Balcãs, aqui vou eu

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Os croatas inventaram a gravata, o paraquedas, o torpedo e a caneta esferográfica. Mas não é por nada disso que eu e Rosane embarcamos amanhã à tarde para a Croácia. Vamos atraídos por suas cidades mediterrâneas que bordejam o azul do Adriático, pelos famosos cafés de Zagreb, pelo charme urbanístico da velha Dubrovnik (foto acima) e por mais uns tantos atributos que há anos chamam nossa atenção. Bem antes de a Croácia entrar na moda e na União Europeia, e de todo mundo voar para lá.

Quando a Iugoslávia se dissolveu, em 1992, descobri fascinado que ali existiam seis nações frágeis, com uma longa história de conflitos entre si e dominação de todas pelos impérios romano, austro-húngaro e otomano, além da República de Veneza. Disso resultou uma exótica mistura cultural que se reflete na arquitetura, nas artes e na culinária.

Mais recentemente, fiz outra descoberta. As guerras entre sérvios, croatas e bósnios, na década de 1990, deixaram a impressão geral de que os sérvios eram os únicos carrascos, principalmente pelos feitos sangrentos na Guerra da Bósnia. Mas basta ler os antecedentes e os detalhes das conflagrações para verificar que genocídios e limpeza étnica estão também no currículo da Croácia, um país católico onde prevalecem as forças conservadoras.

Os ecos das guerras provavelmente não se farão ouvir hoje por turistas como eu, a não ser por eventuais marcas deixadas em prédios não restaurados ou memoriais. As hostilidades que ainda persistem entre sérvios e croatas, pelo que sei, ficam no nível de um cotidiano mais localizado e discreto.

Nossa viagem vai durar 22 dias. O roteiro foi organizado com a Kamauf Tours, uma simpática empresa de brasileiras e croatas sediada na capital, Zagreb. O percurso parte de Zagreb em direção a Dubrovnik, no sul,  passando pelo Parque Nacional Plitvice e cidades como Motovun, Rovinj, Pula, Zadar, Trogir e Split, ao longo da costa da Dalmácia, além da mítica ilha de Kórcula, onde se estabeleceu a primeira colônia grega da região. Algumas rápidas esticadas nos levarão a outros países da ex-Iugoslávia. Da Eslovênia vamos conhecer a capital, Liubliana, e o aprazível Lago Bled. Na Bósnia e Herzegóvina, visitaremos Sarajevo e Mostar, com destaque nesta última para a ponte destruída pelos sérvios e reerguida como símbolo da reconstrução do país (foto acima). De Montenegro vamos conhecer apenas a Baía de Kotor, no norte do país. No caminho de volta, uma parada em Amsterdã, que ninguém é de ferro.

O blog vai ficar paradinho aqui até o final de setembro, quando chego para mergulhar no Festival do Rio. Até lá postarei fotos e comentários no Facebook, na medida em que o wi-fi balcânico me permita.

Cliquem nas duas fotos para ver em tamanho maior (vale a pena). E desejem-me boa viagem.

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