Vaquero

O sonho dos atores latinos de integrarem uma grande produção de Hollywood, mesmo que seja encarnando um estereótipo do “latino”, ganha um comentário razoavelmente interessante em Vaquero. Nesse seu longa de estreia como diretor, o experimentado ator Juan Minujín, ele próprio no papel central, traça o retrato de um looser, um ator terciário, frustrado profissional e sexualmente, que vê numa ponta em filme hollywoodiano sua chance de ouro para dar o grande salto.

Os fluxos de consciência de Julian Lamaz dividem a cena com a realidade objetiva. Minujín contorce a narrativa para exprimir sempre o ponto de vista ou frisar a participação truncada do personagem tanto nos sets como na vida. Isso gera uma particularidade às vezes incômoda na forma como as cenas se desenrolam diante de nós. Presenciamos tudo através do desconforto e do complexo de inferioridade de Julian, o que é ousado como proposta, até porque pode frustrar as expectativas do espectador nos quesitos superação ou denúncia. Ao contrário de Riscado, por exemplo, o fracasso do ator não é fruto de uma simples bandalheira da produção internacional, mas da alienação e da falta de perspectiva dele próprio. Julian é um perdedor, e ponto final.

Nesse sentido, Vaquero é tragicamente realista. Uma visão desencantada da indústria cinematográfica, sem oferecer hipótese de remissão. De resto, tem aquela precisão de tom, de tempo e de interpretações que tanto apreciamos no cinema argentino.

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