ANDY WARHOL – UM SONHO AMERICANO
A exposição Andy Warhol: PopArt!, em cartaz em São Paulo, certamente ocasionou o lançamento desse documentário que reconta vida e obra do artista. É uma excelente introdução, didática sem ser aborrecida e penetrante sem ser emaranhada.
O diretor eslovaco Lubomir Slivka puxou a brasa para sua sardinha ao enfatizar as origens humildes dos Warhola numa aldeia da Elováquia. De pai operário, mãe dona de casa e irmãos de vida comum, Andy foi o único da família a despontar para a celebridade. Termo, aliás, que ele explorou como poucos, não só tornando-se uma ele próprio, mas fabricando outras ao conceder-lhes o seu toque de Midas.
Andy Warhol – Um Sonho Americano (Andy Warhol, Americký Sen) cobre do berço ao túmulo. Dois sobrinhos e um amigo de infância ajudam a relembrar seus verdes anos, quando desenhava os clientes a quem vendia frutas na pequena Miková até o dia em que quebrou a mão e teve que dar-lhe férias. Depois de exportar-se para Pittsburgh (EUA), o primeiro escândalo veio com um autorretrato escarafunchando o nariz. Muitos torceram o nariz, mas a reputação do artista de choque já começava a ser criada.
Slivka visita casas onde Andy morou em Nova York e evoca os tempos criativos e loucos da Factory. Mais interessante ainda, recupera a influência da iconografia religiosa eslava sobre os portraits de celebridades de Warhol e estabelece conexões frutíferas entre fatos da infância e a obra futura. As flores de lata que a mãe criava para vender, por exemplo, iriam ecoar no interesse do filho por dar status de arte a produtos enlatados.
“Tempo é o melhor roteiro”, disse Warhol a respeito dos seus filmes de longuíssima metragem em que nada de importante parecia acontecer. Na sua vida, o tempo produziu mudanças incríveis – do pequeno aldeão eslovaco ao gênio da arte pop e depois ao editor profissional (revista Interview) que se seguiu ao tiro de Valerie Solanas em seu abdômem. Com poucas intervenções do próprio, esse documentário traça um perfil talvez bem comportado demais para a vibe de Andy, mas ainda assim esclarecedor e elegantemente realizado.
>> Andy Warhol – Um Sonho Americano está nos cinemas.
