(DES)CONTROLE
Ao ouvir do marido (Caco Ciocler) o convite para passar uma semana relaxando em Fernando de Noronha, Kátia Klein (Carolina Dieckmmann) se desespera. Aquilo é demais para uma mulher estressada como ela, arrastada pelos compromissos de terminar um de seus livros infantojuvenis em série, cuidar dos dois filhos, preparar o Bar Mitzvah do mais novo e fugir da bebida depois de 15 anos de abstinência. Mas como então ela foi parar desacordada no alto de uma fonte urbana na cena de abertura do filme?
(Des)Controle vai contar essa história sem disfarçar que pretende apenas entreter, embora trate do alcoolismo e suas disfunções. Carolina Dieckmmann tem uma performance notável, especialmente nas cenas mais dramáticas, como essa mãe de família judaica que esconde garrafas pela casa e perde seguidas batalhas contra o vício. Daniel Filho e Irene Ravache, como os pais dela, roubam as cenas de que participam.
Dirigido a quatro mãos por Rosane Svartman e Carol Minêm, a comédia dramática explora a sobrecarga de afazeres e informações da vida contemporânea num Rio de Janeiro com cara de Globofilmes. Os celulares, claro, ocupam lugar protagônico, seja com as típicas mensagens saltando para a tela ou as interações entre a Kátia sóbria e seu duplo perverso. A bipartição da personalidade é um mote clássico, que (Des)Controle explora com alguma graça.
Em contraponto ao burnout da escritora, que leva à separação conjugal e à deriva por baladas e amantes ocasionais, todos ao seu redor são compreensivos e interessados em ajudá-la. Assim o filme procura fazer o elogio da família e da solidariedade em ambiente fortemente caracterizado como judaico.
A fotografia de Mauro Pinheiro Jr. e a montagem de Marcelo Moraes, dois craques, imprimem o ritmo acelerado que distingue uma certa noção de comédia. E o desfile de brincos nas orelhas das atrizes indica que a equipe de figurinistas não brincou em serviço.
>> (Des)Controle está nos cinemas.




