Entre as cidades que visitei na Tunísia em 2024, Kairouan foi uma das mais interessantes. Situada no nordeste do país, não é grande como Túnis, nem turística como Sidi Bou Said, mas justamente por isso tem uma personalidade toda especial.
A começar por sua Medina, a parte central e mais antiga das cidades árabes. Ao contrário de outras medinas, dedicadas principalmente ao comércio como grandes bazares, na de Kairouan predominam as moradias. Assim, quando penetramos no seu dédalo de ruas, logo nos afastamos do ruído dos mercados e mergulhamos num grande bairro doméstico, onde adultos e crianças vivem suas rotinas em ritmo tranquilo. As casas pintadas em branco e azul seguem a preferência nacional tunisiana.
Uma casa em particular me chamou a atenção. Era a mansão de um bey, antigo líder otomano, construída no século XVIII e hoje transformada numa megastore de tapetes. São salões a perder a conta, cada um decorado com mais requinte que o outro, um verdadeiro palácio. Os tapetes de Kairouan são tão famosos que a cidade erigiu a eles um monumento em uma giratória.
A Grande Mesquita de Kairouan é uma das razões pelas quais a cidade é conhecida como a capital espiritual do Magreb. Fundada em 671, é um dos locais de culto mais antigos do mundo islâmico. Infelizmente, por não ser muçulmano não pude entrar na sala de orações principal, mas consegui filmá-la da porta de entrada, o suficiente para matar a curiosidade. O imenso pátio da mesquita já impressiona pela amplidão e a harmonia das formas nas edificações ao redor. Entre as colunatas do pátio capturei algumas belas imagens de fiéis em oração.
Outra construção impressionante é o chamado Mausoléu do Barbeiro, que guarda os restos mortais de Abu Zama’ al-Balawi, tido como amigo e barbeiro do profeta Maomé. A decoração em estuque e azulejos, somada ao constante chilreio de passarinhos, forma mais um ponto repousante numa cidade isenta de estresse. O Hotel Kasbah, onde me hospedei, era outro oásis de beleza e serenidade.




