Meu 2017 e os filmes preferidos

Apesar do bode político no meio da sala e da nuvem negra que estacionou sobre o país, não posso dizer que 2017 foi um ano ruim pessoalmente para mim. Fiz duas belas viagens internacionais, estive em harmonia com minha companheira, meus familiares e amigos.

No cinema, não tive um ano dos mais movimentados, mas tampouco houve espaço para tédio. Mantive a média das últimas temporadas, tendo assistido a 357 filmes de longa-metragem durante o ano, ou seja, quase um por dia. Ainda não encontrei tempo nem disposição para as séries – e sei que posso estar perdendo muita coisa boa, mas ok, a gente não pode ter tudo.

Fiz um upgrade na formatação do blog, o que me deixou bastante satisfeito. No Facebook criei a página “Mabuse – Mil Olhos para o Cinema“, que reúne links de críticas de dezenas de colegas de todo o Brasil sobre os filmes em cartaz. Daqui a mais algumas horas você já poderá encontrar este post junto aos balanços do ano e listas de melhores de outros críticos.

Entre palestras, aulas livres e debates, destaco a série de masterclasses e videoconferências que fiz no SESC, a convite de Marco Fialho e Flávia Prosdocimi. Convidado por Kleber Mendonça Filho e Arthur Leite, lancei meu livro “Cinema de Fato – Anotações sobre Documentário” em duas cidades pernambucanas: Recife e Belo Jardim. Escrevi prefácios para o livro de Miguel Freire sobre Mario Carneiro e para um coletânea de críticas de Marcelo Janot, ambos a sair em 2018. Gravei depoimentos para um vídeo de Adriana Cursino sobre José Carlos Avellar, para um filme de André Mauro sobre Humberto Mauro e, juntamente a Bia Lessa e Eryk Rocha, entrevistas biográficas para um livro a ser editado por Flora Sussekind e Marília Martins. Participei dos júris do Prêmio Fenix de cinema iberoamericano e do X Janela Internacional de Cinema do Recife, e ainda de uma comissão de seleção de projetos da BB-DTVM.

Passo agora às minhas listas de filmes preferidos de 2017. Temo que elas destoem muito da média de “melhores do ano” dos meus colegas, mas seguramente refletem a minha apreciação estritamente pessoal, à margem de qualquer consideração de mercado, reputação ou mesmo de “gosto crítico”. São quatro listas, separadas entre ficcão e documentário, e entre os filmes lançados no circuito de cinemas e aqueles vistos em mostras, festivais e outras plataformas. O título de cada filme contém um link para meu respectivo comentário.

 

FILMES DE FICÇÃO DO CIRCUITO

Poesia sem Fim, de Alejandro Jodorovsky
O Cidadão Ilustre, de Mariano Cohn e Gastón Duprat
Gabriel e a Montanha, de Fellipe Barbosa
Além das Palavras, de Terence Davies
Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé
O Fantasma da Sicília, de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza
El Amparo, de Rober Calzadilla
O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
A Criadade Chan-wook Park
Fala Comigo, de Felipe Scholl

 

DOCUMENTÁRIOS DO CIRCUITO

Lumière! A Aventura Começa, de Thierry Frémaux
Jonas e o Circo sem Lona, de Paula Gomes
Martírio, de Vincent Carelli
Quem é Primavera das Neves, de Jorge Furtado
No Intenso Agora, de João Moreira Salles
Sinais de Cinza – A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade, de Henrique Dantas
Central, o Filme, de Tatiana Sager
Olhando para as Estrelas, de Alexandre Peralta
Xingu Cariri Caruaru Carioca, de Beth Formaggini
Galeria F, de Emilia Silveira

 

FILMES DE FICÇÃO FORA DO CIRCUITO

A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho
Unicórnio, de Eduardo Nunes
120 Batimentos por Minuto, de Robin Campillo
O Lagosta, de Yorgos Lanthimos
Christine, de Antonio Campos
A Festa, de Sally Potter
As Boas Maneiras, de Marco Dutra e Juliana Rojas
O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida
O Nascimento de uma Nação, de Nate Parker
Okja, de Bong Joon-ho

 

DOCUMENTÁRIOS FORA DO CIRCUITO

El Pacto de Adriana, de Lissette Orozco
Dawson City: Frozen Time, de Bill Morrison
Visages Villages, de Agnès Varda e JR
Amazona, de Clare Weiskopf
Last Men in Aleppo, de Firas Fayyad
The Workers Cup, de Adam Sobel
Small Talk, de Huang Hui-Chen
Politica, Manual de Instrucciones, de Fernando León de Aranoa
Escada para o Céu: A Arte de Cai Guo-Qiang, de Kevin MacDonald
La Libertad del Diablo, de Everardo González

8 comentários sobre “Meu 2017 e os filmes preferidos

  1. Carlinhos, seu 2017 foi bem produtivo. Parabéns!
    Guardo sua lista pra me guiar e ver o que ainda não vi, aliás, muita coisa.
    Um 2018 mais feliz pra todos nós.

  2. bem legais as listas! Permita-me dizer, em relação às divisões que praticamente todas as listas reproduzem, que acho ótimo que você NÃO separe filmes brasileiros de estrangeiros, mas não entendo e não acho razoável separar ficção de docs….

    • Entendo seu questionamento, Roberto. Eu faço essa separação porque assisto a muitos documentários, bem mais do que a média dos meus colegas. Então essa é uma forma de contemplar mais filmes que aprecio enormemente. Já pensei em tirar uma lista de 10 melhores-melhores a partir das duas listas, mas acho que ficaria excessivo.

      • Certo, Carlos, imaginei mesmo que fosse por aí… É que eu também assisto e aprecio muitos documentários – especialmente brasleiros – e , na verdade, acho ótimo que eles “roubem” posições privilegiadas de filmes ficcionais nas listas…

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