Um solo do baterista Robertinho Silva, uma jam session jazzística com o pianista Mauro Continentino, uma cena de comédia com Claire Bigon e a ex-produtora cultural Rita Maia, declamações do ator Jayme Leibovitz e do poeta Marco Antonio Coutinho, uma performance de Carlinhos Pandeiro de Ouro… O Retiro dos Artistas respira arte no filme de Pedro Bronz e Roberto Berliner.
Não há um roteiro muito articulado, nem muito cuidado para dissimular filmagens improvisadas. De maneira um tanto crua, Retiro – A Casa dos Artistas vai captando flashes da vida no presente, sem interesse especial pelas memórias. As fragilidades e a força dos hóspedes se alternam nos depoimentos, dando a ver diferentes formas de encarar o envelhecimento.
Robertinho Silva, por exemplo, se diz “metido a garotão”, enquanto a bailarina Morita Heredia expõe, com humor, a curiosidade que tem sobre detalhes de sua pós-morte. O namoro entre Rita e Mauro atravessa o filme deixando um rastro de ternura. A astróloga Dilze Bragana cultiva sua busca de conhecimento: “Saber é bom, tem gosto de chocolate”.
Os administradores Stepan Nercessian, Cida Cabral, Robson Motta e a benfeitora Marieta Severo têm passagens rápidas, uma vez que a intenção não parece ter sido a de aprofundar-se no funcionamento da instituição. Mais para Eduardo Coutinho (que deu nome à sala de cinema do Retiro) que para Frederick Wiseman, o documentário privilegia as vivências dos hóspedes, oscilando entre a fala direta e o flagrante: a chegada de um novo morador, os encontros de velhos companheiros já com memória fraca, a ação da “biblioteca ambulante”, a queixa de quem não recebe mais convites de trabalho.
Volta e meia, contesta-se a noção preconceituosa de que o Retiro é um fim de linha para os artistas. Esse filme, ainda que claudicante na construção, comprova que há muita vida e arte por ali.




