QUANDO A LUZ ARREBENTA

Na avalanche de filmes sobre luto que tem aparecido ultimamente, esse pequeno drama islandês é uma variante relativamente original. Trata-se de uma dor que não pode ser externada.
No decurso de um longo dia de verão em Reykjavik, de um pôr do sol a outro, Una (Elín Hall) passa por experiências contraditórias. Diddi, o rapaz que ela namorava escondido, morre num acidente, e ela precisa abafar o sofrimento diante dos amigos e principalmente da namorada oficial do morto, com quem ele fazia o “casal perfeito” aos olhos de todos.
Una e Diddi eram colegas numa universidade de artes, cujas performances dos alunos são para lá de ridículas. Essas cenas, somadas às pessoas que cruzam o caminho de Una vestindo fantasias bizarras, procuram criar um contraste com a angústia da menina. Muito do filme se baseia nos contrastes, nas variações de humor do pequeno grupo entre a dor pela perda do amigo e o escape proporcionado pela cerveja e a música.
O diretor Rúnar Rúnarsson adota um ritmo distendido que acentua as expectativas tensas de Una. A duração e o silêncio de muitas cenas adensam a atmosfera e nos fazem imergir na psique da personagem. Quando a Luz Arrebenta (Ljósbrot, que significa refração da luz) é um pequeno filme de câmara, simples na superfície, mas que logra ser intenso sem qualquer estardalhaço.
Afora uma sequência de catarse emocional, tudo o mais é contenção e delicadeza. Inclusive com a aproximação do segundo pôr do sol, quando Una encontra uma forma surpreendente de canalizar seu pesar e talvez plantar a semente de um novo amor.
>> Quando a Luz Arrebenta está nos cinemas.



