MOTHER’S BABY
Mais um filme sobre maternidade complexa a chegar no circuito. A gravidez da maestrina Julia (Marie Leuenberger) parte de uma estranha consulta a um especialista em fertilidade numa clínica particular. E prossegue até um parto difícil e o súbito recolhimento do bebê recém-nascido a uma UTI. O que se segue pode parecer, a princípio, uma simples depressão pós-parto, mas não cessa de evoluir para algo cada vez mais inquietante.
A diretora e corroteirista austríaca Johanna Moder afirma que Mother’s Baby não é um filme de terror, mas uma história de terror. Fica logo claro, porém, que ela usa a gramática do gênero para subverter o realismo do drama. O aspecto suspeitoso da clínica e do comportamento do staff é colocado desde o início. O incômodo de Julia se baseia numa desconfiança crescente em relação ao bebê, que acha pequeno demais e quieto demais.
Causa estranheza o fato de os pais não procurarem uma segunda opinião pediátrica, nem Julia aceitar a sugestão de um teste de DNA. Nisso o filme quebra a verossimilhança em troca de levar sua proposta excêntrica até o fim. Sem o apoio do marido, que a julga insana, Julia se vê num círculo sinistro que caminha para o simplesmente macabro.
Embora o título venha do provérbio “mother’s baby, father’s maybe”, é impossível não relembrar Rosemary’s Baby. Não há nada sobrenatural por aqui, mas sim uma hipótese científica bizarra que, afinal, não fica muito clara. Mother’s Baby é o tipo de filme que se desfaz quando analisado em retrospecto, mas causa um bom desassossego enquanto está rolando na tela.
>> Mother’s Baby está nos cinemas.




