Coutinho conversa

Quando pesquisei a obra e os arquivos de Eduardo Coutinho para a curadoria da Ocupação e o meu livro Sete Faces de Eduardo Coutinho, pude reunir diversas observações até então não evidenciadas sobre o seu cinema de conversa. Agora, depois que a Ocupação Eduardo Coutinho passou por São Paulo, Rio e Poços de Caldas, editei o vídeo Coutinho Conversa com algumas das minhas apurações.

Uma delas, que chamei de “Os Fins e os Princípios”, são as cenas em que, geralmente no início de cada documentário, ele explicitava o dispositivo a ser utilizado: o local, o período da filmagem, o método, etc. Em “Potências da Fala”, coletei trechos em que os personagens se superam na expressividade, seja oral, seja dos gestos ou dos olhares.

“A Conversa em Crise” agrupa momentos em que Coutinho se vê posto à prova por circunstâncias da filmagem ou pela verve de seus interlocutores. São incidentes do acaso que sacodem a fluência da conversa e deixam patente a fragilidade da relação que se estabelece entre os dois lados da câmera.

Uma sequência está dedicada aos famosos “caderninhos” em que Coutinho fazia suas anotações na preparação de cada filme. E já estavam prenunciados com humor pelo ator Coutinho numa cena de Câncer, de Glauber Rocha.

Por fim, “O Lugar do Silêncio” traz aqueles instantes em que a ausência da palavra instaura outro regime em meio a tantas conversas. Ou o silêncio torna-se o assunto mesmo do diálogo.

A montadora Jordana Berg, estreita colaboradora do diretor, assistiu a Coutinho Conversa em primeira mão e comentou: “Você materializou, em forma de imagens e edição, o que todo mundo fala na teoria”.

Agradeço ao Itaú Cultural e ao Instituto Moreira Salles a oportunidade de mergulhar nesse material e compartilhá-lo neste vídeo.

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