MARTY SUPREME
É muito bom saber que Hollywood ainda pode realizar uma obra tão divertida, visceral e humana como Marty Supreme. Josh Safdie, diretor do prodigioso Joias Brutas, nos traz outra jornada vertiginosa de um perdedor cujo propósito obstinado – vencer um torneio mundial de pingue-pongue – só o leva a sucessivos fracassos.
Depois de arrasar como Bob Dylan, Timothée Chalamet tem outra atuação consagradora como Marty Mauser, personagem livremente inspirado em Marty Reisman, estrela excêntrica do tênis de mesa dos anos 1950. Vai ser bonita a disputa com Wagner Moura e Michael B. Jordan (de Pecadores) pelo Oscar de ator. Chalamet está elétrico e, mesmo assim, dá conta das mil sutilezas de seu personagem entre a lábia proverbial e as derrotas patéticas.
Marty trabalha como vendedor na sapataria do tio e namora Rachel (Odessa A’zion), uma mulher casada. Com sua insistência de menino pirracento, disposto sempre a humilhar-se para tirar algum proveito, consegue um affair com a diva do teatro vivida por Gwineth Paltrow – e, mais que isso, descola uma oportunidade com o marido dela, magnata das canetas-tinteiro. Os pequenos golpes de Marty são rocambolescos, incluindo fugas da polícia e uma tentativa de resgatar o cachorro perdido por um velho gangster, papel desempenhado com total propriedade por Abel Ferrara.
O roteiro, extremamente inventivo, cobre um arco perfeito dos nove meses da gestação de Rachel, começando com uma fertilização de óvulo que rima com a colonoscopia do início de Joias Brutas. Nesse ínterim, Marty vive sucessivas aventuras e desventuras no escopo de uma típica saga judaico-americana que envolve família, ambição e autoderrisão.
O ritmo veloz, mas não frenético, imprimido por Safdie aos diálogos e à mise-en-scène lembra o bate-bate do pingue-pongue. O esporte, por sua vez, ocupa tempo relativamente curto do filme, ampliando-se mais no último ato, durante uma competição fake no Japão. A performance dos jogadores, baseada em cuidadoso treinamento tático dos atores, foi beneficiada por bolinhas virtuais acrescidas na pós-produção.
Outro atrativo irresistível é o uso da música de Daniel Lopatin, e muito especialmente das canções dos anos 1950 e 1980, entre as quais Forever Young, Everybody Wants to Rule the World, I Have the Touch, The Fat Man e Don’t Let The Stars Get In Your Eyes. Tudo isso faz de Marty Supreme um filme tão estadunidense quanto as bolinhas de pingue-pongue gravadas com “Made in America”. O grande saque de Josh Safdie é ter levado esse cinema ao nível do que de melhor pode produzir como entretenimento de qualidade. O filme está indicado aos Oscars de melhor filme, ator, escolha de elenco, direção e fotografia.
>> Marty Supreme está nos cinemas.





Também folgo!!! Aliás quando li sua crítica corri para o cinema! NOSSA! Tenho que assistir uma segunda vez!!! Gosto muitíssimo do Hamnet antes de Hamlet! MUITÍSSIMO, eita que filme incrível… emocionante. E junto com o SINNER completa a tríade maravilhosa de 2026. Detesto filmes de Vampiros (em princípio!) mas nossa, que filme retumbante é o SINNER! Já o nosso querido Agente Secreto é uma nova onda! É muito brasileiro, muito engraçado, folclórico para eles. O Elenco extraordinário e o olhar carinhoso com o que o Kléber olha para ele, sem dúvida tem que ganhar (apesar do Sinner e o Hamnet serem incríveis tb.) Nosso GRANDE Wagner Moura foi quem pegou uma turma encorpada pela frente… Mas leva muito chance, pois ele está EXTRAORDINÁRIO. Seu carisma é fundamental para o filme. Acredito que o Agente ganha fácil Melhor Filme Internacional… Mas o Oscar final de produção… sei lá TOMARA, mas vai ser meio difícil pois ainda tem o batalha após batalha… afinal Thomas Paul Anderson concorre à altura com o Kléber não acha?
Grande abraço grande Carmattos!!!
HAMNET não me encanta, mas preciso rever SINNERS, que detestei com fervor. Acho bacana essa multidão de adolescentes (como você, hahaha) que adora o filme.
SINNER é um problema, é uma questão. Ele está sendo adorado pela superfície. Está em moda filme de terror/vampiros essas coisas que garotada adora.
Com raríssimas excessões gosto de filmes de Vampiros. Nem assisti o do Guilhermo Del Toro, em cartaz no netflix.
Mas SINNER é muito incrível pois é uma reversão de genero talvez a mais RADICAL da História da cinematografia. UM filme sobre negros sulistas, voltando de Chicago… para seu mundo natural… tudo dando certo na medida dos clichês possíveis. SÚBITO, mas põe súbito, um branco esquisito aparece na história (bate na porta dela…) e a muda radicalmente, virando primeiro um filme meio de terror mas depois um musical que só americano craque sabe fazer, mas sem interromper as narrativas do racismo sulista (a KKK) do folk, da irmandade preta, e daí adiante, dançando e cantando numa fotografia ESTUPENDA, no limite da escuridão!!!
Tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso! Só faltou a Gal Costa cantando. O mais incrível é o pós final quando o irmão do protagonista e a branquela comedora de preto…voltam à tela e revelam que o personagem interpretado por Michael B. Jordan (protagonista) deixou eles dois viverem apesar de terem se tornado vampiros. Uma gozação máxima. ADOREI o filme que se tornou de vampiros mexendo tanto na sua estrutura narrativa dramática. Raros filmes se aventuram…
Abraços Carlos!
QUE FILME!!! Tudo muito BOM. O caráter do personagem MARTY é maravilhosamente bem construído assim como a interpretação do antipático Timothée Chalement, memorável. Vai dar trabalho ao nosso querido Wagner Moura…
Saudoso abraço do Murilo, Carlos.
Folgo em saber que estamos de acordo, querido Murilo. Abração!