REcine celebra os arquivos e reflete o cinema

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“A fotografia no cinema brasileiro está acima do nível do cinema mundial”. Barretão não faz por menos na entrevista que deu a Betse de Paula para o curta Luiz Carlos Barreto, o Revolucionário. O filme abre hoje (terça) à noite, na Cinemateca do MAM, o REcine 2016 –  Festival Internacional de Cinema de Arquivo. Uma homenagem a Luiz Carlos e Lucy Barreto dá a partida na 15ª edição do evento, cujo tema é “O REcine vê o cinema”.

O curta de Betse traz um Barretão à vontade nos seus 88 anos, com a verve de sempre para contar suas histórias e exagerar como na frase acima. Ele é apresentado como “patrono da fotografia no cinema brasileiro”, por conta de suas ousadias em Vidas Secas e Terra em Transe, dissecadas na entrevista. O filme cobre suas realizações como fotógrafo e diretor (Isto é Pelé), além de produtor dos filmes da família, mas deixa de fora sua grande história na produção de obras de Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Cacá Diegues e Walter Lima Jr., entre muitos outros. Pode ser compreensível, uma vez que a biografia de Luiz Carlos exigiria, mais que um curta, um longa ou mesmo uma série de TV. Logo, a escolha de Betse pode ser vista como um recorte.

Por conta do tema reflexivo, a mostra informativa do REcine vai incluir filmes míticos como Ladrões de Cinema, Meteorango Kid – Herói Intergalático, Soy Cuba – O Mamute Siberiano, Cantando na Chuva, Crepúsculo dos Deuses, A Noite Americana e Oito e Meio de Fellini, este na versão restaurada.

Já a mostra competitiva, com filmes em que predomina a utilização de arquivos fílmicos, vai oferecer nova chance para alguns filmes ainda inéditos no circuito comercial, mas que já provaram sua qualidade em outros festivais. É o caso de Crônica da Demolição, de Eduardo Ades, As Incríveis Artimanhas da Nuvem Cigana, de Paola Vieira e Cláudio Lobato, Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michilles, Cacaso na Corda Bamba, de José Joaquim Salles e PH Souza, e Abissal, de Arthur Leite. Além desses, muitos longas e curtas farão sua estreia no REcine.

O já tradicional evento, iniciado no Arquivo Nacional e desde o ano passado incorporado ao calendário do MAM e do Estação, tem um caráter único, bem definido por Hernani Heffner: “O REcine distinguiu-se desde o início por tratar o passado não de forma aurática e cerimoniosa, mas por ver nele também a fonte inesgotável de novas formas, relações, interpretações a partir do chamado ‘material de arquivo’, isto é, a partir de trechos, segmentos, planos e imagens e sons que pudessem ser reutilizados como matéria-prima de novas criações, em um movimento paralelo à formalização de um novo campo, o chamado ‘cinema de arquivo’ e sobretudo de uma nova etapa da criação cinematográfica”.

A programação de 2016 inclui ainda uma mostra de filmes baseados em obras de Nelson Rodrigues, em paralelo ao Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa. Outro programa reúne os curtas realizados durante a oficina REcine/ESPM, ministrada este ano por Vicente Ferraz. O festival acontece até 5 de outubro na Cinemateca do MAM, no Estação Net Rio e no Cine Arte UFF (Niterói). Para garantir atrações também na seara gastronômica, a área externa do MAM vai abrigar a primeira edição da Cine Arte Gourmet. Confiram a programação completa no site do REcine.