Em texto especial para o meu blog, o cinéfilo, cineasta, agitador cultural e judoca Cavi Borges destaca “vários pontos interessantes” no belo filme Tatame, que entrou em cartaz ontem em várias cidades brasileiras. No Rio, vai estrear somente no final do mês.
Fala Cavi:
1 – Um filme dirigido por um diretor israelense (Guy Nattiv) junto com uma atriz e diretora iraniana (Zar Amir – no filme ela é a treinadora).
Nattiv ganhou um Oscar com seu curta Skin em 2021 e Zar ganhou prêmio de melhor atriz em Cannes com o filme Holy Spider em 2022.
2 – Como judoca, achei o filme muito bem filmado e bem realista. Apesar de perceber claramente que a atriz principal que faz o papel da judoca iraniana é uma atriz que pratica judô, e não uma judoca tentando ser atriz. PONTO PARA O FILME!
As situações reais de uma competição internacional de judô estão todas ali: viagens, dietas e perda de peso antes da luta, tensão, ansiedade, olhares intimidadores na área de aquecimento, machucados, sofrimento, entre outras particularidades do mundo real do esporte competitivo.
3 – Como cinéfilo e cineasta, gostei muito do ritmo e tensão do filme com planos-sequência que te põem dentro da cena e fazem parecer que você está ao lado da atleta na área da luta.
4 – Na questão política, é interessante e premonitória a escolha da rivalidade e tensão entre os países Irã e Israel, sendo um filme de 2023, portanto três anos antes da guerra que acontece agora em 2026 entre ambos os países.
Lá está toda a repressão e totalitarismo do Irã com suas mulheres, tendo o autoexílio como única solução para viver e realizar seus sonhos. Muito parecido com os cineastas iranianos que fogem para a França e outros países da Europa a fim de fazer e exibir seus filmes. Vide Jafar Panahi, por exemplo.
Recomendado para judocas e amantes do cinema!!!
Cavi Borges



