Do romântico ao moribundo

A PIOR PESSOA DO MUNDO concorre ao Oscar de filme internacional, mas ainda não está disponível no streaming brasileiro.

Achei um exagero esse filme norueguês chegar à indicação para o Oscar. As alegrias e atribulações de Julie começam de maneira leve como comédia romântica que poderia ser um Woody Allen nórdico, As primeiras sequências mostram uma garota que não sabe o que quer – e assim vai ser até o final, supostamente quatro anos depois. Ela conhece o quadrinista Aksel, eles passam a morar juntos e parecem felizes até que ela invade uma festa e se aproxima de Eivind num jogo de sedução bem engraçado.

Daí em diante são as inconstâncias de Julie que vão determinar o rumo das coisas. Mas, curiosamente, o título do filme está ligado não a ela, mas a Eivind, que se considera A Pior Pessoa do Mundo (Verdens verste menneske) por trair a namorada para ficar com Julie.

A partir de certa reviravolta, o filme se torna grave, moribundo, fazendo Julie sopesar suas decisões e chorar um bocado. Essa mudança de tom na meia hora final é surpreendente, chegando como um senha para um possível amadurecimento da personagem.

O filme opera nos limites de dois gêneros, sem apresentar novidades a não ser as pontuais. Por exemplo, a sequência em que o tempo parece parar (e tudo nas ruas se congela) enquanto Julie corre de Aksel para Eivind. Em outra, ela ingere cogumelos e tem uma trip em que vários personagens de sua vida aparecem em cenários distorcidos.

Uma qualidade excepcional é a interpretação dos atores, especialmente de Renate Reinsve (Julie) e Anders Danielsen Lie (Aksel). Há uma narração ocasional de voz feminina totalmente desnecessária e redundante. Várias canções dão o toque moderninho habitual, sendo que a última é a versão de Águas de Março em inglês por Art Garfunkel.

>> A Pior Pessoa do Mundo ainda não está disponível no Brasil.

Leia sobre outros indicados ao Oscar de filme internacional: A Mão de Deus / Drive My Car / Fuga

Um comentário sobre “Do romântico ao moribundo

  1. Pingback: Oscars: o que escrevi sobre os indicados | carmattos

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