Sylvio Back, 80 anos

Sylvio Back completou em julho 80 anos de idade e 60 de cinema. Com isso, vem mais uma oportunidade de se reconhecer o seu valor. Uma retrospectiva com seus 12 longas-metragens está correndo cinemas e cinematecas. É a mostra Sylvio Back 8.0 – Filmes noutra Margem.

Como a biografia do cineasta, a mostra começou no Sul e chega depois ao Sudeste. De 8 de setembro a 1º de outubro, esteve em cartaz na Fundação Catarinense de Cultura, em Florianópolis, e no canal TV UFSC. Em Porto Alegre, a Sala Redenção repercutiu de 25 a 29 de setembro. Em outubro será a vez da Cinemateca de Curitiba, onde Back debaterá sua obra com Fernando Severo. No Rio, a mostra desembarca na Cinemateca do MAM em novembro, com direito a exposição de fotos de filmagens. Por fim, a Cinemateca Brasileira vai receber Back em janeiro de 2018.

No catálogo do evento, a pesquisadora Solange Straub Stecz, diretora da Cinemateca de Curitiba, assim se referiu ao homenageado: “Com temáticas ficcionais que procuram desvendar o outro lado da história oficial do Brasil, passando pela colagem/bricolagem de soberbas imagens de arquivo (nacionais e estrangeiras), ao confronto memorial e contemporâneo da saga de homens e feitos que parecem nunca ter existido, a obra de Sylvio Back promove uma releitura crítica única e original da realidade e do passado remoto e recente do país”.

As palavras de Solange resumem bem o que Back tem colocado em circulação com verve polêmica e poética. Sua obra aos poucos se distanciou do rótulo de “cronista do Sul” para assumir-se como aríete incisivo a fustigar mitos e verdades acomodadas em distintas latitudes brasileiras. O exame da exploração da imagem do índio em Yndio do Brasil, a desmitificação do esforço de guerra da FEB em Rádio Auriverde, a revisão crítica da Guerra do Paraguai em Guerra do Brasil, a interpretação pessoal da presença de Stefan Zweig no Brasil em Lost Zweig… São alguns temas em que Back imprimiu sua marca de cine-historiador independente e pouco afeito aos cânones.

Enquanto não dá à luz um novo projeto no cinema, Sylvio Back vai mostrando que, para ele, idade não é documento. Está lançando seu quinto livro de poemas eróticos, Musas de Carne e Osso. Entre as musas despidas em duas línguas (português e portunhol) estão Sonia Braga, Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sophia Loren, Monica Bellucci, Claudia Ohana, Roberta Close, Isabel Sarli, Rita Cadillac e Maria Schneider.

 

Post scriptum: Depois de publicado esse post, Sylvio Back me enviou um pequeno texto confessional que resolvi compartilhar também aqui. Fala Back:

“Sempre fiz ‘aniversário’ ao terminar um filme, como o mais recente, O Universo Graciliano, de 2013, o trigésimo oitavo da carreira. Dessa vez não deu. Jubilosamente, traí-me! No entanto, quero crer, ainda dá tempo, com um detalhe: antes quero envelhecer pra saber como é que é ser velho! Faço ouvidos moucos ao chororô de queridos amigos de 50 e 60 anos sofrendo por antecipação a longevidade. Olhaí, deve ser bacana chegar a macróbio!

Para minha alegria, ao ensejo da emblemática data, Paraná e Santa Catarina, chão fundador da minha bibliofilmografia, promovem grande mostra de doze longas-metragens, acompanhada de belo catálogo que leva o jovial e sintomático título de Sylvio Back 8.0 – Filmes Noutra Margem. Melhor, impossível! Por outro lado, eu sei, é forte o simbolismo da efeméride dos oitentão, uma idade que, mocinhos, jamais pensamos chegar lá, como se fora um Everest biológico inatingível!

Alimento com prazer uma pergunta recorrente: o que preciso ainda criar ou concluir ou publicar ou lançar: poemas, artigos/ensaios, roteiros, filmes e livros? São inúmeros, sim, mas dá azar enunciá-los: uma vez ditos, perdem o encanto. Pois essa prevalência do fabro inadiável é uma luminosa parceira desde a juventude, pode crer!  O homem é sua obra, e ponto final. O que me anima todas as manhãs é, justamente, essa urgência. Levanto sabendo que há o que fazer, formatar e concluir, submeter ao crivo do público. Por essas e outras sinto que ‘my life is brilliant my love is pure’, como diz a canção.

Afinal, que os filmes falem por mim porque sempre foram melhores do que eu! Que o digam as dezenas de colaboradores com quem, afetuosamente, compartilho uma obra que, se subsiste, é graças ao estro e à expertise deles”.

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