À Margem do Lixo

Doc social. No terceiro tomo de sua tetralogia da margem, Evaldo Mocarzel filmou catadores de lixo de São Paulo, todos dotados de consciência de classe e organizados em movimento. Os catadores aparecem eventualmente narrando suas próprias imagens num estúdio (à Jean Rouch), enunciando suas ideias políticas ou empenhados no seu movimentado dia-a-dia. Este doc não tem a mesma força dos dois primeiros (À Margem da Imagem e À Margem do Concreto), talvez por serem frutos de uma fase de transição na carreira de Mocarzel.   As cenas de trabalho na rua, gravadas principalmente pelo diretor de fotografia Gustavo Hadba, são ricas em angulações e detalhamento da ação dos catadores, evidenciando um forte desejo de experimentação por parte do diretor. O filme é pontuado por três seqüências magistrais que mostram o processo de reciclagem de papel, plástico PET e alumínio. Evaldo inspirou-se em Dziga Vertov e na escola soviética para propor uma edição baseada em estrofes matemáticas de fotogramas. São pequenos ensaios de puro ritmo, cor e movimento, que me lembraram também o curta O Canto do Estireno, de Alain Resnais (1958). ♦♦

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