Quem procura, acha

ONDE QUER QUE VOCÊ ESTEJA

Ninguém sabe exatamente o que vai encontrar enquanto procura por um ente querido. Os personagens de ONDE QUER QUE VOCÊ ESTEJA demonstram isso de maneira engraçada e comovente. Eles são habitantes comuns de São Paulo que frequentam o estúdio de uma rádio para enviar mensagens a parentes desaparecidos.

Um homem clama seguidamente pela volta da mulher que o abandonou deixando o filho bebê. Um casal procura pelo filho de sete anos que sumiu há mais de um mês. Há quem esteja em busca da tia perdida e até quem tente localizar uma velha babá que não vê há 20 anos. De tanto se encontrarem no estúdio, eles acabam formando um ensaio de comunidade.

Débora Duboc e Leonardo Medeiros, em atuações particularmente tocantes, fazem pessoas atormentadas pelo desaparecimento de seus respectivos cônjuges. Sabrina Greve vive com graça kaurismäkiana uma funcionária de supermercado abalada por uma carência que vem de longe.

O casal Bel Bechara e Sandro Serpa criaram essa história num curta-metragem há 15 anos atrás. No longa, desenvolveram a situação com o acréscimo de outros personagens. Bel e Sandro são responsáveis por quase tudo: direção, roteiro, fotografia e montagem. Juntaram suas sensibilidades para perscrutar essa fenomenologia da procura. Numa estrutura multiplot com cruzamentos na rádio, os dramas individuais tomam rumos às vezes surpreendentes. Lá estão as esperanças do encontro, alimentadas por qualquer indício ou impressão passageira. E também a eventual capacidade das pessoas de se acostumarem com a ausência, criando substitutivos para o afeto perdido.

O filme é alternadamente divertido e enternecedor, com diálogos bem conduzidos, uma direção de atores muito eficaz e um trabalho de câmera sugestivo para os espaços exíguos em que quase tudo se passa. Note-se também a beleza dos “pillow shots” (como Ozu chamava seus planos “vazios” de separação entre blocos narrativos) e das tomadas em que objetos assumem protagonismo numa espécie de poética do cotidiano.

Algumas deficiências de captação de som, a falta de desenvolvimento de certos personagens secundários e o final um tanto aleatório não comprometem o encanto discreto e a perspicácia dramática que estão patentes na tela.

2 comentários sobre “Quem procura, acha

  1. Oi querido, tudo bem? Como foi o lançamento ontem? Quero muito comprar o livro. Estou muito curiosa para ver a expo… beijos!

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