O marimbondo na xícara de café
Difícil saber até onde vai o cumprimento da encomenda e até onde chega a intenção de Guilherme de Almeida Prado de sabotar um projeto tão estapafúrdio como A PALAVRA.
Difícil saber até onde vai o cumprimento da encomenda e até onde chega a intenção de Guilherme de Almeida Prado de sabotar um projeto tão estapafúrdio como A PALAVRA.
Tratando de autismo, UMA MULHER DIFERENTE não tem o diferencial que o eleve acima da média em termos de cinema, mas toca em questões delicadas da vida social em tempos de inclusão .
A principal força e razão de ser de A VOZ DE HIND RAJAB está já no seu título. É o uso da voz real da menina de seis anos que pereceu sob tiros de soldados israelenses num posto de gasolina de Gaza.
Em LA GRAZIA, Toni Servillo é a encarnação perfeita desse homem austero e frágil, impávido até a medula, dividido entre suas convicções e os apelos de uma sociedade que quer se mover no tempo.
Em EU NÃO TE OUÇO, Caco Ciocler eleva um fait-divers da crônica política recente ao nível de um fascinante estudo de personagens.
Flavia Castro inspira-se em experiências da infância em AS VITRINES e Cristiana Grumbach resgata um sarau com Eduardo Coutinho e amizades no curta HABITAR O TEMPO.
O didatismo de MALÊS acaba sendo útil para a segunda metade, quando o filme ganha tônus e os desdobramentos da trama se tornam mais palpitantes.
Spike Lee não poderia prescindir de Denzel Washington em LUTA DE CLASSES. A interpretação meio maneirista do ator dá vida a um personagem cheio de arestas imprevisíveis e que acaba compensando as fragilidades do projeto.
UMA BATALHA APÓS A OUTRA é um filme dinâmico, dirigido e atuado com garra e certa graça, mas não creio que esteja no nível dos melhores filmes de Paul Thomas Anderson.
Muito embora não traga grandes novidades na abordagem cinematográfica da perda de memória no envelhecimento, TOQUE FAMILIAR escava um pequeno lugar próprio no tratamento do assunto.
A atuação intensa e multifacetada de Denise Fraga é incapaz de redimir SONHAR COM LEÕES, uma tragicomédia que tenta ser atrevida no manejo do tema da eutanásia, mas resulta mais tolinha que trágica ou engraçada.
O poder sugestivo das imagens de O ÚLTIMO AZUL não chegou a me convencer quanto à plausibilidade da aventura de Teresa, mesmo considerando os aportes de um realismo fantástico de baixo impacto.
O ÚLTIMO MOICANO conta uma história de violência e fuga no contexto de um ecossistema ameaçado.
Sessão Mutual Films leva um Sternberg raro e a pop art de Keiichi Tanaami ao IMS paulista.
O maior problema de A LUZ não é exatamente o absurdo de seu argumento, que bem poderia ser resolvido como comédia. Levado a sério, porém, fica próximo do ridículo.
Bem narrado e interpretado, PACTO DA VIOLA arrisca-se a parecer um filme anacrônico na medida em que trata de crendices sertanejas ainda vigentes em meio a um Brasil rural em transformação.
Notas sobre os filmes NIKI DE SAINT-PHALLE (nos cinemas) e ARCHITECTON (em mostra brasiliense).
Notas sobre A MELHOR MÃE DO MUNDO e PATERNO. Duas classes sociais muito distintas, duas grandes cidades no pano de fundo, dois personagens em situação de risco, dois filmes de grande acuidade social.
Duas atrizes muito diferentes contracenam com todo o estranhamento que suas personas e personagens sugerem. A PRISIONEIRA DE BORDEAUX desenha um arco cômico-dramático envolvente, com belas surpresas no caminho.
Apesar de certas qualidades, NADA carece de substância para sua ambição metafísica. Afasta os termos do filme de terror e da ficção científica, mas não oferece muito em troca.
Por baixo da trama bobinha de AMORES MATERIALISTAS corre uma subcorrente levemente satírica sobre a commoditização do amor em sociedades desenvolvidas que atuam em função de resultados.
FILHOS, drama cortado a seco na habitual dureza do cinema dinamarquês, lida com o desejo de vingança e tenta questionar a ética do público.
O Programa Mais Médicos certamente tem um manancial de histórias a serem contadas com mais vigor e menos idealização do que em O DESERTO DE AKIN.
Um filme “das antigas” sobre um artista “das antigas”. Assim me pareceu MONSIEUR AZNAVOUR.
Notas sobre o francês APENAS ALGUNS DIAS e o relançamento de IRACEMA, UMA TRANSA AMAZÔNICA.
Costa-Gavras se debruça sobre a morte com a ajuda de Régis Debray em UMA BELA VIDA. Não é assunto agradável, mas necessário e, afinal, incontornável.
Valeria Bruni Tedeschi convoca nossa empatia até a última cena de ENTRE NÓS, O AMOR. O que talvez pareça um simples filme de mulher em crise acaba evoluindo para algo mais invulgar.
Em FILHOS DO MANGUE, Eliane Caffé trata de questões graves que têm frequentado o cinema brasileiro, mas o faz de maneira original, um tanto oblíqua, sem nada de óbvio.
EMMANUELLE 50 anos depois: quase duas horas de poses inócuas, cenas mal construídas e uma absoluta falta de tesão, seja sexual, seja cinematográfico.
A ambientação rústica de VERMIGLIO nas montanhas em 1944 sugeria algo na linha dos Taviani, mas logo se vê que a qualidade do argumento é muito inferior.