Documentário corteja o senso comum dos cinéfilos

O QUE É CINEMA? no streaming

Jonas Mekas em “O Que é Cinema?”

A Belas Artes à la Carte, uma das melhores plataformas de streaming, lança a cada semana um pacote de filmes, novos e clássicos, ultimamente trazendo sempre um título nacional. Na semana passada, chegaram o estrepitoso Brazil – o Filme, de Terry Gilliam (1985), o delicioso O Tempo é uma Ilusão, de René Clair (1944), o insólito O Congresso Futurista, de Ari Folman (2013), e os documentários O Poeta de Sete Faces, de Paulo Thiago sobre Carlos Drummond de Andrade (2002), e O Que é Cinema? (What is Cinema?), de Chuck Workman (2013).

Este último, inédito no Brasil, tem o mesmo título da célebre coletânea de textos do crítico André Bazin. O livro é até citado no filme, mas isso não serve de senha para nenhum estudo teórico. Chuck Workman aborda o cinema por um viés tipicamente americano, qual seja o da “experiência” e da “magia”. Reúne pequenos fragmentos de muitas dezenas de filmes e de declarações de cineastas em busca de definições.

Seja em depoimentos diretos ou em cenas de arquivo, lá estão David Lynch, Costa-Gavras, Michael Moore, Robert Bresson, Abbas Kiarostami, Akira Kurosawa, Robert Altman, Sidney Lumet, Alfred Hitchcock, Chantal Akerman, Ken Jacobs, Rob Epstein, Kelly Reichardt, Yvonne Rainer… A abordagem inclui experimentais como Maya Deren e Jonas Mekas, este atuando como uma espécie de mestre de cerimônias que abre e encerra o filme, saudado por jovens cinéfilos.

Não deixa de ser curioso que as melhores definições do que é o cinema saiam da boca de um videomaker, Bill Viola, o maior deles. Um trecho de concretude especial traz Mike Leigh contando bastidores da filmagem de Segredos e Mentiras. Fala-se um pouco de feminismo e sexualização das mulheres, um pouco de documentários como dramas da vida real. Contudo, o que prevalece são reflexões um tanto genéricas e superficiais que cortejam o senso comum dos cinéfilos.

Talvez por isso mesmo, O Que é Cinema? pode agradar a quem curte uma rápida viagem por cenas memoráveis, de Griffith a Wes Anderson. Não importa se, como disse Fellini em frase incluída no filme, “ninguém que descreva, escreva ou fale sobre um filme dirá mais que o próprio cinema”.

 

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