Doze anos depois

FLORES DO CÁRCERE no streaming

Em 2005, a escritora e educadora Flávia Ribeiro de Castro desenvolveu um trabalho voluntário junto às detentas da Penitenciária Pública Feminina de Santos (SP), que a chamavam de “professora”. Disso resultou o livro Flores do Cárcere, fonte de inspiração para o filme homônimo de Bárbara Cunha e Paulo Caldas. Doze anos depois, os cineastas levaram cinco ex-presidiárias e duas carcereiras de volta às dependências do presídio, então desativadas. Revisitando esse cenário de abandono e tristes lembranças, elas se emocionam ao recordar as carências, os incômodos da superlotação e as formas que encontraram de sobreviver emocionalmente à privação da liberdade.

Um antecessor do Torre das Donzelas voltado para o crime comum? Pode ser, embora infinitamente mais modesto do ponto de vista da criação cinematográfica. Além de trazer cenas gravadas com as mesmas moças em 2005, durante a passagem de Flávia pelo presídio, o documentário as ouve primeiro na antiga prisão, e depois em suas casas e trabalhos, junto a parentes que ajudam a contar como elas superaram o estigma do “pós-grade” e conseguiram refazer suas vidas. A possível exceção é Xal, um esfuziante não binário que ainda não havia se libertado das drogas. Xal é responsável por quebrar o coro mais ou menos uniforme com que as personagens se referem a sua experiência e às lições que eventualmente tiraram dela.

Um dado que salta aos ouvidos é a frequência com que as jovens de 2005 caíam no crime por simples lealdade a seus namorados traficantes. Um quadro em que ingenuidade e oportunismo se somam numa receita fatal. Não é difícil imaginar como esse mecanismo se generaliza para além das fronteiras de Santos.

Quem conhece a atriz Nash Laila (estrela de Deserto Feliz, de Paulo Caldas) não terá dificuldade em identificar em Rosa uma personagem ficcional, que talvez fale por outras tantas ausentes no filme (exceto num depoimento sobre a mentira, perto do final). No entanto, o recurso se mostra inócuo, uma vez que esse acréscimo nada soma de importante, seja como documento, seja como dramaturgia.

>> Flores do Cárcere está disponível no NOW e, a partir de 18 de março, também no iTunes, Apple TV, Google, Youtube Play e Vivo Play.

Um comentário sobre “Doze anos depois

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