Cinema em bom português

Começa hoje em João Pessoa a 5ª edição do Cineport, Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa. Vladimir Carvalho, um dos meus biografados, vai comparecer à inauguração de uma sala de cinema com seu nome na Usina Cultural Energisa, centro de agitação do evento. Logo em seguida, na grande Tenda Andorinha, terá início a programação em torno de Cabo Verde, a cinematografia homenageada este ano. O cineasta mais conhecido do arquipélago, Leão Lopes, e seu companheiro brasileiro Joel Zito Araújo, serão homenageados. Juntos, eles recentemente organizaram um curso de cinema em Cabo Verde, do qual participei ministrando o módulo de crítica de cinema.

Será exibido, em primeira mão em terras continentais, o documentário em episódios realizado pelos alunos do curso. Já escrevi por aqui sobre Fragmentos de Mindelo, a simpática reunião de aspectos etnográficos, históricos e culturais da bela cidade caboverdiana. O filme teve finalização há pouco no CTAV, no Rio.

Ainda hoje serão exibidos, além de dois programas de curtas concorrentes ao Prêmio Energisa, o longa português que deu à jovem Catarina Wallenstein (foto) o Troféu Andorinha de melhor atriz coadjuvante. Um Amor de Perdição, de Mário Barroso, é mais uma versão do romance de Camilo Castelo Branco, esta encravada na atualidade e cheia de insinuações de incesto. O objeto do amor é Teresa, interpretada pela experiente Ana Moreira, mas quem conquista corações é Catarina Wallenstein no papel de Mariana da Cruz, a amiga de classe inferior que serve de intermediária entre os jovens apaixonados, ao preço de reprimir sua própria paixão por Simão. Nem a roupa e os modos de mecânica de Mariana conseguem disfarçar a beleza e a sensualidade de Catarina, que também é a Rapariga Loura de Manoel de Oliveira e está iluminando um em cada três filmes portugueses nos últimos anos.

Dias atrás publiquei aqui os candidatos ao Troféu Andorinha, entre longas brasileiros e portugueses. Agora, aí vai a lista dos premiados. A escolha final foi de um júri composto por mim, Carla Henriques, José Geraldo Couto, Luísa Sequeira, Marcelo Miranda, Renato Félix e Rui Tendinha. Na medida do possível, pretendo escrever sobre alguns deles ainda durante o Cineport, que vai até sábado.

FICÇÃO

Melhor filme – Morrer como um Homem, de João Pedro Rodrigues (Portugal)
Melhor direção – João Nuno Pinto, por América (Portugal)
Melhor produção – José Padilha e Marcos Prado, por Tropa de Elite 2 (Brasil)
Melhor roteiro – Bráulio Mantovani e José Padilha, por Tropa de Elite 2 (Brasil)
Melhor fotografia – Lula Carvalho, por Tropa de Elite 2 (Brasil)
Melhor montagem – Karen Harley, por Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (Brasil)
Melhor direção de arte – Adrian Cooper, por Quincas Berro d’Água (Brasil)
Melhor figurino – Isabel Branco, por Mistérios de Lisboa (Portugal)
Melhor música – Bernardo Sassetti, por Como Desenhar um Círculo Perfeito (Portugal)
Melhor ator – Wagner Moura, por Tropa de Elite 2 (Brasil)
Melhor atriz – Glória Pires, por Lula, o Filho do Brasil (Brasil)
Melhor ator coadjuvante – Raul Solnado, por América (Portugal)
Melhor atriz coadjuvante – Catarina Wallenstein, por Um Amor de Perdição (Portugal)

DOCUMENTÁRIO

Melhor filme – José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes (Portugal/Brasil/Espanha)
Melhor direção – Cao Guimarães, por A Alma do Osso (Brasil)
Melhor fotografia – Walter Carvalho, por O Homem que Engarrafava Nuvens (Brasil)
Melhor montagem – Susana Souza Dias, por 48 (Portugal)

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