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Nesta sexta-feira me juntarei aos amigos e às pessoas de bem que estarão no Canto da Democracia, na Praça XV, a partir das 16 horas. Tenho muitas razões para isso, além do simples fato de apoiar o governo do PT.

Sendo ou não petista, o que importa agora é defender o estado de direito, a isonomia democrática da Justiça e a sociedade brasileira de uma guinada conservadora e cruel.

Vou porque, mesmo considerando os muitos erros do meu partido nesse período, sei que não foram maiores nem mais graves dos que os pecados de todos os outros quando se entra na espinhosa tarefa de governar. Todos os esquemas “revelados” pela Lava-Jato, por exemplo, foram montados durante o governo tucano: propinas, desvios e uso indevido dos recursos das estatais. Mas nada disso interessa aos supostos guardiões da decência de hoje, pois todas as armas devem estar apontadas para Lula e sua “ultrajante” intenção de se candidatar novamente à presidência. Os derrotados desde 2002 não podem assimilar nem de longe essa hipótese.

Vou à rua porque entendo a eficiência seletiva da Lava-Jato, o comércio de delações, a campanha criminosa da mídia golpista (com o nefasto Sistema Globo à frente) e os movimentos patrocinados de direita como engrenagens de uma pérfida caçada a Lula e ao PT. Uma caçada deflagrada – não me esqueço – com a primeira fragilização do governo Dilma nos protestos irresponsáveis de junho de 2013. Ponho nessa conta a mobilização da classe média telegloboguiada, dos raivosos de sempre, dos oportunistas de camisas negras disfarçadas de verde-amarelo e dos pseudomoralizadores que incluem todo tipo de corrupto – dos profissionais liberais que não passam recibo para driblar o fisco aos funcionários públicos que viram trocar de mãos os privilégios de outros tempos.

Vou porque não acredito nessa falácia de que o PT dividiu o país. O Brasil sempre esteve dividido entre progressistas e reacionários. Basta recuarmos à divisão entre colloridos e anti-Collor, entre os que apoiavam silenciosamente a ditadura e os que a combatiam, e mais para trás, a udenistas e pedessistas, getulistas e anti-getulistas, revolucionários e legalistas em 1930, escravocratas e abolicionistas, e por aí afora. A divisão é uma contingência da vida política, mas cabe somente ao voto e ao uso justo das leis romper com a ordem institucional.

O que vemos hoje no Brasil é uma ação coordenada nos bastidores entre expoentes do poder judiciário, parte do poder legislativo, grandes órgãos de imprensa e empresários de oposição para interromper um governo legitimamente eleito e que vem se pautando justamente por não cercear o combate à corrupção. “Nunca se roubou tão pouco”, afirmou recentemente o empresário tucano Ricardo Semler em artigo exemplar. No entanto, a voz corrente entre os cínicos, hipócritas e mal informados é o contrário disso.

Vou à rua sexta-feira porque é preciso resistir a esse movimento torpe, a essa onda de ódio cego e burro que se avoluma. É preciso fazer frente ao estado policial que se instaurou na república. É preciso mostrar a essa gente que as alternativas são pífias, quando não assustadoras. Com o PSDB entrevado no papel feio de linha auxiliar da direita que aceitou nos últimos anos, restam os Bolsonaros, os Cunhas, as bancadas religiosas e as viúvas da ditadura na boca de espera para assumir o poder.

Vou à rua por mim, pelos milhões de brasileiros que pensam como eu e também por esses que não concordam comigo. Um dia eles ainda deverão me agradecer, embora saiba que jamais o farão.