Uma encomenda que entrou para a história da música
Um aviso nos créditos finais de BOLERO – A MELODIA ETERNA tenta justificar uma abordagem cuidadosa, mas sanitizada e acadêmica da vida de Ravel e de sua criação mais popular.
Um aviso nos créditos finais de BOLERO – A MELODIA ETERNA tenta justificar uma abordagem cuidadosa, mas sanitizada e acadêmica da vida de Ravel e de sua criação mais popular.
Uma animação tecnicamente primorosa, uma palheta vibrante de cores e uma história com mensagens progressistas convidam todas as idades a se divertirem com ABÁ E SUA BANDA.
Notas curtas sobre ANTONIO BANDEIRA, O POETA DAS CORES e AS AVENTURAS DE UMA FRANCESA NA COREIA
PRESENÇA é protagonizado por um fantasma bastante interessado em dramaturgia. Mas talvez seja melhor não esperar explicação muito lógica para esse exercício vadio de Soderbergh.
Pode-se embarcar em algumas vias de interpretação para GIRASSOL VERMELHO, mas recompensa melhor terá o espectador que se deixar levar pela beleza inquietante dos cenários, das luzes e dos movimentos.
Tudo é decorativo e vazio em PARTHENOPE: OS AMORES DE NÁPOLES. Arquétipos italianos são tratados por Sorrentino como clichês enfadonhos.
De refeição a refeição, de morte a morte, QUANDO CHEGA O OUTONO caminha com andar indistinto, buscando um efeito emocional que, ao menos para mim, nunca se concretizou na tela.
O dito popular cai como uma luva na proposta de CÂNCER COM ASCENDENTE EM VIRGEM. Como tratar um assunto difícil como o câncer, de maneira a tirar dali um elogio da vida, da resiliência e dos laços de afeto.
A BATALHA DA RUA MARIA ANTÔNIA é uma experiência audiovisual imersiva de cair o queixo. Bem-vindos às trincheiras de 1968.
Na mistura de apuro estético e jocosidade chanchadeira de MÁRIO DE ANDRADE, O TURISTA APRENDIZ, Murilo Salles nos oferece um de seus trabalhos mais instigantes – e um dos mais encharcados de música.
Em VITÓRIA, o contraste entre a fragilidade da mulher de 80 anos e os riscos a que ela se submete é enfatizado pela performance de Fernanda Montenegro aos 93.
MÁQUINA DO TEMPO foi apreciado pela crítica europeia não tanto pelo seus disparates ficcionais, mas por uma suposta audácia na confecção formal.
Fascinante aqui e ali, naïf ali e acolá, LOUCOS POR CINEMA! passa uma visão nostálgica do cinema, bonita como tributo, mas frágil na espinha dorsal.
Sem deixar de ser uma cinebiografia padrão, BETTER MAN: A HISTÓRIA DE ROBBIE WILLIAMS é uma trip cinematográfica atordoante e surpreendente. Mesmo que o personagem não ressoe tanto na nossa imaginação quanto ressoa na dos ingleses.
A performance interiorizada de Cillian Murphy cria uma barreira de opacidade que eu, particularmente, não consegui transpor no drama irlandês PEQUENAS COISAS COMO ESTAS.
O REFORMATÓRIO NICKEL demonstra uma grande coragem formal – e é espantoso que tenha chegado à final do Oscar de melhor filme. Ainda assim, o estilo chama tanta atenção que o assunto acaba ficando em segundo plano.
Por mais improvável que parecesse, a escolha de Timothée Chalamet para interpretar o jovem Bob Dylan em UM COMPLETO DESCONHECIDO resultou acertadíssima.
O INTRUSO é um libelo porno-político que pode soar ingênuo como transgressão, mas que tenta associar uma suposta liberação sexual a uma política afirmativa.
Aventura de sobrevivência, FLOW cativa o público principalmente pelo tratamento que dá a seus bichos-personagens. Indicado aos Oscars de animação e filme internacional.
KAYARA, A PRINCESA INCA tem design esmerado e imagens sugestivas, mas carece de personalidade própria e troca as pernas nas cenas de ação. Ainda assim, pode divertir plateias menos exigentes.
Desgastada pelo uso abusivo, a palavra afeto ganha significados ricos em MEU VERÃO COM GLÓRIA. Não apenas pela ternura das imagens que a diretora Marie Amachoukeli constrói, mas também pela complexidade envolvida nas relações entre as personagens.
O BRUTALISTA aspira ao mesmo porte monumental, sólido e massivo da arquitetura brutalista. Por vezes, tive a impressão de que o filme não é exatamente grande, mas sim pomposo e inchado por subtramas e alongamentos desnecessários.
SING SING tem a virtude de mobilizar com eficácia um elenco heterogêneo e chamar atenção para um projeto de extrema relevância. Como cinema, porém, me pareceu um drama institucional previsível, padronizado e sanitizado.
Com poucos personagens, bons desempenhos e uma linguagem espertinha, o norueguês NINJABABY transita com humor e algum drama por temas ousados.
Técnica e artisticamente admirável, ainda assim A GAROTA DA AGULHA pode ser chamado de misery porn pelo apetite com que mergulha nas desgraças de seus personagens.
AOS PEDAÇOS é Ruy Guerra e seu mundo partido, onde a obscuridade não se limita ao espaço cênico.
Que outra razão haveria para um filme voltar à tragédia das Olimpíadas de Munique de 52 anos atrás senão o intuito de relembrar um precedente da ação do Hamas em outubro de 2023? Isso parece claro em SETEMBRO 5.
Dois filmes brasileiros lançados esta semana lidam com relações tóxicas que aprisionam suas vítimas num círculo de dependência, indulgência e um tanto de masoquismo: OS SAPOS e A VOZ QUE RESTA.
FAMÍLIA tem a dramaticidade carregada de um cinema clássico italiano, mas com toques inesperados de uma poesia triste. Um filme marcante.
Minhas notas sobre a ficção HOMENS DE BARRO e o documentário MADELEINE À PARIS
Indicado a 13 Oscars e cancelado por todos os lados, EMILIA PÉREZ chega aos cinemas. Continuo achando o filme formidável.
Poucas vezes, senão nunca, o cinema brasileiro trafegou com tantas franqueza e sensibilidade pelo universo popular das trabalhadoras do sexo como em RUA GUAICURUS. O filme está no streaming.