Sylvio Back para rodar

Se todos os cineastas brasileiros zelassem por sua obra da maneira como Sylvio Back zela pela sua, a situação do nosso acervo estaria bem melhor. A maioria dos realizadores – e mesmo produtores – nunca se importou muito com a preservação e a circulação de seus filmes para além do momento em que estes ficam prontos e são lançados. A falta de recursos, mas também de uma cultura voltada para a memória, faz com que os filmes recentes passem rapidamente a um plano de fundo, enquanto luta-se para criar e viabilizar o próximo.

Sylvio Back é dos poucos que estendem esses cuidados no tempo. Sempre atuante como produtor de si mesmo, ele mantém estreita monitoração dos seus negativos e cópias depositados na Cinemateca Brasileira. Há oito anos, o seu primeiro longa, Lance Maior, foi restaurado pelo recém-falecido Francisco Sérgio Moreira para a exibição comemorativa dos 40 anos do filme no Festival de Brasília.

Na comercialização, Back também faz o que pode. Desde os tempos do VHS, ele consegue lançar seus filmes em coleções bem editadas no mercado de home video. Eu ainda tenho as caixonas de VHS lançadas pela CIC Vídeo nos anos 1990, na série “Filmes de Sylvio Back”. Há poucos anos, a Versátil botou nas lojas e locadoras o primeiro volume da Cinemateca Sylvio Back, com seis filmes do autor gravados em três DVDs repletos de extras. Lá estavam Aleluia, Gretchen, Rádio Auriverde, A Guerra dos Pelados, Guerra do Brasil, Cruz e Sousa – o Poeta do Desterro e Yndio do Brasil.

Agora chega pela Versátil o volume 2, contendo mais três discos que reúnem outros seis filmes: Lance Maior, República Guarani, Revolução de 30, Lost Zweig e os mais recentes O Contestado – Restos Mortais e O Universo Graciliano. Como bônus, dessa vez, apenas o making of do belo Lost Zweig. Para o diretor, o título “Cinemateca Sylvio Back” remete “a um estilo único de mesclar ficção, filmagem ao vivo e material de arquivo, tudo dentro de uma narrativa equidistante das paixões de seu tempo.”

Disponibilizar os trabalhos na internet não está entre os seus planos. “Nem preciso fazer isso, pois os filmes já foram roubados e estão no Youtube”, ironiza. Justamente para salvaguardar os direitos autorais específicos dos diretores de cinema, Back é um dos fundadores e presidente da entidade Diretores Brasileiros de Cinema e do Audiovisual, que já reúne quase 170 cineastas brasileiros. A DCBA é uma sociedade de gestão dos direitos dos diretores audiovisuais de todo o mundo no território do Brasil. Além da arrecadação e distribuição dos direitos autorais, prioriza-se também a criação e manutenção de um fundo contínuo e de um trabalho de assistência social para seus diretores e diretoras associados.

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