O sangue dos outros

ATÉ OS OSSOS teria potencial romântico e trágico caso não fosse encaminhado com tanta superficialidade e tivesse um par de intérpretes mais “sanguíneos”.

As idades da terra

IL BUCO mergulha nas profundezas da terra para falar de dicotomias bastante explícitas. DA TERRA DOS ÍNDIOS AOS ÍNDIOS SEM TERRA atualiza discurso de Darcy Ribeiro.

Menina Maravilha

MATILDA: O MUSICAL é mais um conto de heroísmo, liderança e sublevação, mas desafia as regras de bom-mocismo de um musical infantojuvenil. Vale também como uma fábula sobre a criação de histórias.

O fio da memória

Uma descoberta arqueológica ajuda uma comunidade afrodescendente a recompor sua identidade e sua história em O ÚLTIMO NAVIO NEGREIRO, documentário da Netflix pré-indicado ao Oscar.

Bowie, metamorfose ambulante

O mashup vertiginoso de MOONAGE DAYDREAM potencializa ao maximo a explosão do rock bowieano, inserindo-o no discurso pop do seu tempo: paródia, psicodelismo, fantasias espaciais, androginia, petulância e exibicionismo.

Narciso no limbo

Sem nenhuma cerimônia, BARDO – FALSA CRÔNICA DE ALGUMAS VERDADES dissolve as fronteiras entre realidade, sonho e fantasia alegórica. E não quero dizer que isso seja uma boa notícia.

Um Pinóquio “animado” demais

A técnica brilhante, um pé no grotesco e um esboço de interpretação política não impedem que o PINÓQUIO de Guillermo del Toro descambe para a histeria das animações hollywoodianas recentes.

A guerra de um homem

Em quase três densas horas, ONODA, 10.000 NOITES NA SELVA relata a história paranoica do “último soldado” japonês a se render depois da II Guerra.

Os interesses da corporação

A questão não é tanto se o personagem central terminará como herói de consciência ou um rato obediente às leis do capitalismo. O que UM OUTRO MUNDO sublinha é o funcionamento do sistema.

Anorexia mística

Dirigido pelo chileno Sebastián Lelio na Irlanda, O MILAGRE é apenas um drama pesadão, arrastado, sobre um tema que se desenvolve penosamente na tela.

A queda do império Batista

EIKE – TUDO OU NADA é bem sucedido em narrar um processo empresarial e financeiro nos moldes do thriller, com antagonismos claros e personalizados, ritmo acelerado e artifícios para facilitar a compreensão de trâmites complexos.

O banquete dos submissos

A FESTA E OS CONVIDADOS, clássico da Nouvelle Vague tcheca, é uma alegoria tão divertida quanto grave da submissão das pessoas ao autoritarismo da sociedade.

Raçudo. Reluzente. Retumbante

Na medida em que o espectador se entregue ao delírio cênico e não se abale com a violência explícita (mas irrealista) de RRR, estará diante de um filme perfeito em seus propósitos.

A consciência alemã na I Guerra

Refilmagem do clássico pacifista de 1930, NADA DE NOVO NO FRONT se apresenta hoje como um filme de guerra padrão, apenas “atualizado” na tolerância das plateias para ver imagens de carnificina.

Cinema italiano de ontem e de hoje

Um belo lote de 33 filmes, sendo 17 novos e 16 clássicos, é oferecido ao público brasileiro, nas formas presencial e online, no Festival de Cinema Italiano que começa hoje (4/11). Comento sobre O GAROTO ESCONDIDO e NOSTALGIA.

A vida é frágil

Com atuações comoventes de Françoise Lebrun e Dario Argento, VORTEX é um dos filmes mais duros já feitos sobre a deterioração do ser humano por causas naturais.

Apocalipse indiano

O documentário INVISIBLE DEMONS traça amplo panorama de Delhi, cidade caótica e superpopulada, epítome de um país que abraçou a ideia de desenvolvimento sem atentar para o bem-estar do povo.

Oicídrepsed de filme

DIÁRIOS DE OTSOGA, um filme sem personagens ou ações construídas previamente, narrado de trás para frente. Diletantismo estéril, infelizmente.