Cinco mulheres de Clarice
Os cinco curtas reunidos em RIO DE CLARICE tratam de dilemas da alma feminina e, de alguma forma, mostram mulheres que descobrem ou descobriram algo importante em suas vidas.
Os cinco curtas reunidos em RIO DE CLARICE tratam de dilemas da alma feminina e, de alguma forma, mostram mulheres que descobrem ou descobriram algo importante em suas vidas.
Frederico Machado lança a Revista Lume e é homenageado no Maranhão com a exibição do inédito TERRA DEVASTADA. Com um pé no western e outro no drama de uma família disfuncional, esse filme soma mais um tijolo ao cinema denso e introspectivo do autor.
Meu motor estava em bom estado e podia render boas corridas em velocidade razoável. Mas o Diego Zon não queria velocidade. Queria que MARGEADO fosse um slow film.
Opinião de motocicleta numa crítica-ficção.
Mais um exercício de crítica-ficção. Na minha breve estada na cidade imaginária de FUTURO FUTURO, encontrei qualidades bem-vindas e falhas contumazes. Mas há um mérito inegável na incorporação da IA à dramaturgia, ainda que de maneira críptica e pouco orgânica.
Tenho a impressão de que Brasília nunca foi representada com tanta veracidade emocional como em PEQUENAS CRIATURAS, uma crônica que evolui da insatisfação e da tristeza para o consolo, e vai desembocar no maravilhoso. Leiam também uma nota sobre O CONVITE.
A Odisseia de Homero já teve diversas versões no cinema. Neste artigo, Márcia Mendonça comenta uma das mais livres e inusitadas: O OLHAR DE ULISSES, do grego Theo Angelopoulos.
A atuação de Adèle Exarchopoulos e a combinação de amargura e tragicidade com o humor fazem de O ACIDENTE DO PIANO algo mais que uma curiosidade excêntrica. Seguem também duas notas curtas sobre A ODISSEIA e BACKROOMS – UM NÃO-LUGAR.
Inspirado em um massacre real no Curdistão turco, SALVAÇÃO faz um exame entomológico da gênese de um genocídio étnico.
NÓS ACREDITAMOS EM VOCÊS é um condensado de reações mudas e testemunhos frementes capazes de nos sintonizarem perfeitamente com uma audiência de contenda familiar.
Agnieszka Holland surpreende em FRANZ por não ter feito um filme com o clichê de kafkiano, mas sim com o fairplay de uma atleta cinematográfica.
UMA INFÂNCIA ALEMÃ conta a formação moral de um garoto que só apreende a realidade em fragmentos dolorosos. Um filme curioso, mas frio.
Presente inesperado vindo do Líbano, UM TRISTE E BELO MUNDO é uma bonita dramédia romântica que aposta mais na esperança que na dor.
Tesouros do cinema iraniano, os tempos modernos de Chaplin e uma curiosidade do cinema gaúcho.
Por mais esfíngico que possa parecer a quem não decifrar todos os signos psicanalíticos, AS CORRENTES tem atrativos suficientes para imantar nossa atenção e interesse. É mais um exemplo do cinema sólido e intrigante que os argentinos são capazes de realizar.
CINCO DA TARDE põe em cena um encontro de sutilezas com cintilações de beleza, bem ao estilo do diretor Eduardo Nunes.
Se retirássemos as cores, as falas e os falsos planos-sequência que dão fluência à ação, 8 DÉCADAS DE AMOR seria um dramalhão da época do cinema mudo, quando as plateias só queriam mesmo ver as coisas acontecerem, sem um olhar mais crítico para o óbvio e o improvável.
DIA D é um misto de filme de ação, ficção hipertecnológica, história de super-heróis e vidências espíritas. A meu ver, um dos caminhos mais tolos que Spielberg já trilhou.
As intenções de CRIADAS são tão boas quanto a fotografia de Julia Zakia. Mas o desenvolvimento das ideias sobre colorismo e privilégios é confuso e sombrio.
Na tradição de jovens desajustados no cinema, ENZO faz uma modesta contribuição. Não é muito mais que um rascunho dramático sobre a infelicidade juvenil.
De alguma forma, as mulheres de DOLORES vivenciam temas candentes da atualidade brasileira, mas o filme também tem problemas.
O BOLO DO PRESIDENTE se filia a uma estirpe de dramas dickensianos modernos como “Pixote” e “Salaam Bombay”. Menos amargo que esses, mas ainda assim expressivo de infâncias submetidas a uma realidade tirânica.
Almodóvar está consciente de que, à exceção de “Mães Paralelas”, não acerta no alvo há pelo menos dez anos. A tentativa de transformar essa consciência em NATAL AMARGO redunda em pura autocomplacência.
É interessante ver um filme como CHOPIN – UMA SONATA EM PARIS, que, embora ambientado em sua maior parte na capital francesa, onde Chopin nadou de braçadas, resgata suas origens com uma produção inteiramente polonesa.
Notas sobre os filmes DIAMANTES e ERUPCJA
O Fanon de FANON parece mais um conceito do que um homem de carne e osso. Mesmo assim, o filme tem valor para quem quiser ser iniciado no pensamento do filósofo anticolonialista a partir de seu trabalho na psiquiatria.
SURDA é um drama realista sobre o desencontro entre os mundos dos deficientes auditivos e dos ouvintes. Um desencontro que se acentua após a maternidade.
Três artistas de circo são inspiradoras e coautoras do belíssimo MAMBEMBE, objeto fílmico único, gestado a partir de um fracasso para desmentir o destino.
Em EU NÃO TE OUÇO, Caco Ciocler eleva um fait-divers da crônica política recente ao nível de um fascinante estudo de personagens. Com Marcio Vito numa performance dupla magistral.
ERA UMA VEZ MINHA MÃE é um filme que não tem vergonha de ser o que é: longo, cheio de clichês sobre as indefectíveis resiliência e superação, codificado ao extremo, superficial e feito para emocionar a família. Ainda bem que o melodrama vem recheado com ótimas pepitas de humor.
Para um filme sobre doença grave, NINO DE SEXTA A SEGUNDA é surpreendentemente cool e até divertido em alguns momentos.