Meus melhores de 2011

A pesquisadora e ensaísta Ilana Feldman lançou no Facebook a hipótese de que listas de melhores são uma diversão de homens. Ela escreveu: “Numa boa: elencar afetos é uma atividade tipicamente masculina. Um dia alguém precisa escrever a história da “cinefilia” feminina. Não haverá, pois que não há listas. (Só para feira, mercado, afazeres da vida e do lar). Que assim seja.”

Tenho minhas dúvidas. O próprio Facebook está cheio de moças com suas listinhas de melhores do ano. Mesmo que não saiam alardeando espontaneamente suas escolhas, críticas de cinema como Susana Schild, Roni Filgueiras e outras vinculadas a jornais e internet as publicam quando solicitadas. De uma maneira geral, homens são mais afeitos a coleções. Mas não às de livros. Nas bibliotecas, pelo menos, a presença de profissionais femininas é mais frequente.

Bem, ventilada a questão, vamos ao que interessa. Como anoto numa tabela do computador todos os longas-metragens (mais de 60 minutos) a que assisto, pude contar 274 filmes vistos em 2011, entre lançamentos comerciais, mostras, festivais, DVDs e internet. Aí vão as minhas listas de melhores. Afinal, esse aqui é um blog espada.

Melhores lançamentos em sala

  • Melancolia (resenha)
  • Não me Abandone Jamais
  • Margin Call (resenha)
  • Incêndios
  • Diário de uma Busca (resenha)
  • O Vencedor
  • Transeunte
  • Tio Boonmee, que Pode Recordar Vidas Passadas (resenha)
  • O Garoto da Bicicleta
  • Morro do Céu (resenha)

 

Melhores de mostras e festivais

  1. A Separação (Festival do Rio) (resenha)
  2. Sudoeste (Festival do Rio) (resenha)
  3. Chico & Rita (Anima Mundi)
  4. Morrer como um Homem (Cineport) (resenha)
  5. 48 (Cineport) (resenha)
  6. O Cavalo de Turim (Festival do Rio) (resenha)
  7. Tablóide (Festival do Rio) (resenha)
  8. Os Últimos Cangaceiros (Festival do Rio)
  9. Uma Longa Viagem (Festival do Rio)
  10. Girimunho (Festival do Rio)

 

Melhores vistos em DVD e outros suportes

  1. Pina
  2. Exit Through the Gift Shop (resenha)
  3. A Film Unfinished

 

E agora alguns ícones que marcaram o meu ano cinematográfico:

Cavalos – O de Turim, os de Goethe (Arthur Omar) e os desenhados na Caverna dos Sonhos Esquecidos. Três belos filmes marcados pela presença do mais belo dos animais.

Grafite – Entre os desenhos do Cro-Magnon na Caverna dos Sonhos Esquecidos e os de Banksy em Exit Through the Gift Shop, um salto de 30.000 anos e a mesma fascinação pela arte gravada nas paredes.    

Vitrine – A Sessão Vitrine surgiu para dar um mínimo de visibilidade extra-festivais a filmes arriscados e inventivos do jovem cinema brasileiro. Ganhou o destaque de “evento do ano” da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro.

Novíssimos – Frequentando a Mostra de Tiradentes, correndo atrás dos filmes, lendo o livro Cinema de Garagem e participando de um debate que se estendeu ao jornal e à internet, acho que pude sentir o pulso de uma geração empenhada em fazer-se presente à sua maneira no cinema brasileiro.

Minas  – Quantas Gerais cabem em filmes tão diferentes quanto O Céu sobre os Ombros, Girimunho, O Mineiro e o Queijo e Estrada Real da Cachaça? Um ano mineiro, sem dúvida.

Faróis – A segunda Mostra Faróis do Cinema trouxe alegrias e ótimas conversas sobre cinema aos que a frequentaram. Obrigado a Mariana Bezerra e Marcelo Laffitte.

Águas – Minha paródia de Águas de Março aplicada ao cinema brasileiro foi muito apreciada pelos amigos. Houve quem sugerisse gravá-la. E também quem reclamasse por não ter sido citado.

Deus – Esteve na berlinda em função dos filmes A Árvore da Vida Melancolia. Materialismo desencantado e espiritualismo consolador estiveram por trás da maior celeuma cinéfila do ano.

Dahl – O ano em que eu mais me aproximei de Gustavo Dahl, via Filme Cultura, foi também o ano em que o perdemos. Um estado de orfandade no cinema brasileiro.

8 comentários sobre “Meus melhores de 2011

  1. Carlinhos, que jeito delícia de começar 2012. Tem muita coisa boa na sua lista, que ainda não consegui ver, fiquei aqui com água na boca. Um 2012 maravilhoso pra você, com muita inspiração, filmes e amigos. Beijo saudoso.

      • hahaha! Sim, lanterninha pra iluminar os rastros. O que já não é pouco. Hoje, no cinema, luz que eu vejo demais é dos celulares ligados no meio da sessão.

  2. Você é um queridão, viu? Obrigada pelas listas, pela dedicação, pela parceria. Novos ares para 2012, que as mudanças sejam sempre para melhor! Como dizia nosso amigo Dahl, parafraseando o mestre dele, ‘tudo o que acontece é bom’. Beijos.

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