Documentários em ‘portugueses’

Depois de emplacar como usina de bons documentários no Brasil, o programa DOCTV espalhou-se pela América Latina e agora chega à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Nesta sexta às 22h estreia na TV Brasil (sempre com reprise no sábado às 24h na TV Cultura) a série DOCTV CPLP. São nove docs realizados em quatro continentes e com exibição assegurada nas TVs públicas dos nove países participantes. Visualize um PDF com a grade de exibição no Brasil.

Uma Lulik, de Victor de Souza, foi o primeiro filme produzido e dirigido por um timorense desde a libertação do Timor Leste. Mais que viabilizar a realização de docs, o programa multilateral vem fomentando a criação de estruturas para produção audiovisual. Em Cabo Verde, Timor Leste e São Tomé e Príncipe, onde não havia sequer entidades do setor, o DOCTV propiciou a criação de institutos que agora se dedicarão a estimular a produção local. 

O DOCTV CPLP custou 900 mil euros, repartidos igualmente entre Brasil e Portugal. Os países africanos (Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe) e asiáticos (Timor Leste e Macau) foram apenas beneficiários dessa ação que visa alavancar a CPLP através do audiovisual e promover a isonomia entre as diversas regiões.

O filme brasileiro, exibido na noite de lançamento, terça passada, é Exterior, de Matias Mariani e Maíra Bühler, co-autores do premiado Elevado 3.5. Traça um perfil superficial de alguns estrangeiros recolhidos em um presídio brasileiro. Alguns deles têm certo carisma e as imagens são expressivas, mas o doc peca pela ausência de um foco mais afinado. A singularidade dos personagens, duplamente isolados por se encontrarem privados da liberdade e num país que não é o deles, passa ao largo do interesse dos diretores. Não fosse por uma única fala, nem saberíamos que o presídio fica no Brasil. Os relatos de memórias de infância, circunstâncias de seus delitos e condições de suas celas não se sustentam à falta do principal: o que são esses homens tão longe de suas raízes e como vivem sua extrema solidão? Assim sendo, cabe perguntar por que eles e não quaisquer outros presidiários. Uma ironia a mais: já que todos os personagens se expressam em línguas estrangeiras, a única relação do filme com a CPLP são… as legendas.

Mais bem sucedido foi Laura, de Felipe Barbosa, que representou o Brasil na segunda série do DOCTV Latinoamérica (ex-Iberoamerica). Esta já se encontra no ar desde agosto, toda quinta-feira às 23h na TV Brasil. Os 14 países latino-americanos participantes dividiram equitativamente os custos e benefícios do programa.     

2 comentários sobre “Documentários em ‘portugueses’

  1. Meu caro,
    Fiquei muito feliz em ver o Mulheres destacado na sua coluna na Filme Cultura.
    Muito feliz mesmo.
    Concordo com você sobre a navegabilidade e o design, mas é que o site ficou gigante e precisarei mexer muito nele para ficar bacana, como acho, modestamente, que seja bacana o conteúdo.
    Só que está faltando grana, pois faço tudo sozinho.
    Mas saiba que minha meta é resolver esses problemas logo quando for possível.
    Mais uma vez, muito obrigado.
    Abs

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