O título antes do título

O que diz um título?

Ele geralmente é a primeira instância de comunicação de uma obra com o público. Sua escolha implica uma série de considerações que vão da afetividade do autor às conveniências de mercado. Nelson Pereira dos Santos afirmou certa vez que o título de um filme tem mais a ver com as pessoas que ainda não o viram do que com o próprio filme. Arthur Omar costuma dizer que seus títulos são máscaras, fantasias com que ele veste as obras.

Mas até que se chegue ao título definitivo, muitas vezes o filme é chamado por outros nomes. São os “títulos de trabalho”, ou provisórios, que podem indicar os caminhos que o diretor ou o produtor trilhou durante o processo.   

Meses atrás, comecei a listar alguns casos de filmes brasileiros que tinha de memória. Postei o assunto no Facebook e recebi muitas contribuições. Divido agora essa curiosidade com vocês. É uma lista sem fim. Quem quiser colaborar, deixe um comentário.  

Ganga Bruta se chamava inicialmente “Dança das Chamas”
Durante os primeiros seis meses de roteiro, O Som ao Redor foi “Histórico de Violência”
Entreatos era “O Fim e o Princípio”, que acabou virando título de um filme do Eduardo Coutinho
Os Herdeiros ia ser “O Brado Retumbante”
Sudoeste era “Erosão” e depois “Vento Sudoeste”
Alô Alô Carnaval ia se chamar “O Grande Cassino”
Mutum já foi “Miguilim”
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias foi um dia “Minha Vida de Goleiro”
5 X Favela: Agora por Nós Mesmos era antes “5 X Favela: Agora por Eles Mesmos”
Uma Noite em 67 por pouco não foi “A Noite que Mudou a MPB”
Maridinho de Luxo era “Compra-se um Marido”
O País de São Saruê brotou do média O Sertão do Rio do Peixe
É Proibido Fumar teve como primeiro nome “As Guerras de Todos Nós”
Tropa de Elite tinha “Bope” como título de trabalho
No Meu Lugar já se chamou “Vórtice”
A Busca foi  “A Cadeira do Pai” e depois virou “Até o Fim do Mundo”
Moscou era “Antes da Estreia”
Chega de Saudade atendia por “União Fraterna”
Casa de Areia chamava-se “As Mulheres de Areia”
Vou Rifar meu Coração já foi “O Amor é Brega”
Maré – Nossa História de Amor era inicialmente “Eu Prefiro a Maré”
Crime Delicado quase ficou como “Uma ou Duas Coisas sobre Ela”
Obrigado, Doutor foi antes “O Santo Assassino”
O Sol do Meio-Dia trazia “Andar às Vozes” na capa do roteiro
Sonhos Roubados era tratado por “Sexo, Crochê e Bicicletas”
A Lira do Delírio nasceu do projeto “Salve o Prazer”
O Princípio do Prazer ia ser “As Paixões” se Jabor não tivesse convencido Luiz Carlos Lacerda a mudar
O Palhaço ia ser “Filme de Estrada”
Tapete Vermelho era “O Homem que Inventou Uma História de Cinema”
Como Fazer um Filme de Amor já foi “Quando Dois Corações se Encontram”
Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now chamava-se “Panis et Circensis”
Como Era Gostoso o Meu Francês era no roteiro inicial “Qu’il était bom mon français” e depois “Como Era Bom o Meu Francês”
Apolônio Brasil, Campeão da Alegria era antes “Tempestade Cerebral”
O Céu de Suely atendia por “Rifa-me”
Heleno quase foi para os cinemas com o subtítulo “O Homem que Chutava com a Cabeça”
As Melhores Coisas do Mundo já foi simplesmente “Mano”
Desenrola se chamava “A Primeira Vez de Priscila”
De Pernas para o Ar era “Sex-Delícia”
Hércules 56 era “Hércules 2456”
Quem é Beta? perguntava inicialmente “Onde Está Beta?”
O Caminho das Nuvens se chamava “O Meio do Mundo” e, antes ainda, “Adivinhando Chuva”
Iluminados era “Moviemento”
180 Graus ia ser “O Livro dos Projetos”
Carnaval em Lá Maior quase foi “Abra o Olho, Gregório”
Corpos Celestes virou “O Céu do Dia em Que Nascemos” e depois voltou ao original
Bróder foi cogitado como “Um Dia”
Somos Tão Jovens por um tempo chamou-se “Religião Urbana”
Paraísos Artificiais era chamado de “Posto 9”
Disparos era “A Quente, a Frio!”
A Luz do Tom já foi “Antonio Carlos Jobim – O Homem Iluminado”
Quando as Mulheres Paqueram tinha o título provisório de “Assim Nem a Cama Aguenta”
O Céu Sobre os Ombros já teve os nomes de “Cidades Invisíveis” e “Humanos”
Bela Noite para Voar era “De Nonô a JK”
Histórias que Só Existem Quando Lembradas quase existiu como “Peso da Massa, Leveza do Pão”
Dreznica foi “Sonhos Cegos” e “De Memória e de Sonhos” antes que Anna Azevedo tirasse o título definitivo de uma placa que aparece fortuitamente no curta
Babilônia 2000 foi “Copacabana 2000” antes da meia-noite
Doida Demais tinha nome mais comprido: “Eu Sem Juizo, Ela Doida Demais”
Sambando nas Brasas, Morou? tinha alternativa mais curta: “Morou?”
Muita Calma Nessa Hora foi registrado como “Algo de Novo”
O Tempo e o Lugar já foi “Falo de Coração” e depois “Meu Lugar é Aqui”
O Amuleto de Ogum era “O Amuleto da Morte”.

Um comentário sobre “O título antes do título

  1. Bem interessante essa lista com os lances de rebatizarem “as crias” com novos nomes (ou melhor, títulos).
    Acho que “Os Herdeiros” do Cacá Diegues teve seu título original mudado por problemas com a censura. Na época, usar uma locução tão ligada à letra do nosso Hino Nacional como era o título previsto, “O Brado Retumbante”, não era bem aceito pelos milicos, e consequentemente pela censura. Embora tenha sido lançado um romance do Flávio Moreira da Costa ainda naqueles anos de chumbo (verdade que foi alguns anos depois de “Os Herdeiros”) chamado “Às Margens Plácidas”, mas era um enredo sobre alienação sem nenhuma menção direta à política ou à História do país.
    Aliás, acho que pode até redundar em um post os usos de trechos do Hino em livros ou filmes: Ana Maria Machado tem um romance que se chama “O Tropical Sol da Liberdade”. A peça de Roberto Atahyde, “Apareceu a Margarida”, ia se chamar “Do que a terra Margarida” e por aí vai…

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