Os anos loucos da Cahiers
dezembro 1st, 2011 § Deixe um comentário
Numa especialíssima sessão na quarta-feira, o Fórum Doc BH apresentou – provavelmente pela primeira vez fora da França – o filme À Voir Absolument (Si Possible) – Dix Années aux Cahiers du Cinéma, 1963-1973. Cheirando ainda à mesa de edição, ele aparece na internet como lançamento de 2012. O privilégio dos mineiros veio por conta da relação que o Fórum mantém com Jean-Louis Comolli, um dos autores do filme junto com Jean Narboni e Ginette Lavigne. O próprio Comolli ofereceu a pré-estreia.
Como cinema, não há qualquer pretensão. Comolli e Narboni, redatores-chefes da Cahiers no período citado, limitam-se a conversar (mais ouvir, na verdade) com ex-colegas da redação sobre as decisões que levaram a essa ou aquela escolha editorial. A efervescência daqueles anos fazia com que cinema e ideologia se cruzassem constantemente. Foi o tempo da eclosão dos cinemas novos, da revalorização do cinema hollywoodiano pelos franceses, de Maio de 68, da fase de alinhamento da revista ao Partido Comunista e da adesão ao maoismo, que chegou a expelir as fotos das páginas da Cahiers.
Eles conversam desconfortavelmente numa sala de cinema, reproduzindo um filme de arquivo que flagrava os redatores jovens em situação semelhante. Às vezes, os venerandos atuais contemplam diretamente as imagens de outrora (como Narboni e Comolli na foto acima), mas não há grandes alusões à contemporaneidade. Trata-se de um projeto memorialístico de grupo, onde chega-se a lavar alguma roupa suja, como Jacques Aumont confrontando os que o demitiram no passado.
Curiosamente, quem tem uma das participações mais marcantes é Sylvie Pierre, a namorada francesa do cinema brasileiro. Quando entrou na Cahiers, ainda não mordida pela mosca da cinefilia, Sylvie era responsável pela fototeca. Depois passou a redatora e entrou para a “família”. No filme, porém, ela alterna louvores e questionamentos. Recorda sem rodeios a sensação de “terror” que dominava as reuniões da redação nos períodos mais politizados. O terror de parecer alienado ou ignorante. “Só me senti à vontade para apreciar Lelouch depois de ir para o Brasil”, exemplifica. Sylvie cita diversas vezes sua experiência brasileira, usando inclusive a expressão “fazer a cabeça” e dando o crédito da procedência. Não sei até que ponto a convivência de Sylvie com Glauber Rocha e com as propostas de um cinema revolucionário teriam criado um diferencial no seu olhar em relação ao dos colegas que se mantiveram ligados ao núcleo parisiense. Perguntei isso a Jean-Claude Bernardet após a sessão, mas ele limitou-se a estranhar que Sylvie tenha no filme um papel bem mais destacado que o que sempre teve na história da Cahiers.
Entre os episódios relembrados por críticos como Pascal Kané, Pascal Bonitzer, Jacques Bontemps e Bernard Eisenschitz, estão a mobilização da revista contra a censura a A Religiosa (filme assinado por Jacques Rivette, diretor da revista), a campanha em defesa de Henri Langlois e a mostra de filmes independentes de que participou A Falecida, de Leon Hirszman. As fronteiras entre crítica e teoria também são debatidas, contando com exemplos de trechos de textos lidos em off e imagens de capas e páginas da revista.
O título do filme provém da recomendação dos críticos para que determinado filme fora de cartaz fosse visto de qualquer maneira, mas com a ressalva “se possível”, em função da dificuldade de se obter cópia. Era a expressão de uma época em que a Cahiers realmente ditava os caminhos da cinefilia mundial. O doc se encerra com um letreiro informando que em 1973 a revista passou a ser editada por Serge Daney e Serge Toubiana, e sucessivamente por outros nomes até pertencer atualmente a um grande grupo editorial, Phaidon. Nas entrelinhas, lemos que a Cahiers nunca mais foi a mesma daqueles anos loucos. Oui, absolument.
A revista do Gustavo
novembro 26th, 2011 § 2 Comentários
Saiu finalmente do forno a edição 55 da revista Filme Cultura. Na capa, como se vê abaixo, a fina estampa de Gustavo Dahl. Não podia ser diferente. A Filme Cultura foi um dos últimos projetos por que Gustavo se apaixonou. Dirigir a revista juntava nele o apetite de gestor com a gana de criador. Seu desaparecimento, em junho último, deixou claro para a equipe de redação que ele próprio deveria ser o tema do número seguinte.
Embora a Petrobras ainda não tenha se definido quanto à renovação do projeto que viabilizou as edições 50 a54 (veja update abaixo), equipe e CTAv se mobilizaram para fazer essa edição com menos recursos, mas com o mesmo nível de qualidade que Gustavo impôs aos números anteriores. Como a tiragem é menor, de apenas 1.000 exemplares, não haverá venda massiva da FC55. Adistribuição será dirigida pelo CTAv e apenas alguns pontos de venda serão oportunamente divulgados.
Aqui vai, em primeira mão, a lista de matérias da revista. O site já está atualizado com a edição completa e mais alguns materiais exclusivos.
Editorial – Equipe Filme Cultura
Ensaio de uma Autobiografia – Sheila Schvarzman
Depoimentos sobre Gustavo Dahl
Gustavo: Ação, reflexão e a busca da linguagem – José Carlos Avellar
Dobrar, cortar, costurar – Ricardo Miranda
Gustavo Dahl: um avatar no cinema brasileiro – André Gatti
Cinemateca de textos 1 – Gustavo Dahl
Carta a Paulo Emilio
Frases e fotos
Cinemateca de textos 2 – Gustavo Dahl
Um Filme / O bravo guerreiro – Daniel Caetano
Um Filme / Uirá, um Índio em Busca de Deus – Carlos Alberto Mattos
Um Filme / Tensão no Rio – João Carlos Rodrigues
Curtas de Gustavo Dahl – Joana Nin
Outro olhar / A promessa, de Gustavo Dahl – João Carlos Rodrigues
A consciencia do olho, da disposição e da cena – Daniel Caetano
Cultura, mercado, dias atuais – Alfredo Manevy
Livros / O Brasil imaginado na America Latina – Carlos Alberto Mattos
E agora, Ana Luiza Azevedo?
E agora, Karim Aïnouz?
Busca avançada / A gente quer saúde e arte – Carlos Alberto Mattos
Peneira digital – Carlos Alberto Mattos
Cinemabilia
Update: Liana Correa, Gerente do CTAv, esclarece que a Petrobras já assegurou o apoio necessário à continuidade da revista no ano que vem.
Cinearte e Scena Muda na Peneira digital
agosto 10th, 2011 § Deixe um comentário
www.bjksdigital.museusegall.org.br
As revistas Cinearte e A Scena Muda tiveram um papel fundamental na formação de cinefilia e de reflexão sobre o cinema brasileiro nas décadas de1920 a1950. Até há pouco tempo, contudo, sua recuperação ficava restrita a pesquisadores que se dispunham a procurar os poucos acervos disponíveis em bibliotecas. Mas agora é diferente.
Num site especial da Biblioteca Jenny Klabin Segall, qualquer um pode consultar os textos de Adhemar Gonzaga, Pedro Lima e das primeiras gerações de críticos e repórteres cinematográficos no Brasil, bem como uma vasta iconografia da época. Para a digitalização das 110 mil páginas de 1.820 edições das duas revistas, foram reunidos os acervos do Museu Lasar Segall e da Cinemateca Brasileira, com patrocínio do Programa Petrobras Cultural.
O site tem navegação um pouco lenta e não permite “folhear” as publicações. O acesso é feito página a página, no formato de PDF. Mas o internauta pode salvar cada página em seu computador para leitura offline ou mesmo impressão. Aí está um extraordinário passeio pela visão dos fãs e dos críticos que acompanharam o mercado brasileiro de cinema na primeira metade do século XX.
Adeus, bravo guerreiro
junho 27th, 2011 § 2 Comentários
Gustavo Dahl começou a morrer enquanto assistia a um filme em sua casa de Trancoso (BA) na noite de domingo. Terminou no hospital, horas depois, vítima de um infarto fulminante. O cinema brasileiro está em luto profundo. Gustavo foi o ideólogo de algumas das transformações mais importantes sofridas pelo cinema brasileiro desde a década de 1960.
Como crítico, foi um dos teóricos do Cinema Novo. Como cineasta, procurou combinar o cinema político com formatos mais abertos nos longas O Bravo Guerreiro, Uirá um Índio em Busca de Deus e Tensão no Rio. Como gestor, foi o primeiro a reivindicar um lugar para o cinema junto às mais altas esferas da República. Na Embrafilme, ajudou a promover um dos momentos de glória do cinema brasileiro e tornou famoso o lema “Mercado é cultura”, que alguns teimam em ler ao contrário. Foi o primeiro diretor-presidente da Ancine e ultimamente dirigia o CTAV – Centro Técnico Audiovisual, órgão ligado ao Ministério da Cultura.
Só há pouco menos de dois anos comecei a conviver em alguma proximidade com o Gustavo, por conta da revista Filme Cultura. Rapidamente compreendi por que tanto o admiravam como líder de grupos. Ele tinha uma enorme perícia em ouvir a todos, mas sutilmente selecionar o que de melhor entrava na discussão. E não titubeava na hora em que a palavra decisiva se fazia necessária. Tudo isso com as vantagens incomparáveis do humor fino, da digressão ilustrativa, das frases lapidares que eu me acostumei a colocar de pronto no Twitter durante as reuniões de pauta da revista. O trabalho lhe fazia aflorar uma paixão e um sentido de liberdade inebriantes.
A última vez que o vi foi no dia 31 de maio, numa exibição especial do documentário Passe Livre, de Oswaldo Caldeira, um dos vários filmes alheios que ele montou. Andava ansioso pela renovação do projeto da Filme Cultura junto à Petrobras, o que não aconteceu até agora. Acredito que a Filme Cultura foi a sua última grande alegria profissional. Vê-lo vibrar com o lançamento de cada edição era algo que rejuvenescia não só a ele, mas a todos que o cercavam.
Como eu, muita gente no cinema brasileiro está se sentindo agora um pouco órfão. Um guerreiro a menos numa planície cada vez mais desolada.
P.S. O velório será amanhã (28), das 15 às 18h, no Salão Portinari do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.
Febre de cinema
janeiro 12th, 2011 § 3 Comentários
Em primeira mão, a capa e a lista de matérias da Filme Cultura nº 53, que será lançada no dia 28, às 17 horas, na Mostra de Cinema de Tiradentes. O dossiê temático dessa edição, “Febre de cinema”, esquadrinha o sentido, a história e as modalidades de cinefilia no Brasil.
A FC 53 estará em breve no site da Filme Cultura . Ali você pode também consultar os pontos de venda da revista impressa.
Lista de matérias
EDITORIAL Gustavo Dahl
CEC, O FRAGMENTO DE UM TEMPO DO CINEMA Geraldo Veloso
PERIÓDICOS DE CINEMA NO BRASIL Hernani Heffner
SALAS DE CINEMA COMO TEMPLOS DE CINEFILIA Rodrigo Fonseca
PORQUE CINEMA É A CACHAÇA DE MUITA GENTE Débora Butruce
PEQUENO ABECEDÁRIO DE UM CINÉFILO DA PERIFERIA Marcus Vinícius Faustini
UM BREVE PASSEIO PELAS BORDAS DO CINEMA BRASILEIRO Bernadette Lyra e Gelson Santana
SGANZERLA, O CINEASTA CINÉFILO Raquel Wandelli
A CINEFILIA CANIBAL DOS FILMES DE CARLOS REICHENBACH Daniel Caetano
FILMAR COMO RETRIBUIÇÃO / WALTER LIMA JR. Fábio de Andrade
A CINEFILIA ONLINE Carlos Alberto Mattos
FILME CULTURA ENTREVISTA ADHEMAR DE OLIVEIRA
ENSAIO FOTOGRÁFICO Walter Carvalho
CINÉFILOS DE CARTEIRINHA RESPONDEM
LISTA: OS FILMES MAIS QUERIDOS DO CINEMA BRASILEIRO
CINEMATECA DE TEXTOS / ESBOÇO DE UMA ANATOMIA DO FÃ Ronald F. Monteiro
LIVROS / JAIRO FERREIRA NO SÃO PAULO SHIMBUN João Carlos Rodrigues
UM FILME / 500 ALMAS Daniel Caetano e Marcelo Ikeda
PERFIL / RUBEM BIÁFORA Gustavo Dahl
OUTRO OLHAR / O CAÇULA DO BARULHO João Carlos Rodrigues
E AGORA, LÍRIO FERREIRA?
E AGORA, ANNA MUYLAERT?
ATUALIZANDO / UMA CÂMERA, FOTOGRÁFICA, NA MÃO Marcelo Cajueiro
LÁ E CÁ / O VÍRUS BOM DO DOCTV Carlos Alberto Mattos
CURTAS / CINEMA SOBRE CINEMA Joana Nin
PENEIRA DIGITAL Carlos Alberto Mattos
CINEMABILIA
Peneira Digital: Filmes Polvo
novembro 9th, 2010 § Deixe um comentário
Eles são oito redatores, como os tentáculos de um polvo. De Belo Horizonte, desde 2007, editam a revista eletrônica Filmes Polvo, dedicada à análise do cinema em suas várias modalidades. No farto menu da revista, o leitor pode encontrar críticas de filmes, ensaios, cobertura de eventos e reflexões sobre a atualidade do audiovisual.
Não há preconceito nas páginas de Filmes Polvo. Ali têm lugar tanto a teoria de Jean-Louis Comolli como as comédias produzidas e/ou dirigidas por Judd Apatow, só para citar dois exemplos aparentemente extremos. São comuns também os textos de aproximação entre filmes diversos, na tentativa de iluminar constâncias e tendências do cinema contemporâneo. Outra característica editorial interessante é a remissão a textos de outros veículos, como no caso da polêmica em torno de Moscou, de Eduardo Coutinho.
A revista inscreve-se em um novo movimento da crítica brasileira, iniciado por Contracampo e prosseguido por Cinética, que vê o cinema no contexto mais amplo da cultura audiovisual, onde a televisão e a internet também merecem destaque. Da mesma forma, considerações sobre a própria crítica são incorporadas a grande parte dos textos de Filmes Polvo.
Onde comprar a Filme Cultura
outubro 26th, 2010 § 2 Comentários
Os pontos de venda da Filme Cultura são divulgados regularmente no site da revista. Atualmente, ela pode ser encontrada nas seguintes livrarias:
BELO HORIZONTE
Livraria Usina das Letras (Palácio das Artes)
Av. Afonso Pena 1537, Centro
(31) 3222-1317
http://www.livrariausinadasletras.blogspot.com
BRASÍLIA
Livraria Cultura
Casa Park Shopping Center
Shopping Center Iguatemi
http://www.livrariacultura.com.br (venda online)
CAMPINAS
Livraria Cultura
Shopping Center Iguatemi
http://www.livrariacultura.com.br (venda online)
CURITIBA
Livraria do Chaim Editora
Rua General Carneiro, 441
(41) 3264-3484
PORTO ALEGRE
Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country
http://www.livrariacultura.com.br (venda online)
Palavraria Editora, Livraria e Café
Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim
(51) 3268 4260
http://palavraria.wordpress.com/
RECIFE
Praça Alfândega
http://www.livrariacultura.com.br (venda online)
RIO DE JANEIRO
Livraria Leonardo Da Vinci:
http://www.leonardodavinci.com.br/ (inclusive venda online)
ou através do e-mail: clientes@leonardodavinci.com.br
Blooks Livraria
Unibanco Arteplex (Botafogo)
http://blooks.com.br/
Livraria da Travessa no seguintes pontos:
BarraShopping
Av. das Américas, 4.666 – nível Américas loja 220
(21) 2430-8100
Shopping Leblon
Afrânio de Melo Franco, 290 – loja 205 A
(21) 3138-9600
Ipanema
Rua Visconde de Pirajá, 572
(21) 3205-9002
Centro – 7 de Setembro
Rua 7 de Setembro, n. 54
(21) 3231-8015
Centro – Rio Branco
Av. Rio Branco, 44
(21)2519-9000
Centro – Ouvidor
Travessa do Ouvidor, 17
(21) 2505-0400
Centro – CCBB
Rua Primeiro de Março, 66 térreo
(21) 3808-2066
www.travessa.com.br (venda online)
SÃO PAULO
Livraria Cultura dos seguintes pontos:
- Conjunto Nacional
- Shopping Villa Lobos
- Market Place Shopping Center
- Bourbon Shopping São Paulo
- Villa Daslu
http://www.livrariacultura.com.br (venda online)
Livraria B_Arco
Rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, 426
(11) 30816986
VITÓRIA DA CONQUISTA (BA)
Literal Livraria e Papelaria
Av. Olívia Flores, 423, A
(77) 3424 5118
www.literallivraria.blogspot.com
‘Filme Cultura’ discute o blockbuster brazuca
outubro 1st, 2010 § 1 Comentário
Existe uma fórmula para se fazer um blockbuster no Brasil? Como aconteceram os grandes sucessos de público desde a época do cinema mudo e dos estúdios, passando pela era Embrafilme e chegando à Globofilmes? Eis algumas perguntas que nortearam a pauta da edição 52 da revista Filme Cultura, que chega ao público agora, durante o Festival do Rio.
O lançamento será neste domingo, 3 de outubro, às 18h, na sede do festival, Espaço Ação e Cidadania (Rua Barão de Tefé, 75, Centro). Uma mesa vai reunir os produtores Diler Trindade e Pedro Carlos Rovai, o distribuidor Marco Aurélio Marcondes e o diretor da revista Gustavo Dahl, em torno do tema “A Fórmula do Blockbuster – Como Conquistar o Público”. Com entrada franca, os presentes vão receber a revista gratuitamente e poderão comprar a coleção facsimilar 1966-1988 ao preço (bastante) promocional de 50 reais.
A seguir, a lista de matérias da Filme Cultura 52:
Editorial Gustavo Dahl
Uma história de exceções Luciana Corrêa de Araújo
Em busca do sucesso (a qualquer preço): a era dos estúdios João Luiz Vieira e Rafael de Luna Freire
Anos 1960 e 70: as contas do nacional-popular Carlos Alberto Mattos
Como era erótico nosso cinema Alfredo Sternheim
Discutindo a relação: casamento Globo Filmes-cinema Susana Schild
Filme Cultura Entrevista Daniel Filho da redação
Questionário aos produtores da redação
A dama do lotação – o produto e seu lançamento no mercado João Carlos Rodrigues
A sala de cinema e a sala de estar Bernardo Oliveira
Cidade de Deus Marcelo Cajueiro
Filmes regionalistas industriais brasileiros André Piero Gatti
Arrasando quarteirões João Carlos Rodrigues
Cinemateca de Textos / Mercado é cultura Gustavo Dahl
Difusão é cultura Daniel Caetano
Curtas Joana Nin
Um filme / A erva do rato por Ruy Gardnier e Jorge Vasconcellos
Perfil / Roberto Farias Luís Alberto Rocha Melo
Busca avançada Daniel Caetano
E agora, Paulo Sacramento?
E agora, Vladimir Carvalho?
Atualizando Caio Cesaro
Peneira digital Carlos Alberto Mattos
Cinemabilia
“Quem” serão os melhores?
setembro 20th, 2010 § Deixe um comentário
Pelo segundo ano, fui convidado para indicar candidatos ao Prêmio Quem de Cinema Brasileiro. Somos três jurados a indicar três candidatos a melhor diretor, ator e atriz. Dessas indicações, a editoria da revista Quem vai tirar cinco nomes em cada categoria para a votação popular no seu site. A temporada vai de outubro de 2009 a setembro de 2010.
Eis as minhas indicações:
Diretor
Marco Ricca – Cabeça a Prêmio
Mais uma estreia auspiciosa de ator competente no cinema brasileiro recente. Direção precisa e seca que extrai o melhor do elenco e do ótimo roteiro.
Esmir Filho – Os Famosos e os Duendes da Morte
Primeiro longa de um curta-metragista criativo. Potência estética e inquietação formal para expressar as angústias de uma geração entre vivências físicas e virtuais.
Laís Bodanzky – As Melhores Coisas do Mundo
Confirmação de uma diretora talentosa na construção de personagens, na sustentação de uma marca pessoal e na mobilização de temas cruciais da contemporaneidade.
Ator
Caio Blat – Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, As Melhores Coisas do Mundo, O Bem-Amado, Os Inquilinos
Um dos grandes atores do cinema brasileiro atual, Caio encontra o ritmo e o tom adequados para cada um de seus personagens. Esses quatro filmes exemplificam sua versatilidade.
Irandhir Santos – Olhos Azuis, Quincas Berro d’Água, Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo
Revelação recente para o grande público, Irandhir injeta verdade seja na comédia, seja no drama, ou mesmo criando um personagem plausível somente com sua voz em off.
Fulvio Stefanini – Cabeça a Prêmio
Um reaparecimento gratificante para o cinema. A presença sólida e as minúcias de interpretação fazem desse personagem um dos muitos prazeres do filme de Marco Ricca.
Atriz
Nanda Costa, Amanda Diniz e Kika Farias – Sonhos Roubados
Sob a sensível direção de Sandra Werneck, as três meninas esbanjam talento individualmente e, no conjunto, criam uma química fascinante na difícil tarefa de dar vida a personagens complexas, multifacetadas.
“Filme Cultura”, obra completa
junho 26th, 2010 § 3 Comentários
Transcrevo a seguir o release de lançamento da Coleção Filme Cultura e do número 51 da revista.
Coleção histórica da revista Filme Cultura será lançada dia 1º de julho junto com a edição nº 51
Todos os números históricos da revista Filme Cultura que circularam entre 1966 e 1988 estão finalmente preservados. O Centro Técnico Audiovisual – CTAv/SAV/MinC acaba de editar uma coleção com cinco livros de capa dura contendo as 48 edições do período, além de duas revistas especiais, feitas para os festivais de Cannes e Berlim. O projeto é uma iniciativa do Instituto Herbert Levy e tem patrocínio da Petrobras. Além da coleção histórica impressa na edição fac-similar, as quase 4.000 páginas publicadas naquele período já estão disponíveis no setor de periódicos da Biblioteca Nacional em microfilmes e a partir de 1º de julho estarão também no site www.filmecultura.org.br.
A revista Filme Cultura voltou a circular em 2010 e tem cinco novas edições garantidas neste mesmo projeto. O nº 51 será lançado no mesmo dia da coleção histórica. Em seu período histórico, a Filme Cultura foi editada sucessivamente pelo Instituto Nacional do Cinema Educativo – INCE, o Instituto Nacional de Cinema – INC, a Empresa Brasileira de Filmes – Embrafilme e a Fundação do Cinema Brasileiro – FCB. Depois de 19 anos fora de circulação, o Centro Técnico Audiovisual – CTAv/SAv/MinC lançou em 2007 a edição especial nº 49, comemorativa dos 70 anos do INCE. Em abril de 2010 foi lançado o nº 50 e a revista voltou a circular regularmente com periodicidade trimestral.
A Coleção
Os cinco volumes da coleção fac-similar reproduzem fielmente as edições de 1966 a 1988 de Filme Cultura. Ali foi feita a crônica do cinema brasileiro e de aspectos importantes do cinema internacional no período. Em suas páginas, encontram-se textos hoje clássicos de Jean-Claude Bernardet, Sérgio Augusto, Antonio Moniz Vianna, Ismail Xavier, Inácio Araújo, João Luiz Vieira, Rogério Sganzerla e Jairo Ferreira, entre muitos outros. A revista contou, entre seus editores, com Ely Azeredo, Flávio Tambellini, David Neves, José Carlos Avellar, Cláudio Bojunga e João Carlos Rodrigues.
O conteúdo da revista abrangia críticas de filmes, ensaios, pesquisas, entrevistas, perfis, catalogação de diretores brasileiros e internacionais, bem como artigos sobre técnica, produção, mercado, festivais e premiações. Há também um precioso material iconográfico sobre a história do cinema brasileiro, fundamental para cinéfilos, pesquisadores e estudantes.
A Coleção pode ser adquirida ao preço de R$ 100,00 nas principais livrarias do país. Os pontos de venda, válidos também para os números recentes da revista, são divulgados no site www.filmecultura.org.br.
O número 51
A edição nº 51 de Filme Cultura é centrada nos personagens do cinema brasileiro. Como destaca no editorial o diretor da revista, Gustavo Dahl, “a proposta deste número de Filme Cultura é recontextualizar a questão dentro do cinema brasileiro histórico, moderno ou contemporâneo.” Assim, personagens populares, marginais e intelectuais, personagens de documentários e de tramas multiplot receberam a atenção de articulistas tanto pertencentes ao corpo de redatores da revista, como convidados de diversas regiões do país e distintas inserções no estudo do cinema brasileiro. Fernanda Montenegro e Selton Mello ganharam matérias especiais pela riqueza de suas galerias de personagens.
A revista traz também as mesmas seções do nº 50, que lançam um olhar às margens do mercado, à história do cinema brasileiro e a disciplinas correlatas à do cinema. A seguir, a lista das matérias de Filme Cultura nº 51:
Editorial – Gustavo Dahl
O filho desviante e a morte do pai – João Silvério Trevisan
Quando a narrativa perde o centro – Cléber Eduardo
A vida depois do doc – Carlos Alberto Mattos
Coutinho, o cinema e a gente – Daniel Caetano
Heróis do real – Carlos Alberto Mattos
Carapiru e Orson Welles: a melhor defesa é o ataque – Daniel Caetano
Entrevista com Silvio de Abreu – Daniel Caetano
Personagens e tipos do cinema popular – João Carlos Rodrigues
Intelectuais na linha de frente – Luís Alberto Rocha Melo
Margem sem limites – Cássio Starling Carlos
Zulmira, Romana, Dora… Fernanda – Ivonete Pinto
Entrevista com Selton Mello
Um filme: Estômago – Fábio Andrade e Rodrigo de Oliveira
Perfil: Walter da Silveira, advogado do cinema – Orlando Senna
Cinemateca de textos: Jean-Claude Bernardet
Outro olhar: Grande sertão: veredas, Avancini em grande estilo – João Carlos Rodrigues
E agora, Laís (Bodanzky)?
E agora, Ivan (Cardoso)?
Lá e cá: O desconhecido cinema de nossos vizinhos argentinos – Daniel Caetano
Busca avançada: Cinema passageiro – Carlos Alberto Mattos
Curtas: De/com/sobre/para Helena Ignez – Joana Nin
Atualizando: A morte do transfer? – Marcelo Cajueiro
Livros: História e economia do cinema e do audiovisual no Brasil: passado, presente e futuro – André Gatti
Peneira digital – Carlos Alberto Mattos
Cinemabilia: Simão, o caolho
SERVIÇO
Lançamento da Coleção fac-similar e do nº 51 da revista Filme Cultura
Data: 01/07/2010 no site www.filmecultura.org.br
Evento no Rio de Janeiro e São Paulo para imprensa e convidados.
Assessoria de imprensa: Bárbara Skaba (21) 9766-1598 / barbara.skaba@gmail.com
Pernambuco, pernambucos
maio 11th, 2010 § Deixe um comentário
Lançado no Cine-PE e trazido por Joana Nin, recebi um exemplar de O Novo Ciclo de Cinema em Pernambuco – A Questão do Estilo, de Amanda Mansur Custódio Nogueira (Editora Universitária UFPE). O livro, resultado de uma dissertação de mestrado, procura investigar se existe, de fato, esse tal “cinema pernambucano” de que tanto se fala desde a erupção de Baile Perfumado (1997).
A resposta de Amanda é sim, mas para caracterizar o “novo ciclo” ela concentra o estudo em oito longas-metragens de um grupo mais ou menos coeso: Baile Perfumado, O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas, Amarelo Manga, Cinema, Aspirinas e Urubus, Árido Movie, Baixio das Bestas, Cartola e Deserto Feliz. Marca de estudo acadêmico é concentrar para aprofundar. Assim Amanda encontra sinais de identificação estilística como a auto-referencialidade, a brodagem, o “privilégio à música” e as problematizações identitárias. A análise converge para reforçar a imagem de grupo e, a partir dela, a ideia de ciclo.
É interessante confrontar a argumentação de Amanda com a matéria de Luiz Joaquim para a revista Filme Cultura 50. A certa altura de Os Frutos da Audácia Pernambucana, depois de citar quatro dos longas acima, o jornalista sustenta que “tentar enxergar Pernambuco por apenas qualquer um dos quatro filmes ou por eles reunidos seria redutor”. Daí seu artigo abarcar também manifestações decisivas na área do curta-metragem e do documentário. A revitalizadora produção da Símio, os curtas primorosos de Kléber Mendonça Filho e os docs de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso não podem ser deixados de lado quando se pensa no cinema pernambucano atual.
Amanda e Luiz Joaquim se complementam na medida em que a matéria dele atualiza e amplifica o livro dela, enquanto o livro embrenha-se com boa disposição no manguezal estético dos longas e nas origens do ciclo.
Lançamento da ‘Filme Cultura’
abril 29th, 2010 § 4 Comentários
A ‘Filme Cultura’ está de volta
abril 21st, 2010 § 9 Comentários
Como integrante do grupo de redatores da nova revista Filme Cultura, coube a mim escrever o release do lançamento, que vai acontecer na próxima terça-feira. Aí vai, portanto, o que interessa saber enquanto a revista não chega a suas mãos:
A revista Filme Cultura, uma referência de leitura sobre cinema no Brasil entre 1966 e 1988, volta a ser publicada a partir deste mês. O lançamento da edição número 50 será na terça-feira próxima, dia 27 de abril, das 18h30 às 21h30, na Casa de Rui Barbosa, no Rio.
O novo projeto Filme Cultura consiste, além da revista, no lançamento do website www.filmecultura.org.br e da coleção histórica em versões fac-símile e microfilmes, esta em convênio com a Biblioteca Nacional. Para viabilizar o projeto, foi feita uma parceria entre o Centro Técnico Audiovisual – CTAv/SAv/Minc e o Instituto Herbert Levy, com patrocínio da Petrobras através dos incentivos da Lei 8.313/91 (Lei Rouanet).
A capa!
abril 9th, 2010 § 6 Comentários
Cahiers de pesquisá
março 13th, 2010 § 4 Comentários
Na década de 1980, os pesquisadores do cinema brasileiro viviam uma era bem diferente da atual, quando ainda não existiam e-mails, Google e outras ferramentas que atualmente colocam o mundo ao alcance dos dedos. As pesquisas eram feitas no papel, nas viagens e na consulta empírica aos acervos. Foi quando surgiram os Cadernos de Pesquisa, editados pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB), primeiramente com o apoio da Embrafilme. Foram publicados quatro números dos Cadernos, que hoje constituem peças raras em coleções. Eles representaram um momento importante na divulgação da pesquisa cinematográfica brasileira, através da edição de trabalhos que foram fundamentais para o estudo da história do nosso cinema.
Os tempos mudaram, mas o CPCB continua a agregar pesquisadores das várias regiões do país e a restaurar filmes brasileiros como Menino de Engenho, O País de São Saruê, Aviso aos Navegantes, O Homem que Virou Suco e A Hora da Estrela. Agora, com o patrocinio da Petrobras, o Centro está publicando uma quinta edição (especial) dos Cadernos de Pesquisa. O primeiro lançamento será neste sábado, no campus Gragoatá da UFF, por ocasião do encerramento do IV Congresso do Forcine – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual.
Professores de cinema de todo o país vão receber em primeira mão a publicação que reúne 10 artigos assinados por pesquisadores como João Luiz Vieira, Selda Vale da Costa, Solange Stecz e Vladimir Carvalho (veja sumário abaixo). Fui responsável pela edição, juntamente com Myrna Silveira Brandão, presidente do CPCB. Cuidamos para que estivessem representadas as diversas regiões onde existem núcelos do CPCB.
O número especial é dedicado à memória de José Tavares de Barros (1936-2009), um dos fundadores da entidade e idealizador dos Cadernos de Pesquisa. Dele está sendo publicado um texto original de 1978 sobre o filme mineiro Tormenta (1931).
Ah, a montagem fotográfica da capa (acima) é trampo aqui do bonitão.
Títulos
julho 27th, 2009 § Deixe um comentário
Sou apaixonado por títulos. Mais do que resumir uma obra, um veículo ou uma instituição qualquer, eles agregam sentidos, apontam direções, funcionam como despistes. Para Arthur Omar, por exemplo, intitular um filme ou uma fotografia é atribuir-lhe uma máscara, um disfarce. Certos títulos são obras em si, como O Inútil de Cada Um (livro de Mário Peixoto) ou Cinema Transcendental (disco de Caetano). Outros são piadas que se consagram, como Oito e Meio de Fellini.
Quando surgiu a revista piauí, a princípio gostei do nome. Era súbito e sonoro, imprevisível. Depois desgostei quando o associei à postura esnobe da revista para com o mundo aquém da alta cultura. Agora tomei conhecimento da existência de uma revista de cinema chamada Juliette, já em sua nona edição. De cara, achei interessante. Logo pensei nas Juliettes Binoche, Gréco, Lewis. Mas aí topei com a explicação do título pelos editores da revista:
“Juliette ou a Condessa de Lorsange representa, na obra do Marquês de Sade, o espírito transgressor necessário para a crítica que ele constrói à sociedade do período Iluminista e dos atos que presencia durante a Revolução Francesa - muitos na guilhotina. Este período de crimes em nome de ideais, Sade transforma em personagens cruéis, como a filósofa Juliette, em busca “dos descaminhos do coração humano”.
Fiquei pasmo. De onde saiu essa ideia estrambótica? Continuo achando o título gostoso, com esse tempero francês que tanto associamos ao cinema. Mas preferia não ter conhecido a justificativa.


















