Uma mulher na terra dos homens

Frederico Machado lança a Revista Lume e é homenageado no Maranhão com a exibição do inédito TERRA DEVASTADA. Com um pé no western e outro no drama de uma família disfuncional, esse filme soma mais um tijolo ao cinema denso e introspectivo do autor.

Órfãos do rio

Meu motor estava em bom estado e podia render boas corridas em velocidade razoável. Mas o Diego Zon não queria velocidade. Queria que MARGEADO fosse um slow film.
Opinião de motocicleta numa crítica-ficção.

O passageiro da distopia

Mais um exercício de crítica-ficção. Na minha breve estada na cidade imaginária de FUTURO FUTURO, encontrei qualidades bem-vindas e falhas contumazes. Mas há um mérito inegável na incorporação da IA à dramaturgia, ainda que de maneira críptica e pouco orgânica.

Perdidos na cidade futurista

Tenho a impressão de que Brasília nunca foi representada com tanta veracidade emocional como em PEQUENAS CRIATURAS, uma crônica que evolui da insatisfação e da tristeza para o consolo, e vai desembocar no maravilhoso. Leiam também uma nota sobre O CONVITE.

Odisseia contemporânea

A Odisseia de Homero já teve diversas versões no cinema. Neste artigo, Márcia Mendonça comenta uma das mais livres e inusitadas: O OLHAR DE ULISSES, do grego Theo Angelopoulos.

Consciência exposta de uma geração

A atuação de Adèle Exarchopoulos e a combinação de amargura e tragicidade com o humor fazem de O ACIDENTE DO PIANO algo mais que uma curiosidade excêntrica. Seguem também duas notas curtas sobre A ODISSEIA e BACKROOMS – UM NÃO-LUGAR.

Um frio aprendizado

UMA INFÂNCIA ALEMÃ conta a formação moral de um garoto que só apreende a realidade em fragmentos dolorosos. Um filme curioso, mas frio.

Labirinto psicanalítico

Por mais esfíngico que possa parecer a quem não decifrar todos os signos psicanalíticos, AS CORRENTES tem atrativos suficientes para imantar nossa atenção e interesse. É mais um exemplo do cinema sólido e intrigante que os argentinos são capazes de realizar.

Duas Espanhas em um novelão

Se retirássemos as cores, as falas e os falsos planos-sequência que dão fluência à ação, 8 DÉCADAS DE AMOR seria um dramalhão da época do cinema mudo, quando as plateias só queriam mesmo ver as coisas acontecerem, sem um olhar mais crítico para o óbvio e o improvável.

E.T. para supostos adultos

DIA D é um misto de filme de ação, ficção hipertecnológica, história de super-heróis e vidências espíritas. A meu ver, um dos caminhos mais tolos que Spielberg já trilhou.

Mudar de vida

De alguma forma, as mulheres de DOLORES vivenciam temas candentes da atualidade brasileira, mas o filme também tem problemas.

Happy birthday, Saddam

O BOLO DO PRESIDENTE se filia a uma estirpe de dramas dickensianos modernos como “Pixote” e “Salaam Bombay”. Menos amargo que esses, mas ainda assim expressivo de infâncias submetidas a uma realidade tirânica.

As sete vidas de Chopin

É interessante ver um filme como CHOPIN – UMA SONATA EM PARIS, que, embora ambientado em sua maior parte na capital francesa, onde Chopin nadou de braçadas, resgata suas origens com uma produção inteiramente polonesa.

Um estranho no ninho

O Fanon de FANON parece mais um conceito do que um homem de carne e osso. Mesmo assim, o filme tem valor para quem quiser ser iniciado no pensamento do filósofo anticolonialista a partir de seu trabalho na psiquiatria.

Entre dois mundos

SURDA é um drama realista sobre o desencontro entre os mundos dos deficientes auditivos e dos ouvintes. Um desencontro que se acentua após a maternidade.

O Brasil é um caminhão

Em EU NÃO TE OUÇO, Caco Ciocler eleva um fait-divers da crônica política recente ao nível de um fascinante estudo de personagens. Com Marcio Vito numa performance dupla magistral.

Milagres de uma mãe judia

ERA UMA VEZ MINHA MÃE é um filme que não tem vergonha de ser o que é: longo, cheio de clichês sobre as indefectíveis resiliência e superação, codificado ao extremo, superficial e feito para emocionar a família. Ainda bem que o melodrama vem recheado com ótimas pepitas de humor.