduardo Coutinho fez Um Dia na Vida com trechos de programas de TV de um único dia, enquanto Kevin MacDonald construiu A Vida em um Dia com cenas filmadas por pessoas de várias partes do mundo num mesmo dia e postadas no Youtube especialmente para esse projeto. Em The Clock, Christian Marclay examinou uma miríade de filmes para reunir referências visuais e sonoras às 24 horas do dia, minuto a minuto, num filme de 24 horas de duração.

Os fotógrafos não estão imunes a essa febre de criadorias. Dois projetos chamaram minha atenção recentemente. Um é do artista canadense Jon Rafman, que surfou mundo afora pelo Google Street View e encontrou “fotos” chocantes, curiosas, engraçadas ou intrigantes. Seu projeto 9 Eyes of Google Street View já rendeu exposições, um livro e muita badalação. O outro projeto, já tratado aqui no blog, é o da fotógrafa suíça Corinne Vionnet, que sobrepôs centenas de fotos encontradas na internet, criando imagens coletivas de pontos turísticos incontornáveis.

Esses trabalhos lidam com a abundância e o quase-anonimato da produção fotográfica contemporânea. Procuram no excesso e no indiscriminado aquilo capaz de criar novos sentidos. Novos, mas que, em última análise, se referem à própria condição atual da imagem: solta pelo mundo.

Esses criadores-curadores se destacam pela eventual originalidade de suas propostas e pelo acesso que conseguem aos meios de repercussão. Mas não têm outros privilégios especiais, já que todos somos curadores em potencial. O acervo do mundo está ao alcance de qualquer um para escolher, recombinar, repaginar e exercer a criadoria.

Peneira Digital: Mulheres do Cinema Brasileiro

fevereiro 13th, 2011 § 3 Comentários

http://www.mulheresdocinemabrasileiro.com/

Este é um site de fã, mas reuniu tantas informações úteis que passou a ser interessante não só para outros fãs, como para qualquer pesquisador. Adilson Marcelino começou a brincadeira em 2003 com um fotolog dedicado a atrizes brasileiras. Já no ano seguinte o fotolog virou site e o acervo foi ampliado. Hoje, quem visita o Mulheres do Cinema Brasileiro tem várias “salas” à sua disposição.

Na Sala Isabel Ribeiro estão as fichas de atrizes, com pequenos comentários biográficos e filmografia. Na Sala Ana Carolina moram as cineastas. Na Sala Betty Faria ficam produtoras, fotógrafas, roteiristas, diretoras de arte, etc. A Sala Dina Sfat abriga entrevistas. A Sala Lilian Lemmertz contém textos de homens sobre mulheres do cinema brasileiro. E por aí afora.

A navegação não é das mais funcionais, nem o design é especialmente atraente. Ainda assim, o trabalho de Adilson Marcelino ganha relevância por sua especificidade e pela dedicação e carinho com que trata aquele universo. Afinal, não é bom ter um lugar onde encontrar rapidamente informações sobre mulheres tão diferentes quanto Léa Garcia,  Maria Augusta Ramos ou Karen Harley? 

‘La Latina’ na Peneira Digital

janeiro 7th, 2011 § 3 Comentários

http://www.lalatina.com.br/wp/

Um blog especializado em cinema latino-americano escrito em português. Simples assim, mas único na internet, o La Latina existe há quase quatro anos. Recentemente ganhou cara nova e abriu-se às colaborações de leitores. Camila Moraes, a brava criadora, mira o cinema das Américas do Sul e Central, e também do México, conjunto que ela considera hoje “forte e renovado”.

No La Latina encontramos entrevistas com diretores, coberturas de festivais, textos sobre novos filmes da região e uma agenda de eventos onde o audiovisual latino-americano tem destaque. Além de muitos trailers e clipes relacionados ao assunto. É uma maneira fácil e organizada de manter-se em dia com uma produção que não frequenta a mídia convencional nem costuma chegar às telas dos computadores no nosso idioma. 

O blog é clássico e apresenta forte identidade visual nas cores amarelo, vermelho e preto. Tem um perfil mais noticioso do que crítico ou ensaístico. Sua intenção é sublinhar a presença do cinema latino-americano no mundo e, eventualmente, no Brasil. Serviço de primeira necessidade.

Os …rastros em 2010

janeiro 2nd, 2011 § 1 Comentário

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho do …rastros de carmattos em 2010 e apresentam aqui um resumo da saúde do blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

O Madison Square Garden pode acolher 20.000 pessoas para um concerto. Este blog foi visitado cerca de 64,000 vezes em 2010. Se fosse um concerto no Madison Square Garden, teria que ser repetido 3 vezes.

Em 2010, escreveu 207 novos artigos, aumentando o arquivo total do seu blog para 426 artigos. Fez upload de 236 imagens, ocupando um total de 13mb. Isso equivale a cerca de 5 imagens por semana.

O dia de maior frequência foi 5 de maio com 1,400 page views. O post mais popular foi Yes, nós sabemos copiar.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, facebook.com, google.com.br, mail.yahoo.com e ilustradanocinema.folha.blog.uol.com.br

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por malu rodrigues, bio para twitter, bio twitter, bios para twitter e bio do twitter

Atrações em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Yes, nós sabemos copiar setembro, 2009
2 comentários

2

Bios do Twitter janeiro, 2010
4 comentários

3

Antropólogos não são santos abril, 2010
8 comentários

4

10 regras de etiqueta no Twitter janeiro, 2010
5 comentários

5

Mais bios do Twitter agosto, 2010

Criando a partir do nada

dezembro 9th, 2010 § 10 Comentários

A fogueira das virtualidades arde em A Rede Social. A história da criação do Facebook é um desses fenômenos típicos dos tempos de desmaterialização em que vivemos. O filme nos mostra, quase didaticamente, como o nada pode crescer a ponto de se transformar em negócio bilionário, sem que nenhum bem material seja criado, nenhum anúncio seja contratado, ninguém compre nem venda absolutamente nada. O que se oferece são contatos, relações, promessas de conexão fácil, rápida e gratuita.

Nos anos 1980, Wall Street já havia explorado essa desmaterialização através do mercado financeiro, onde também se joga com virtualidades. Embora o real Mark Zuckerberg não se compare em vilania ao fictício Gordon Gekko, vejo A Rede Social como uma espécie de sucessor do filme de Oliver Stone pela forma como expõe o jogo dos empreendimentos, com seu estoque de espertezas, rasteiras e impiedade.      

O filme de David Fincher, muito oportunamente, é outro exemplo de “criação a partir do nada”. Sim, porque a gênese do Facebook está longe de ser um épico ou uma comédia irresistível. Como, então, transformar um monte de garotos falando sem parar e masturbando notebooks num filme de sucesso e provável vencedor de alguns Oscars? Ora, hiperconstruindo essa história com o uso de várias fórmulas consagradas pelo cinema americano.

Do ponto de vista de Mark, The Social Network é uma success story, mais uma mente brilhante que sabe reconhecer as oportunidades e manter-se fiel a um sonho. Pelo ângulo da dupla que ele forma com (o brasileiro-americano) Eduardo Saverin, é um buddy movie, em que não falta a costumeira sucessão de cumplicidade e rivalidade. Na perspectiva de suas disputas com os irmãos Winklevoss, é uma sitcom na medida para demarcar a simpatia da plateia. Se considerarmos que a maior parte do filme são relatos a partir de uma audiência, temos a dramaturgia clássica do filme de tribunal.

Como uma corrente subterrânea, da primeira à última cena, flui outra referência importante: Cidadão Kane. Mark Zuckerberg é caracterizado, até onde o contexto permite, como um herói trágico. Assim como Kane teria construído seu império e acumulado poder sem nunca ter conseguido de fato suprir uma perda da infância, Mark também tem o seu rosebud – e cabe ao espectador descobri-lo.

Observação 1: A sequência da regata no Tâmisa, apesar de ser um corpo estranho no conjunto do filme, mereceria um Oscar de montagem.

 

Observação 2: Não estou no Facebook

Peneira Digital: EscreVer Cinema

dezembro 7th, 2010 § 2 Comentários

www.escrevercinema.com

O crítico José Carlos Avellar não escreve regularmente para a imprensa há um bocado de tempo, mas isso não significa que sua produção esteja inacessível. Pelo contrário, no site EscreVer Cinema, que criou há quatro anos, ele vem publicando não só textos recentes (alguns escritos originalmente para publicações estrangeiras e catálogos), como também trabalhos mais antigos, repescados em seus arquivos quando se tornam novamente oportunos.

O site permite uma navegação variada, com linhas que se cruzam para determinado texto ser acessado ou pela região de origem do filme, ou por suas vinculações com a literatura, a pintura, o documentário. Há numerosos ensaios que estabelecem relações entre filmes diversos ou exploram procedimentos cinematográficos como o plano-sequência. Além de reflexões sobre filmes exibidos em festivais internacionais (muito frequentados pelo autor), o site compreende uma sessão dedicada à análise visual de trechos de filmes e à recuperação de fotos de grandes cineastas feitas por Avellar.

EscreVer Cinema é não só uma janela para o pensamento de um dos maiores críticos de cinema do país, como também uma inspiração simples e eficaz para outros críticos organizarem e disponibilizarem seus acervos.     

Casais impossíveis

novembro 21st, 2010 § 1 Comentário

Diversão de domingo:

Uma imagem vale mil palavras. O velho provérbio ganhou uma acepção divertida na comunidade online Worth1000, que desde 2002 mobiliza internautas para brincar com imagens. Eles promovem competições diárias que resultam em entretenimento visual e até alguns escândalos, quando suas fotos inventadas são confundidas com o real. O site conta com orgulho que até o Pentágono já soltou uma declaração desassociando-se das imagens do Worth1000.

Uma das competições mais populares por lá é de “Casais de Celebridades Impossíveis”, reunindo numa mesma foto artistas vivos e mortos. Abaixo destaquei três que me agradaram especialmente, mas vale a pena visitar o Worth1000 e navegar pelas várias páginas e diversas edições do tal concurso.    

Di Caprio e Miranda

Heath Ledger e Katy Perry

Clooney e Kelly

Peneira Digital: Filmes Polvo

novembro 9th, 2010 § Deixe um comentário

www.filmespolvo.com.br

Eles são oito redatores, como os tentáculos de um polvo. De Belo Horizonte, desde 2007, editam a revista eletrônica Filmes Polvo, dedicada à análise do cinema em suas várias modalidades. No farto menu da revista, o leitor pode encontrar críticas de filmes, ensaios, cobertura de eventos e reflexões sobre a atualidade do audiovisual.

Não há preconceito nas páginas de Filmes Polvo. Ali têm lugar tanto a teoria de Jean-Louis Comolli como as comédias produzidas e/ou dirigidas por Judd Apatow, só para citar dois exemplos aparentemente extremos. São comuns também os textos de aproximação entre filmes diversos, na tentativa de iluminar constâncias e tendências do cinema contemporâneo. Outra característica editorial interessante é a remissão a textos de outros veículos, como no caso da polêmica em torno de Moscou, de Eduardo Coutinho.

A revista inscreve-se em um novo movimento da crítica brasileira, iniciado por Contracampo e prosseguido por Cinética, que vê o cinema no contexto mais amplo da cultura audiovisual, onde a televisão e a internet também merecem destaque. Da mesma forma, considerações sobre a própria crítica são incorporadas a grande parte dos textos de Filmes Polvo.

A imprensa em seus piores dias

outubro 11th, 2010 § 12 Comentários

Quem me segue no Twitter tem testemunhado minha recente vergonha com o diploma de jornalista. Não pela profissão em si, uma das mais nobres que existem, mas pelo sentido que ela tem adquirido na grande imprensa brasileira. Estou impressionado com a quantidade de jornalistas-carneirinhos que se prestam ao jogo sujo praticado pelos grandes jornais e revistas nessa campanha eleitoral.  

A grande mídia tem sido o braço auxiliar das forças conservadoras, ecoando acriticamente o denuncismo eleitoreiro, as baixarias difamatórias e, mais recentemente, o fundamentalismo religioso que infelizmente virou protagonista da campanha. Essa mídia não só ecoa, como fornece combustível para a caça às bruxas e as insinuações perversas, numa parceria sinistra para a transparência de uma sociedade democrática. 

O Globo, único jornal que (ainda) assino por causa do Segundo Caderno e de alguns suplementos, abre espaços mínimos para o pensamento progressista, mas prontamente o ofusca mediante uma “seleção” de assuntos e espaços destinada exclusivamente a torpedear a candidatura de Dilma Roussef. Nenhuma realização do Governo Lula merece mais que algumas linhas em cantos de página ou perdidas dentro de alguma matéria “questionadora”, ao passo que os elogios ao governo Cabral (justos, não discuto) são uma cantilena praticamente diária. Cito isso apenas para desmentir a tese de que “jornais não são para elogiar, mas para investigar”. No caso da campanha à presidência, até a paginação do jornal reflete a escolha eleitoral dissimulada: artigos sobre Dilma na página par; textos sobre Serra na página ímpar (zona áurea da leitura). Nem caberia enumerar aqui as estratégias de edição que a cada dia procuram reforçar uma imagem negativa para a candidata oficial. 

A Folha de S. Paulo, de passado épico na campanha pelas Diretas Já, hoje é, com raras exceções, um ninho de pós-yuppies tucanos dispostos a tudo para trazer as aves bicudas de volta ao poder. O Estadão, que pelo menos teve a dignidade de explicitar seu apoio a Serra num editorial, mostra-se truculento no combate ao dissenso, como ocorreu no episódio da demissão da colunista Maria Rita Kehl por conta de um artigo em que defendia o Governo Lula. A Veja… bem, há muito não a considero uma revista, mas um panfleto das elites conservadoras. Há outros grandes jornais e revistas no mercado, mas seu papel político é bem menos decisivo que o desses. 

Em tal panorama repulsivo, uma coisa tem me causado um mal-estar quase físico: é a falácia de alguns jornais em se arvorarem porta-vozes da sociedade e canal obrigatório de comunicação entre governantes e governados. Artigos e editoriais revoltados condenam sites, blogs e twitters de políticos e estatais – de Cristina Kirchner e Hugo Chávez à Petrobras – por estabelecerem um contato direto entre governos e sociedade. Qualquer iniciativa nesse sentido é tomada como um ataque ao papel mediador da imprensa. 

Ora, que mediação é essa? A imprensa é espaço e instrumento de poder, além de empreendimento comercial. E isso não é de hoje. Todos sabemos como os grandes jornais pediram e apoiaram o golpe de 1964, sendo que alguns se arrependeram pouco depois ao ver o monstro que tinham ajudado a criar. O sistema Globo, aliás, seguiu apoiando a ditadura até o fim. Com a mais recente “empresificação” dos meios de comunicação, estes se tornaram, ainda mais, veículos de defesa e cabos eleitorais de interesses econômicos. Um desses interesses, senão o principal, é o deles próprios. Jornais precisam conservar seu poder de influência para se manterem comercialmente fortes. Daí as reações inflamadas contra qualquer tentativa de regulação ou de bypass pelas instituições políticas que, através da internet, lhes roubam o papel de “mediador”. 

No mundo inteiro, essa função da imprensa vem sendo relativizada. A cada semana recebo, por exemplo, e-mails assinados por Barack Obama (através do projeto democrata Organizing for America) discutindo suas principais inquietações. Já se foi o tempo em que o cidadão dependia da mídia para ter acesso ao que pensa o seu prefeito ou seu presidente. A internet pulverizou essa mediação, e isso nada tem a ver com autoritarismo, muito pelo contrário. 

É preciso denunciar esse bordão da imprensa como instituição “neutra”, vestal intocável a serviço do bem comum. Não é. Talvez nunca tenha sido. Essa grande imprensa brasileira de hoje não me representa, assim como certamente não representa a grande maioria do povo brasileiro. Mediadores entre governantes e cidadãos são os instrumentos da sociedade civil, a livre veiculação de ideias e opiniões não tuteladas por editores comprometidos. Jornais e TVs são balcões de compra e venda, aí entendido também o comércio político.

À grande mídia brasileira não basta mais retratar o país pior do que é na verdade. Ela agora contribui para torná-lo de fato pior. É por isso que mantenho meu diploma na gaveta, à espera de que o jornalismo deixe de ser uma vitrine para a hipocrisia e o obscurantismo.                  

Nossa Vida Exposta

setembro 25th, 2010 § 1 Comentário

Origens do contemporâneo

O máximo de exposição pode se equivaler ao máximo de repressão – eis o que demonstra esse ótimo doc de Ondi Timoner. Ex-funcionária da pioneira webTV Pseudo.com, ela herdou a tarefa de montar o filme a partir das 5 mil horas filmadas em torno do arauto da internet Josh Harris ao longo de duas décadas. O que resultou é um mergulho sem precedentes na lógica que comandou os primeiros anos de vida virtual, antecipando dramaticamente a realidade atual da autoexposição e das redes sociais.

Entre seus pares, Harris teve o diferencial de fazer isso como uma proposta radical de comportamento. Para o projeto Quiet: We Live in Public (1999), ele reuniu mais de 100 voluntários para viver num bunker subterrâneo sob vigilância constante (mesmo!) de dezenas de webcams, em regime de total conectividade. A todos era concedida liberdade total e, ao mesmo tempo, um tratamento de Guantánamo. Mais tarde, Harris repetiu a experiência com ele mesmo e sua namorada, dividindo com o público cada segundo da convivência do casal durante meses. Que todas essas empreitadas tenham terminado mal não chega a afetar sua importância visionária. O teor de disponibilidade, vigilância e mesmo sadomasoquismo da autoexposição servem como reflexo antecipado – e aumentado – do que vivemos hoje cotidianamente.

We Live in Public nos familiariza um pouco com “internet enterpreneurs”, “surveillance artists”, “interrogation artists” e toda uma fauna de “dot.com boys” que passou do anonimato ao estrelato e de volta à obscuridade em poucos anos. Josh Harris é um deles, talvez o mais performático, a ponto de ter sido chamado de “Warhol da webTV”. Ele é o eixo central de um roteiro primoroso, tão coeso que cada depoimento ou cena de arquivo parece ter nascido já dentro do filme. O gigantesco e energético trabalho de edição não deixa fios perdidos e mantém o sabor de entretenimento. Ao fim da projeção, é como se saíssemos de uma montanha russa, mas com um gap de informação preenchido sobre as origens da contemporaneidade.

Site do filme 

Peneira Digital: Ubuweb

setembro 18th, 2010 § Deixe um comentário

www.ubu.com/film

O termo vanguarda pode não fazer muito sentido hoje. Mas, do tempo em que fazia, o Ubuweb é um dos melhores acervos existentes. Nesse grande manancial da experimentação internacional constam poesia escrita, sonora e visual. Poemas, textos, filmes e áudio são incorporados num regime de compartilhamento e gift economy (sem envolver dinheiro). 

O setor de filmes disponibiliza obras integrais para streaming e download. O elenco de diretores vai de Samuel Beckett a Joseph Beuys, de Godard a Gary Hill, de Jonas Mekas a Yukio Mishima. São centenas de obras de artistas do primeiro time da vanguarda internacional de várias épocas. No ano passado, foram incluídos os curtas Doce amargo e A fonte, do brasileiro André Luiz Oliveira.

Criado em 1996, o Ubuweb só incorpora obras fora de circulação comercial ou que estejam sendo vendidas a um preço considerado caro demais. Caso o realizador se oponha, o item é retirado do site. Mas agora são os artistas que já oferecem seus trabalhos. A utopia de um mundo sem copyright fica mais perto com iniciativas como essa.

Peneira Digital: Cinecasulofilia

setembro 15th, 2010 § 2 Comentários

http://cinecasulofilia.blogspot.com

Pode ser a visão de um cachorrinho solitário na sacada de um edifício ou o último filme de Alain Resnais. Pode ser um velho drama japonês meio esquecido ou a última aventura cinematográfica da jovem turma cearense. Pode ser o filme brasileiro da vez ou as invenções de Chantal Akerman. Você nunca sabe o que vai encontrar no blog de Marcelo Ikeda. Mas uma coisa é certa: seja qual for o assunto, vai se deparar com uma reflexão sólida e pessoal sobre o cinema.

Crítico, curador, professor e ex-funcionário da Ancine, Ikeda também é um cineasta bastante particular. Seus filmes – diversos curtas e os longas Desertum e Êxodo – giram quase sempre em torno da vida privada do autor, num registro que se poderia chamar de experimental-circunspecto. Ele é afeito a diários e cartas em vídeo. Da mesma forma, seus escritos não têm a ambição de falar para o mundo.

Embora inclua cotações dos filmes comentados, Cinecasulofilia é mais o recanto de culto e meditação de um amante do cinema. Casulo de cinefilia. A aparência simples do blog, sugerindo papel antigo, contrasta com a sofisticação do pensamento do autor.      

Peneira Digital: Horror

setembro 13th, 2010 § Deixe um comentário

Entre minhas atribuições na redação da revista Filme Cultura consta editar a seção Peneira Digital. Ali resenhamos endereços virtuais sobre cinema que vale a pena destacar na imensa esfera da internet. Vou publicar aqui no blog as dicas que já demos nos números 50 e 51 da revista. Aí vai a primeira:

http://www.horrorbrasileiro.blogspot.com

Para a jornalista e professora Laura Cánepa, o cinema brasileiro é um horror. Melhor explicando: ela estuda a história do horror nos filmes nacionais, tema de sua tese de doutorado em Multimeios na Unicamp (2008). O blog Medo de Quê? é resultado e continuação da tese. Em páginas de fundo negro com links vermelhos, traz textos e informações sobre uma seleção de 150 filmes por onde se esgueira o tal “sentimento-horror”.

Laura não tem medo de cruzar fronteiras de gênero na sua pesquisa, razão por que inclui um policial como A próxima Vítima, de João Batista de Andrade, um clássico marginal como Prata Palomares, de André Faria Jr., ou um algodão doce como Pluft, o Fantasminha. Capítulos importantes de seu estudo cobrem as manifestações do terror nas pornochanchadas da Boca do Lixo e a possibilidade de se falar em estilos especificamente brasileiros para o tratamento cinematográfico do horror.

Mas, afinal, aquele é um blog. Daí que sua autora também cobre o lançamento de novos filmes e eventos dedicados ao cinema fantástico. A pesquisa de Laura, por sinal, serviu de base para a Mostra Horror no Cinema Brasileiro, apresentada em Brasília e no Rio em 2009. Há ainda uma boa lista de links para artigos, teses, entrevistas e vídeos sobre o assunto.    

Mais bios do Twitter

agosto 5th, 2010 § 2 Comentários

Não imagino a razão, mas o meu velho post sobre Bios do Twitter continua sendo um dos mais acessados deste blog. Todo dia, entre 20 e 30 visitantes diferentes o bisbilhotam. Quer dizer que existe uma demanda pela coisa, seja por diversão ou por utilidade. Resolvi então publicar mais algumas, selecionadas entre meus seguidores recentes. Vão em ordem decrescente de modéstia:    

@falazevedo  Não me siga, eu também estou perdida

@rogeklaus  Metrossexual de pele ruim. Não sabe onde está, mas também se soubesse, não saberia o que fazer. Jovem com espírito de velho.

@fabonini  Vivendo e achando bom!

@EdmPires  Keeping my eyes open

@flaviacandida  I’m brown goodgood and I love my sparkling water with extra bubbles

@eduardoades  vivendo em um filme americano dos anos 1940-50. musical, melodrama, noir, western.

@twtdoeli  Sou a única pessoa no mundo que eu realmente queria conhecer bem

@apierogatti  Colecionador de informações, intérprete da Era de Aquário

@patylouzada  [Pacifista]Cinema,semiótica e planos,muitos planos.

@Korphee  Russian Switzerland-based 17 years old student in art and multimedia at Eikon. I don’t know what I’ll be doing in two years but I will go to Valhalla.

@eriberta  Sou atriz formada com registro profissional, sindicalizada, com atividades em teatro e tv. Graduação em COMUNICAÇÃO SOCIAL PUBLICIDADE E PROPAGANDA

@willcairuga  Dublê de abdome de Hugh Jackman

@Fernandaalyssa  eu sou uma alegoria de mim! A alegoria chega quando descrever a realidade já não nos serve.

@ronaldopelli  Harder, Better, Faster, Stronger

@quelzinhafck2  Deus me disse: Desce e arrasa!!!!!

Rubens Machado Jr. comenta “o novo coletivo”

julho 19th, 2010 § Deixe um comentário

O parceiro da conversa que inspirou meu post sobre o cinema e o “novo coletivo” enviou os seguintes comentários, que merecem o destaque na página da frente:

Carlos, ótimo desenvolvimento da nossa conversa temos aqui! Vou tentar me explicar um pouco mais, não sei se tenho razão, só vejo com curiosidade e atenção ao fato de que “estarmos” é diferente de “nos sentirmos” num espaço público. A 1ª condição não é necessária nem suficiente para a segunda, mas ajuda muito, exerce um papel decisivo. A civilidade ou falta de civilidade do público circunstante nas salas de cinema depende disso. E nossa percepção muda (ainda que insondavelmente), nossa sensibilidade para o filme não é a mesma, a de estamos em casa ou nas salas, para qualquer filme, ainda que seja mais evidente em comédias, nós veremos sempre de outro modo – essa é a minha hipótese. Tudo bem que o casuísmo ou o pentelhismo de um vizinho chato nos atrapalha a fruição – mas mudar de cadeira costuma resolver. E depois, preocupa-me pensar nos incômodos de estar sozinho em casa durante um filme, exagerando um pouco: me parece que faltou algo, perdi uma parte do filme. A internet e o dvd podem ter trazido uma dimensão coletiva à fruição caseira, que a torna uma experiência pública também. Porém, digamos que ela é mais incerta. Há um eremita crescendo em nós a cada década, um eremita civilizado? Haverá polis sem espaço público? Os eremitas coletivizados do futuro seriam mais ou menos politizados? Os obesos internautas galáticos de Wall-E convivem num salão, numa nave, e o filme é otimista. Eu diria que o admirável mundo novo não está definido, nem vem datado de 1984. Mas que a indústria cultural está nos fabricando de um modo assustador, não tenho dúvida.

O cinema e o “novo coletivo”

julho 13th, 2010 § 14 Comentários

Os multiplexes, o Imax, o 3-D e os sistemas sofisticados de som estão lutando o bom combate, mas será que o futuro do cinema como fruição coletiva está com os dias contados? Eis uma pergunta que frequenta muitas conversas sobre o assunto. E não foi diferente em Salvador, na última sexta-feira, quando jantei com o crítico e professor da USP Rubens Machado.

Rubens levantou essa bola. De fato, quando a TV se instalou como mídia dominante, muito do consumo audiovisual deixou de ser coletivo e passou a ser familiar ou de pequenos grupos. Agora, com os computadores e celulares, o audiovisual passou a ser consumido individualmente, numa tendência que parece irreversível. Rubens citou isso como uma perda para a arte do cinema. Eu coloquei uma dúvida na mesa: será mesmo que o caráter coletivo é intrínseco ao cinema, ou é apenas uma contingência técnica e econômica surgida com o cinematógrafo e adotada pela indústria?

O pré-cinema, como o kinetoscópio e o mutoscópio de Edison, era destinado em sua maioria à fruição individual. Só mais tarde, com o advento do projetor e das telas grandes e verticais, é que o cinema tornou-se espetáculo para plateias maiores, em regime de simultaneidade. A indústria cinematográfica consagrou o modelo como negócio, em que o número de espectadores para uma mesma sessão passou a ser a chave da viabilidade financeira. A indústria investiu, então, nesse formato, criando os “palácios de sonho” e produzindo tecnologias cada vez melhores para a exibição coletiva com imagens e sons em escala extraordinária. A ponto de muitas vezes confundirmos o efeito de grupo com a qualidade do filme.

Rubens argumentou que, mesmo no pré-cinema, as exibições individuais se davam em espaços públicos. Ele dá grande importância a essa questão do espaço público. O fator coletivo, dizia ele, amplia a experiência do cinema através da interatividade na plateia e da contaminação do riso e da emoção. Estava certo. Não é a mesma coisa assistir a O Pequeno Nicolau num cinema lotado e solitariamente num monitor de notebook. Algo se perde nessa redução, não tanto pelo tamanho da tela, mas sobretudo pela falta de companhia. Resta saber quanto da qualidade da comédia de Laurent Tirard depende da experiência coletiva e quanto reside no filme de per si.

Além disso, contra-argumentei, o consumo individual está longe de se parecer com um vício privado. Ao contrário, tende hoje a se coletivizar virtualmente por meio das redes sociais. Quando enviamos um arquivo ou um link para um amigo, trocamos nossas impressões no Facebook ou no Twitter, estamos formando grupos de fruição. Cineclubes virtuais se constroem à base de downloads, comentários, recomendações etc. Acredito que, mesmo cada um em sua casa, estamos vivendo uma espécie de “novo coletivo”.

Um abraço, Rubens, o papo foi ótimo.

Bianchi (e outros) online

maio 2nd, 2010 § 5 Comentários

Diversão de domingo:

Não sei se os filmes do Sérgio Bianchi são exatamente objetos de diversão, mas a notícia de sua chegada à web é muito boa. O site Elo Cinema está disponibilizando online, gratuitamente e com boa qualidade, três longas, três curtas e o média Mato Eles?, do realizador paranaense.

Os longas Maldita Coincidência (1979), Romance (1988) e A Causa Secreta (1994) são os seus três primeiros. Já demonstram a acidez com que Bianchi diagnostica o funcionamento da sociedade, assim como se observasse ratinhos submetidos a experiências estressantes. Mas tenho uma admiração especial por Mato Eles? (1982), o doc sobre as relações entre índios e diretores de cinema – no caso, o próprio Bianchi. A reflexividade irônica do filme, colocando em xeque as boas intenções dos documentaristas, foi tão reveladora para a década de 1980 quanto Jogo de Cena e Santiago foram para os anos 2000.

Colocar seus filmes na rede é prática que aos poucos se dissemina entre os cineastas brasileiros. O pernambucano Kleber Mendonça Filho disponiblizou recentemente oito curtas seus no Vimeo. Guilherme de Almeida Prado, diante da dificuldade de lançar Onde Andará Dulce Veiga em DVD, tomou a iniciativa de botá-lo num site de megaupload.

Uma boa oferta de filmes brasileiros está no Elo Cinema. Grande parte da produção da Vera Cruz (inclusive os docs) pode ser vista no site, assim como filmes de Walter Hugo Khouri, entre eles Corpo Ardente e As Amorosas. O menu inclui documentários de Miriam Chnaiderman e Toni Venturi. Apesar do predomínio de filmes paulistas, também se pode encontrar o simpaticíssimo Dib, perfil de Dib Lutfi pela carioca Marcia Derraik.

Uns minutinhos da sua atenção

março 27th, 2010 § 1 Comentário

Uma das consequências do consumo cada vez maior de audiovisual online é a redução das durações. O mainstream do Youtube limita os vídeos a 10 minutos. Deu-se bem quem já lidava com o filme curtíssimo. O Festival do Minuto, por exemplo, tornou-se permanente e online a partir de 2007. Para outros, a restrição tornou-se uma estética. Veja o Cinelan, para onde grandes documentaristas internacionais produzem filmes de 3 minutos.

Para dar conta do recado em tão pouco tempo, a turma tem se valido da síntese, claro, mas também de recortes muito definidos e de uma linguagem que se estabeleça rapidamente e conquiste a atenção do espectonauta. A tentação de dar um back ou clicar em outra coisa é ainda maior que a de zapear no controle remoto da TV.      

O reino do filme online é um zapear constante. A satisfação deve vir sem delongas. Mas o modelo do microfilme também já se estende ao mundo offline. Estão abertas as inscrições brasileiras para o Festival Internacional de Filmes Curtíssimos – leia-se até 3 minutos. Imagino que os discursos de apresentação e agradecimento serão mais longos que as obras.

Na rede, já falei aqui dos belíssimos docs da Mediastorm. Agora descobri a série Miami-Havana, um co-produção internacional que a televisão europeia Arte vem veiculando desde 22 de fevereiro. A cada dia, durante três meses, dois vídeos estão sendo postados no site. Um de Havana, outro de Miami. Nos dois lados, separados por 90 milhas e uma espessa barreira ideológica, jovens cubanos que nasceram bem depois da revolução castrista falam de suas raízes, sonhos e dificuldades.

Adivinhe a duração de cada vídeo? Dois minutinhos, no más.        

Flashblack

março 23rd, 2010 § Deixe um comentário

As passagens de Mandela (com Winnie), James Brown e Desmond Tutu pelo Brasil, uma apresentação de Mestre Aniceto no Circo Voador, um depoimento de Abdias Nascimento sobre a trajetória da luta negra no Brasil. Eis alguns dos muitos vídeos que já estão sendo disponibilizados no novo endereço Cultne – Acervo Digital de Cultura Negra. O site está sendo lançado hoje (terça) no Cine Odeon (Rio), às 19 horas. A movimentação vai se estender por mais quatro dias de exibições e debates no Cinema Nosso (Lapa), encerrando no sábado com a festa Usafricarib na Estrela da Lapa. 

O Cultne tem por trás o brasileiro Filó Filho e a inglesa Vik Birkbeck. Já no início da década de 80, apareceram produtores atentos à efervescência da cultura negra por aqui. Ras Adauto e Vik Birkbeck criaram a Enúgbarijo Comunicações, que levou o nome do exú mensageiro, a Boca Coletiva. Filó Filho e Carlos Alberto Medeiros fundaram a Cor da Pele Produções, além do conceito Griot, via Quilombo Eletrônico. Com o advento das primeiras câmeras de vídeo portáteis e independentes, percorreram toda a cidade do Rio de Janeiro, onde eram facilmente avistados pelas ruas, morros, avenidas, salões, além de passarem pelo Clube Palmares de Volta Redonda e filmarem os agitos nas cidades de Juiz de Fora, Belo Horizonte, Salvador e São Paulo. O resultado é um gigantesco acervo de material em vídeo.

A fim de facilitar o acesso do público, Filó e Vik digitalizaram todo o material e criaram o site. O patrocínio é da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do governo do estado. São cerca de mil horas de imagens, gravadas originalmente em VHS e disponíveis para visualização, download, reedições, mashups e tudo o mais que a imaginação possa produzir.

Filó e Vik convidam quem tiver material desse tipo em casa, seja analógico ou digital, a incorporá-lo no site. O Cultne quer virar referência.

Bios do Twitter

janeiro 25th, 2010 § 21 Comentários

(Se você gosta de cinema, acompanhe o meu blog)

Tenho o estranho hábito de reparar como as pessoas registram sua biografia no Twitter. O espaço para isso é pouco mais generoso que o de um tweet qualquer: 160 caracteres. Ali cada twitteiro deixa uma pista (ou um despiste) sobre si próprio. Anotei algumas “bios” de brasileiros que me pareceram curiosas:

Tem os engraçadinhos:

@fnazareth  Não se deixem enganar. Sou um leitor.

@FrancisFrenezy Nãoseiusarotwitter-entendeu?

Tem os aparentemente sinceros:

@patricia_caes diretora de arte – mineira – apaixonada por propaganda, pao de queijo e futilidades de grande impacto.

@argolo Preguiçoso, feio, pseudo-intelectual, duro e a pé.

@vidademerda Minha vida é uma merda, mas não dou a minima. Só as melhores desgraças no Twitter. Visite o site para a lista completa.

Os “modestos”:

@alaidenc  Uma única qualquer

@ Cintia_Martins  Simplesmente Cíntia!

Os pensadores:

@caroldeassis  No elevador penso na roça, na roça penso no elevador

@luparhan para bom entendedor, meias palavras; para bom descritor, 140 caracteres…

E os poliglotas:

@gugavalente Chelovek s kino-apparatom e um chopp

@isisnan  평화와 사랑

Minha bio talvez se encaixe nos “sem imaginação”:

@carmattos Crítico de cinema, amante de documentários, viajante apaixonado

Leia Mais Bios do Twitter 

10 regras de etiqueta no Twitter

janeiro 14th, 2010 § 7 Comentários

Nos seis meses em que estou no Twitter, pude notar que certas condutas podem assegurar um fluxo claro e amigável de mensagens no microblog. Mas nem todo mundo parece ligado nessas regrinhas não escritas. A título de colaboração cidadã, escrevi esses 10 tópicos de etiqueta:

1. Poupe seus seguidores de overdose. Não sobrecarregue a caixa alheia com tudo o que lhe vier à cabeça ou parecer interessante repassar (retuitar). Dez ou doze tweets por dia parecem números razoáveis. A não ser que você seja uma agência noticiosa.

2. Esqueça a reciprocidade. Não se sinta obrigado a seguir quem lhe segue. Esse é o espírito do Twitter. Compreenda que muitos dos que você segue também não estão lhe seguindo. Portanto, nada de stress.  

3. Refreie a vaidade. Retuitar uma mensagem alheia de elogio a você, só quando contiver informação relevante ou alguma graça especial. Do contrário, vai soar tolo e cafona (isso mesmo, cafona).

4. Preserve o tweet alheio. Se quiser fazer algum comentário ou acréscimo ao retuitar uma mensagem, faça-o sempre antes do RT @…….. Se o seu plus aparecer depois, será interpretado como parte do que o outro disse.

5. Resista à facilidade do botão de retweet automático. Ele poupa o trabalho de recortar e colar, e por isso estimula o retweet indiscriminado. Pense bem se a mensagem vai interessar à maioria dos seus seguidores tanto quanto interessou particularmente a você.

6. Mencione a fonte da informação. Quando, em vez de retuitar, você vai repassar uma mensagem reeditada, sobretudo se ela for importante e/ou rara, dê o crédito a quem a enviou: (via @…….).

7. Direcione corretamente as respostas. Quando a resposta (reply) a um tweet só interessar àquela pessoa, sempre comece com @….. Se você escrever um caractere sequer antes disso, a resposta vai para todos os seus seguidores. Isso, quase sempre, é como ouvir conversa alheia sem saber o assunto.

8. Indique o assunto da resposta. Mencione uma palavra ao menos que indique sobre o que você está respondendo. Se não, a resposta pode chegar como um enigma.

9. Aproveite a privacidade. O Twitter tem o dispositivo da mensagem direta (direct message) para enviar tweets exclusivos. Use-o para assuntos de interesse particular em vez de coalhar a caixa geral. No caso de seguidores recíprocos, essa função é acessada a partir do menu da direita. Se você não segue o destinatário, mas ele o segue, basta entrar no Tweet dele e clicar “direct message to” no menu da rodinha dentada.

10. Seja diplomático. Use periodicamente o botão de pesquisa do seu username (na coluna da direita, logo abaixo de Home) para checar quem andou mencionando você ou retuitando suas mensagens. Se você não os segue, essa é a única forma de acompanhar. Daí podem resultar diálogos interessantes.

P.S. Por favor acrescentem ou discutam nos comentários 

Aplauso online

janeiro 6th, 2010 § Deixe um comentário

Dos seis livros que escrevi sobre cineastas brasileiros, quatro foram para a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de SP. A coleção coordenada por Rubens Ewald Filho, Marcelo Pestana e Carlos Cirne engloba biografias, roteiros, coletâneas de críticas e outros textos relativos a cinema, teatro e mais recentemente música. Os relatos biográficos são escritos em primeira pessoa, embora o trabalho de coleta, organização e redação seja feito por jornalistas e críticos. É um formato interessante, que tira do artista a tarefa às vezes indesejada de botar sua trajetória no papel.

Os livros da Aplauso agora estão disponíveis para leitura online no site da Imprensa Oficial. Os meus podem ser acessados diretamente aqui:

Carla Camurati – Luz Natural (2005)

Jorge Bodanzky – O Homem com a Câmera (2006)

Maurice Capovilla – A Imagem Crítica (2006)

Vladimir Carvalho – Pedras na Lua e Pelejas no Planalto (2008)

É muito bom encontrar seus livros na rede, à disposição de quem quiser folhear. Principalmente quando você já recebeu direitos fixos por todo tipo de publicação (uma merreca, tudo bem) e não depende do desempenho nas livrarias. Mas ainda não sei bem o que pensar sobre quem vive de uma parcela das vendas e topa com seu trabalho pirateado na internet. Tomei um susto quando vi meu primeiro livro, Walter Lima Júnior – Viver Cinema (2002) escaneado no Google Livros. Depois verifiquei que é uma visualização parcial, com muitas páginas saltadas – e até com páginas dobradas acidentalmente. Estou para ver um método de divulgação tão esquisito.

Quanto a Eduardo Coutinho – O Homem que Caiu na Real (2004), edição portuguesa que circulou pouco no Brasil, ainda penso uma forma de colocá-la na rede em breve. Mas primeiro preciso atualizar. Coutinho se reinventa tanto que fica difícil acompanhá-lo. 

 

Costurando os Pontos

novembro 28th, 2009 § 1 Comentário

Cena do programa Ponto Brasil - Cidades

Hoje (sábado), às 23h45, a TV Brasil vai transmitir o segundo programa da faixa Ponto Brasil, uma experiência interessante em matéria de produção coletiva para a TV. Os pequenos ensaios, ficções e documentários que compõem cada um dos 14 programas temáticos foram produzidos em regime colaborativo por cerca de 100 Pontos de Cultura e coletivos audiovisuais em 15 estados.

Durante 18 semanas de gravação este ano, aproximadamente 400 participantes realizaram 130 vídeos. Desde os primeiros argumentos até a edição, cada vídeo é assinado por uma coleção de grupos, que se reuniu sob a orquestração da equipe fixa do Ponto Brasil, dirigida por Leandro Saraiva. Quem quiser verificar como funciona esse método de criação de conteúdo online pode acessar o site do Ponto Brasil.

Na prática, é a pequena revolução operada pelos Pontos de Cultura que chega à TV. Com qualidade audiovisual razoavelmente sofisticada, os programas tratam de cidadania, identidade, relacionamentos, cotidiano etc. No primeiro, que pode ser visto aqui, o tema foi a cidade. O resultado me pareceu irregular, variando entre a ingênua caminhada de uma cozinheira do interior por Belo Horizonte, uma deplorável ficção sobre solidão em Londrina, uma energética argumentação sobre quilombos urbanos em São Paulo e dois caprichados ensaios poéticos sobre fluxos da cidade em Goiânia e monumentos paulistas. Em alguns momentos da edição, ronda o risco da semelhança com a estética da propaganda oficial.

Mas é preciso ver um pouco mais para formar uma apreciação. O tema do programa de hoje é “Ossos e Ofícios”. Vale a pena conferir, nem que seja pela imprevisibilidade do que virá e pela aragem fresca que vem dessa maneira de reunir impulsos criativos dos quatro cantos do Brasil.           

Vai um stop motion?

novembro 15th, 2009 § Deixe um comentário

Diversão de domingo:

O Youtube, Vimeo e sites afins não se limitam a trazer o mundo em movimento para o nosso nariz e levar nosso mundo para o nariz dos outros. Eles permitem também a qualquer um se converter em curador e programador dentro do grande fluxo da rede. Você pode criar canais pessoais, dentro do próprio site, para sugerir o que outras pessoas  devem ver. Ou então fazer suas curadorias no seu próprio site ou blog.

Uma excelente “mostra” virtual eu conheci recentemente através do indispensável Twitter da @mariliamartins, correspondente de O Globo em NY. O designer canadense Mike Smith selecionou no Vimeo 50 curtas incríveis que usam a técnica do stop motion, envolvendo desenho, grafite, animação 3D e gente de carne e osso.

Clique aqui para chegar lá. Vale por um pequeno Anima Mundi.

Twitter, eu te amo

novembro 12th, 2009 § 3 Comentários

140Não sei se é o primeiro, mas vai sair em breve um filme completamente inspirado pelo Twitter. O título é auto-explicativo: 140. Mas também poderia ser “Twitter, I Love You”, já que a proposta se aproxima da série iniciada com Paris, Je t’Aime. A ideia foi do curta-metragista irlandês Frank Kelly. Ele pediu a 140 pessoas de 23 países que filmassem durante 140 segundos no dia 21 de junho às 8 da noite (horário Greenwich). O tema era “conexão”. De posse desse material, Frank começou a editá-lo livremente, de maneira a criar um fluxo de ideias e imagens, um poema audiovisual a respeito de conectividade. 

Já existe um clipe do filme na rede. Por ele, não dá bem para sacar qual será o resultado. Mas diz uma coisa: o Brasil é a menina dos olhos do mundo. Quase todo o clipe é composto de imagens do Rio de Janeiro (tem SP também?), com direito ao Cristo Redentor e seu panorama (veja abaixo). Entre os 140 cineastas, há quatro brasileiros, sendo três de SP e um do Rio.  

Por conexão, Frank Kelly entende um espectro amplo de coisas. Ele recomendou aos envolvidos que filmassem algo que os conectasse com o lugar onde vivem. “Pode ser qualquer coisa. Suas crianças. O oceano. Um crepúsculo. Amanhecer. O sorriso de um amante. Amigos rindo. Tráfego. Uma paisagem. Não há regras. Cabe a você decidir. Mas deve ser verdadeiro para você.”.

Frank vai em seguida batalhar a colocação de 140 em festivais e distribuí-lo mundo afora. De futuro, ele pretende criar um site com um mapa onde se possa clicar e ver os 140 segundos completos de cada locação. Para saber a quantas anda o projeto, consulte o blog ou, claro, siga Frank no Twitter.

Onde estou?

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