Amor e dor em Beirute
Presente inesperado vindo do Líbano, UM TRISTE E BELO MUNDO é uma bonita dramédia romântica que aposta mais na esperança que na dor.
Presente inesperado vindo do Líbano, UM TRISTE E BELO MUNDO é uma bonita dramédia romântica que aposta mais na esperança que na dor.
Tesouros do cinema iraniano, os tempos modernos de Chaplin e uma curiosidade do cinema gaúcho.
Por mais esfíngico que possa parecer a quem não decifrar todos os signos psicanalíticos, AS CORRENTES tem atrativos suficientes para imantar nossa atenção e interesse. É mais um exemplo do cinema sólido e intrigante que os argentinos são capazes de realizar.
CINCO DA TARDE põe em cena um encontro de sutilezas com cintilações de beleza, bem ao estilo do diretor Eduardo Nunes.
Se retirássemos as cores, as falas e os falsos planos-sequência que dão fluência à ação, 8 DÉCADAS DE AMOR seria um dramalhão da época do cinema mudo, quando as plateias só queriam mesmo ver as coisas acontecerem, sem um olhar mais crítico para o óbvio e o improvável.
DIA D é um misto de filme de ação, ficção hipertecnológica, história de super-heróis e vidências espíritas. A meu ver, um dos caminhos mais tolos que Spielberg já trilhou.
As intenções de CRIADAS são tão boas quanto a fotografia de Julia Zakia. Mas o desenvolvimento das ideias sobre colorismo e privilégios é confuso e sombrio.
Na tradição de jovens desajustados no cinema, ENZO faz uma modesta contribuição. Não é muito mais que um rascunho dramático sobre a infelicidade juvenil.
De alguma forma, as mulheres de DOLORES vivenciam temas candentes da atualidade brasileira, mas o filme também tem problemas.
O BOLO DO PRESIDENTE se filia a uma estirpe de dramas dickensianos modernos como “Pixote” e “Salaam Bombay”. Menos amargo que esses, mas ainda assim expressivo de infâncias submetidas a uma realidade tirânica.
Almodóvar está consciente de que, à exceção de “Mães Paralelas”, não acerta no alvo há pelo menos dez anos. A tentativa de transformar essa consciência em NATAL AMARGO redunda em pura autocomplacência.
É interessante ver um filme como CHOPIN – UMA SONATA EM PARIS, que, embora ambientado em sua maior parte na capital francesa, onde Chopin nadou de braçadas, resgata suas origens com uma produção inteiramente polonesa.
Notas sobre os filmes DIAMANTES e ERUPCJA
O Fanon de FANON parece mais um conceito do que um homem de carne e osso. Mesmo assim, o filme tem valor para quem quiser ser iniciado no pensamento do filósofo anticolonialista a partir de seu trabalho na psiquiatria.
SURDA é um drama realista sobre o desencontro entre os mundos dos deficientes auditivos e dos ouvintes. Um desencontro que se acentua após a maternidade.
Três artistas de circo são inspiradoras e coautoras do belíssimo MAMBEMBE, objeto fílmico único, gestado a partir de um fracasso para desmentir o destino.
Em EU NÃO TE OUÇO, Caco Ciocler eleva um fait-divers da crônica política recente ao nível de um fascinante estudo de personagens. Com Marcio Vito numa performance dupla magistral.
ERA UMA VEZ MINHA MÃE é um filme que não tem vergonha de ser o que é: longo, cheio de clichês sobre as indefectíveis resiliência e superação, codificado ao extremo, superficial e feito para emocionar a família. Ainda bem que o melodrama vem recheado com ótimas pepitas de humor.
Para um filme sobre doença grave, NINO DE SEXTA A SEGUNDA é surpreendentemente cool e até divertido em alguns momentos.
Djin Sganzerla faz uma bela combinação do cinema de gênero com a denúncia social em ECLIPSE. Não são muitos os cineastas brasileiros que conseguem essa façanha.
MÃE E FILHO é um filme iraniano tecnicamente impecável, mas a falta de consistência psicológica dos personagens e o derramamento melodramático comprometem o resultado.
O RISO E A FACA expõe a complexidade do neocolonialismo com um misto de ficção e realidade. Para quem se dispuser à maratona de três horas e meia, há uma viagem feérica ao coração de uma certa África.
Sem meias palavras, mesclando fantasmagoria com teatro político, A FÚRIA expressionista de Ruy Guerra e Luciana Mazzotti é como uma flecha disparada no pescoço dos fascistas.
Eis um filme brasileiro original. PAPAGAIOS é uma espécie de conto moral sobre a fome de visibilidade no mundo contemporâneo.
Ambientado na crise dos “coletes amarelos” da França, CASO 137 dramatiza um episódio fictício, mas capaz de iluminar o corporativismo muito comum entre os ditos mantenedores da ordem.
François Ozon nos oferece uma adaptação radical de O ESTRANGEIRO no sentido de representar a indiferença existencial do personagem de Camus.
Feito mais como um capricho de escrita despretensiosa de Jim Jarmusch, PAI MÃE IRMÃO IRMÃ vale principalmente pelo prazer de ver um punhado de atores maravilhosos pontuando minúcias de atuação que envolvem fala, gestos e posturas corporais.
A MULHER QUE CHORA traz para o Brasil a lenda latino-americana da “Chorona”. A CONSPIRAÇÃO CONDOR é thriller político sobre as mortes suspeitas de JK, Jango e Lacerda. Leiam minhas notas sobre os dois filmes.
Policial impulsionado por dramas pessoais, CINCO TIPOS DE MEDO tem material de sobra para o público especular e eventualmente se emocionar.
Em texto especial para o meu blog, o cinéfilo, cineasta, agitador cultural e judoca Cavi Borges destaca “vários pontos interessantes” no belo filme Tatame, que entrou em cartaz ontem em várias cidades brasileiras. No Rio, vai estrear somente no final do mês.