Flores raras no Joia

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PARAÍSO AQUI VOU EU e VIDA SELVAGEM estão em exibição exclusivamente no Cine Joia de Copacabana

A simpática comédia romântica PARAÍSO, AQUI VOU EU, de Cavi Borges e Walter Daguerre, escrita pelo segundo, está em cartaz em sessão única diária (às 19:25) no Joia de Copacabana. Em chave de personagem woodyalleniano – com direito a citação direta -, Guilherme Piva faz um ex-líder estudantil desencantado, separado da mulher (Solange Badim) e insatisfeito com a função de editor de um jornalzinho de bairro. Os papos com um amigo surfista (Álamo Facó) o deixam indeciso entre sair à caça amorosa na noite carioca ou largar tudo e ir surfar na Austrália. O surgimento de uma nova namorada (Natalia Garcez) vai colocá-lo em rota de colisão com outro pedaço de sua vida.

Em pauta, o adeus à juventude e às aspirações do passado para enfrentar os dilemas da maturidade. E ainda a busca de diversidade no amor quando as fórmulas convencionais parecem se esgotar. Tudo isso é exposto em diálogos velozes, alguns bastante engraçados, sobretudo quando está em cena o surfista imaginário, um guru sem camisa e sem horário certo para aparecer. O roteiro joga divertidamente com os tempos da narrativa e com os ensinamentos da “filosofia jedi”. Eis aqui um filme de espírito carioca e produção modesta que não faz desses adjetivos uma desculpa para a indigência criativa.



VIDA SELVAGEM, em cartaz no Cine Joia, retrata uma família dividida entre a vida alternativa e a sociedade de consumo. A princípio, o casal (Mathieu Kassovitz e Céline Sallette, ótimos) compartilhava os mesmos ideais de viver como nômades em trailers e educar os filhos longe das escolas e das cidades, em contato íntimo com a natureza. Mas um dia a mãe se cansa desse estilo de vida e resolve levar as crianças para uma casa normal, mesmo contra a vontade delas. O pai, inconformado, rouba os dois filhos naturais seus e os três passam a viver como fugitivos da polícia em acampamentos e comunidades, em meio a uma rede de mochileiros e estradeiros.

Cédric Kahn constrói inicialmente uma visão idílica da tal vida selvagem, com muitas cenas campestres filmadas na hora mágica, contraluzes, etc. Mas aos poucos a realidade vai ingressar nesse cenário e, através de novas demandas dos filhos já crescidos, deixar claro o caráter utópico da mitologia de bem-estar indígena cultivada pelo pai. Bem conduzido especialmente na sua segunda metade, apesar de algumas ocorrências mal explicadas, o filme tem a marca seca e realista dos Irmãos Dardenne, que atuaram como coprodutores. Baseia-se em história verídica, narrada em livro pelos filhos. Um ano antes de VIDA SELVAGEM, o mesmo caso foi contado no filme “La Belle Vie”, de Jean Denizot.

 

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