Notícias do Camboja

Nós, jornalistas e críticos, recebemos diariamente em nossas caixas postais um grande número de releases de imprensa sobre diversos assuntos. A maioria, infelizmente, é muito mal escrita e falha em destacar os pontos mais importantes do que pretende divulgar. Por isso vale a pena prestigiar exceções como esta, da Mostra Rithy Panh, que abre hoje (quarta) no CCBB-RJ e dia 6/11 no CCBB-SP. O release é tão bom – informativo, aprofundado, abrangente – que preferi transcrevê-lo na íntegra. Antes, porém, deixo os links de textos que já escrevi sobre filmes desse diretor que botou o Camboja no mapa do cinema mundial:

S21 – A Máquina de Morte do Khmer Vermelho
Papel não Embrulha Brasas
Duch, O Mestre das Forjas do Inferno
Uma Barragem Contra o Pacífico 

O release

Premiado em diversos festivais internacionais, reconhecido pela dedicação em recuperar a memória recente de seu país e por estimular a produção cinematográfica local, o cineasta cambojano Rithy Panh será homenageado pelo Centro Cultural Banco do Brasil com uma retrospectiva composta por seus principais trabalhos, num total de 11 filmes, desde Site 2, o primeiro, vencedor do Grande Prêmio do documentário no festival de Amiens, até seu último longa metragem, A imagem que falta (L’image manquante), que recebeu o prêmio Un certain regard no Festival de Cannes 2013.  A programação inclui também seis filmes de diretores cambojanos produzidos por Panh e recomendados por ele. Completa a programação, o documentário Tio Rithy (Oncle Rithy), de Jean Marie Barbie, sobre o diretor.

Entre os destaques da mostra, que tem curadoria de Carla Maia e Luis Felipe Flores e apoio da institucional Embaixada da França no Brasil, está o clássico S21 – A máquina de morte do Khmer Vermelho (S-21 – La machine de mort Khmer Rouge, 2003), um dos documentários políticos mais importantes do século XXI, vencedor do Human Rights Awardse do François Chalais, em Cannes, em 2004, entre outros prêmio internacionais. O filme é feito com os poucos sobreviventes do S21, centro de detenção onde morreram perto de 20 mil pessoas, durante o regime do Khmer Vermelho. Panh conseguiu escapar do país quando tinha 19 anos, fugiu para a Tailândia e, um ano depois, foi para Paris onde estudou cinema.  Após esse filme, o governo do Camboja e as Nações Unidas foram finalmente obrigados a reconhecer o genocídio do Khmer Vermelho, até então “esquecido” pelas autoridades.

Desde sua estreia no cinema, com Site 2, todos os filmes dirigidos por Panh têm como questão central o genocídio do Camboja. “Depois desse primeiro filme, Panh não cessou de voltar às mesmas questões – como foi possível um acontecimento tão funesto, como recuperar o que se perdeu? Para Panh, trata-se de enfrentar a história, lutar contra o esquecimento, para que todos os que foram sacrificados não tenham morrido em vão. O diretor considera que o futuro não será possível sem o luto e sem que a memória seja redimida por um justo julgamento. É igualmente importante na obra do cineasta o resgate da identidade e da cultura do Camboja, massacrados pelo genocídio cometido pelo Khmer Vermelho”, observam os curadores Carla Maia e Luis Felipe Flores.

Em 1994, Panh realiza seu primeiro longa de ficção, Condenados à esperança (La gens de la riziére), nomeado à Palma de Ouro em Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1995. Ao narrar a luta de uma família de agricultores de arroz contra a miséria e a doença, o cineasta reabilita a memória camponesa do Camboja. Durante a ditadura do Khmer Vermelho, até mesmo o nome das plantas de arroz e seus significados foram erradicados. Como em seus demais trabalhos ficcionais, há neste filme uma forte ligação com seus documentários – e com as histórias reais que apresentam. Os diálogos são baseados nos depoimentos recolhidos durante as filmagens de Site 2. A protagonista do filme, Yim Om, leva o mesmo nome de uma mulher que, durante a realização de Site 2, lhe falou sobre a dor de ter sobrevivido, a vulnerabilidade do cotidiano dos refugiados e do arrozal que teve de abandonar.

Os arrozais também estão presentes em Uma noite após a guerra (Un soir après la guerre, 1998), indicado ao prêmio Un Certain Regard. Agora, eles estão no passado da protagonista, que é obrigada a deixá-los para ganhar a vida como prostituta na cidade. Em A terra das almas errantes (La Terre dês ames errantes, 2002), Panh continua seu longo caminho pela memória do genocídio, desta vez relacionando-a com a inserção do país na economia de consumo globalizada. Vencedor do prêmio de melhor filme no mais importante festival dedicado ao documentário na França, o Cinema Du Réel, o filme trilha o caminho entre a fronteira vietnamita e a tailandesa, por onde passará uma rede de fibra ótica e onde ainda encontram-se bombas da época do regime de Pol Pot.

A memória cultural do Camboja é preocupação do documentário Os artistas do teatro queimado (Les artistes du théâtre brûllé, 2005), que estreou no festival de Cannes. Em um dispositivo fílmico semelhante ao de S-21, em que a rememoração se dá tanto nos depoimentos quanto na reencenação do vivido, Panh apresenta a luta dos artistas de uma companhia de teatro pela permanência de sua arte mesmo depois de um incêndio no teatro onde ensaiavam.

Em seus filmes mais recentes, Panh se volta à figura feminina e aos destinos impostos pela fome: a prostituição e a insanidade. Papel não embrulha brasas (Le papier ne peut pás envelloper la braise, 2007), melhor documentário no European filmAwards, é um retrato duro da prostituição no Camboja. Uma barragem contra o Pacífico(Un Barrage contre le Pacifique, 2008), uma adaptação do romance homônimo de Marguerite Duras, com Isabelle Hupert no elenco, narra a história de uma mãe que, depois de se dedicar a um insano projeto de construção de um dique para barrar a água que destrói suas plantações, vê, no romance de sua filha com um jovem rico, uma possibilidade de escapar da vida miserável.

Em Duch, o mestre das forjas do inferno  (Duch, le maître des forges del’enfer, 2011), também exibido no Festival de Cannes, o diretor entrevista Duch, um ex-chefe do centro de extermínio S-21, que atualmente está sendo julgado por seus crimes. Em seu mais recente trabalho, A imagem que falta (L’image manquante), Panh utiliza dois recursos inéditos em sua obra: o uso de miniaturas de argila para recompor cenas de seu passado e  narração em primeira pessoa. Sua declaração sobre esse filme resume bem o conjunto de sua obra: “Há tantas imagens no mundo, que acreditamos ter visto tudo. Pensado tudo. Há muitos anos que procuro uma imagem que falta. Uma fotografia tirada entre 1975 e 1979 pelos Khmers vermelhos, quando dirigiam o Camboja. Claro, por si só, uma imagem não prova o crime massivo; mas faz pensar; faz meditar. Ajuda a construir a história. Procurei-a em vão nos arquivos, nos documentos, nas aldeias do meu país. Agora eu sei: essa imagem deve faltar; e não a procurava – não seria obscena e sem significado? Então fabrico-a. O que eu ofereço hoje não é uma imagem, ou a busca de uma única imagem, mas a imagem de uma busca: aquela que o cinema permite. Algumas imagens devem continuar a faltar, devem sempre ser substituídas por outras: nesse movimento encontra-se a vida, o combate, a pena e a beleza, a tristeza dos rostos perdidos, a compreensão daquilo que existiu; por vezes a nobreza, e até a coragem: mas o esquecimento, nunca.”

Rithy Panh é cofundador do Bophana Audiovisual Resource Center e produtor de diversos filmes. Na mostra serão apresentados seis deles: O khmer vermelho e o pacifista  (Le khmerrouge e le non-violent, 2011), Cinco vidas (Fivelives, 2010), Casamento vermelho  (Red wedding,2012), Por onde eu vou (Where I go, 2012), O último refúgio (The last refuge, 2013) e O sono de ouro (Le sommei d’or, 2011). É possível identificar, nesses trabalhos, a influência do cinema de Panh, tanto em aspectos temáticos (a maior parte também trata do genocídio) quanto formais (a economia de recursos, o investimento na palavra, a recusa do drama).

Programação – CCBB Rio de Janeiro

30/10 – quarta
15h30 – Site 2 (1989) – 92’
17h30 – O sono de ouro (2011) – 96’
19h30 – A imagem que falta (2013) – 95’

31/10 – quinta
15h30 – Cinco vidas (2010) – 93’
17h30 – Papel não embrulha brasas (2007) – 90’
19h30 – S21, a máquina de morte do Khmer Vermelho (2003) – 101’

01/11 – sexta
15h30 – O khmer vermelho e o pacifista (2011) – 88’
17h30 – Os artistas do teatro queimado (2005) – 82’
19h30 – Condenados à esperança (1994) – 125’

02/11 – sábado
16h – Bophana, uma tragédia cambojana (1996) – 59’
17h15 – Duch, o mestre das forjas do inferno (2011) – 110’
19h15 – Uma noite após a guerra (1998) – 108’

03/11 – domingo
16h – O último refúgio (2013) – 55’
17h15 – Tio Rithy (2008) – 94’
19h – Uma barragem contra o Pacífico (2008) – 115’

04/11 – segunda
15h30 – Por onde eu vou (2012) – 55’
16h45 – Casamento vermelho (2013) – 58’
18h – Site 2 (1989) – 92’
19h45 – S21, a máquina de morte do Khmer Vermelho (2003) – 101’

06/11 – quarta           
15h30 – Bophana, uma tragédia cambojana (1996) – 59’
17h – Duch, o mestre das forjas do inferno (2011) – 110’
19h15 – Debate: Anita Leandro e Carla Maia e Luís Felipe Flores

07/11 – quinta             
15h30 – Tio Rithy (2009) – 94’
17h30 – A terra das almas errantes (2000) – 106’
20h – Papel não embrulha brasas (2007) – 90’

08/11 – sexta
15h30 – Cinco vidas (2010) – 93’
17h30 – Uma barragem contra o Pacífico (2008) – 115’
20h – Os artistas do teatro queimado (2005) – 82’

09/11 – sábado
16h – Por onde eu vou (2012) – 55’
17h30 – O khmer vermelho e o pacifista (2011) – 88’
19h30 – Uma noite após a guerra (1998) – 108’

10/11 – domingo
16h – A terra das almas errantes (2000) – 106’
18h – Casamento vermelho (2013) – 58’
19h15 – A imagem que falta (2013) – 95’

11/11 – segunda
16h – O último refúgio (2013) – 55’
17h30 – O sono de ouro (2011) – 96’
19h30 – Condenados à esperança (1994) – 125’

Filmes de Rithy Panh

1) SITE 2 (1989, 86 min, França e Alemanha Ocidental, 16mm, 16 anos)
No Camboja, após a queda do príncipe Sihanouk em abril de 1975, os khmers vermelhos tomaram o poder. Dois a três milhões de pessoas foram executados ou caçados no país. Rithy Panh, que conheceu com 15 anos os campos de refugiados, retornou 10 anos depois para filmar um desses locais, instalado ao longo da fronteira tailandesa. Ele se vincula a Yim Om, uma mãe que fugiu do Camboja e passou por vários campos até se instalar em Site 2, com cerca de 4,5 quilômetros quadrados e 180.000 refugiados. Ela enfrenta com coragem os problemas cotidianos de abastecimento, saúde e, sobretudo, a ociosidade. Experimenta a espera e a nostalgia. O cineasta constrói o retrato perturbador de uma mulher que, apesar de uma vida cotidiana extremamente precária, tenta guardar sua humanidade e dignidade.

2) CONDENADOS À ESPERANÇA (La gens de la riziére, 1994, 125 min., França e Alemanha, 35mm, 12 anos)
A vida de Vong Poeuv e de sua família, suas alegrias e suas crenças, giram em torno do cultivo de arroz. A terra é pequena, a família numerosa e as crianças crescem. O equilíbrio é frágil, e basta um incidente trivial para que o ciclo de vida se transforme em ciclo de tragédia.

3) BOPHANA, UMA TRAGÉDIA CAMBOJANA (Bophana, une tragédie cambodgienne, 1996, 59 min., França, 14 anos)
Neste documentário realizado como pesquisa, Rithy Panh retorna aos anos sombrios do regime Khmer Vermelho no Camboja. Ele segue a história trágica e real de um jovem casal de intelectuais que será aprisionado e executado no centro de detenção S21: Bophana e seu marido. Revoltado pela corrupção do regime Sihanouk, o marido de Bophana se reúne com os maquisards comunistas. Separados, os dois amantes trocam numerosas cartas de amor. Reencontram-se antes da queda de Phnom Penh, mas a felicidade dura pouco. Denunciados, detidos, torturados e coagidos com mentiras, o casal é executado em 1976. A partir das correspondências, fotos e textos encontrados acerca do caso no S21, Rithy Panh percorre a narrativa emblemática da história difícil de todo um povo.

4) UMA NOITE APÓS A GUERRA (Un soir après laguerre, 1998, 108 min., França e Camboja, 35mm, 16 anos)
Situado na recém-pacificada Phnom Penh, no Camboja, o filme aborda o retorno de soldados cambojanos à vida civil. Inicialmente segue três deles, até se concentrar em Savannah, jovem que tenta dar sentido à sua nova situação. Ele e seu tio, com o qual passa a morar, são os únicos sobreviventes de uma grande família. Apesar das tentações, ele decide não voltar-se para uma vida de pequenos crimes, e tenta traçar seu caminho como lutador de kickboxing. Ele encontra Srey Poeuv, garçonete de 19 anos que sonha em ser rica e tem vergonha de sua condição social. Inicialmente ela resiste aos avanços, mas não resiste à devoção e perseverança de Savannah. A história deles é a de um país danificado, no difícil processo de renovação.

5) A TERRA DAS ALMAS ERRANTES (La Terre dês ames errantes, 2000, 106 min., França, Digital, 16 anos)
O filme acompanha uma família cambojana que trabalha na escavação de uma trincheira, onde será instalada a primeira rede de fibra óptica do país. Durante o processo, os trabalhadores descobrem um campo de matança remanescente dos expurgos genocidas do regime Khmer Vermelho. Rithy Panh faz um retrato sensível desses homens e mulheres, marcado pelo contraste entre seus sofrimentos e as autoestradas da informação num mundo subdesenvolvido.

6) S-21, A MÁQUINA DE MORTE DO KHMER VERMELHO (S-21, La machine de mort Khmer Rouge, 2003, 101 min, França e Camboja, 35m, exibição digital, 16 anos)
Sob a liderança de Pol Pot, perto de 20.000 pessoas são aprisionadas, torturadas e executadas entre 1974 e 1979, no centro de detenção S21. Somente sete pessoas não foram assassinadas nesse período, e dessas apenas três ainda estão vivas. Rithy Panh tenta compreender como a parte comunista do Kampuchea Democrático organizou e colocou em prática sua política de eliminação sistemática. Durante aproximadamente 3 anos, o diretor desenvolveu uma longa pesquisa junto aos raros sobreviventes e aos antigos funcionários do Estado. Ele convenceu uns e outros a confrontarem seus testemunhos no mesmo lugar onde ficava o antigo S21, convertido em museu do genocídio. Diante de carrascos e vítimas, o cineasta lidera uma reflexão emocionante sobre a mecânica totalitária.

7) OS ARTISTAS DO TEATRO QUEIMADO (Les artistes duthéâtre brûllé, 2005, 82 min., França e Camboja, Digital, 12 anos)
O Camboja é uma terra de sonhos destruídos. Apesar da ausência de teatros e casas de espetáculos, alguns artistas resistem. O documentário retrata o caso particular do Teatro Suramet de Phnom Penh, sala construída em 1966, no período de paz. O regime Khmer Vermelho viria a utilizá-lo para seus eventos de propaganda. Foi recuperado por profissionais de teatro, música e dança, mas acabou devastado por um incêndio acidental em 1994. Desde então, está abandonado. O mais espantoso, no entanto, é que o edifício se mantém vivo, desesperadamente vivo, através do grupo de atores que lá permanecem com uma existência austera, repartida entre ensaios e apresentações precárias para turistas. Às vezes, para se alimentarem, caçam pequenos morcegos no sótão, acrescentando-os a suas refeições.

8) PAPEL NÃO EMBRULHA BRASAS (Le papier ne peutpás envelloper la braise, 2007, 90 min., França, Digital, 16 anos)
O cineasta cambojano Rithy Panh acompanha aqui o processo de exclusão social de uma prostituta, que se sente impedida de voltar à cidade natal por medo de que os habitantes saibam o que ela fazia para sobreviver em Phnom Penh. Nesse contexto, a decadência do corpo iguala-se a uma espécie de morte civil.

9) UMA BARRAGEM CONTRA O PACÍFICO  (Un Barragecontre le Pacifique, 2008, 115 min., França, Camboja e Bélgica, 35mm, 12 anos)
Em 1931 uma viúva francesa vive com seus dois filhos na Indochina colonial. Todo o dinheiro da família foi investido na compra de terras, que se revelaram inférteis, e que são anualmente inundadas pelo mar. Na luta contra os burocratas corruptos que a passaram para trás, ela empreende o impossível projeto de construir uma barragem entre sua propriedade e o oceano, no qual conta com a ajuda dos camponeses. Enquanto isso, sua filha Suzanne desperta o interesse do chinês M. Jo, filho de um poderoso homem de negócios.

10) DUCH, O MESTRE DAS FORJAS DO INFERNO (Duch, lemaître des forges de l’enfer, 2011, 110 min, França e Camboja, Digital, 12 anos)
Kaing Guek Eav, mais conhecido como Duch, foi por quatro anos diretor da M13, prisão controlada pelo Khmer Vermelho na década de 1970. Como secretário do partido coordenou um sistema de torturas e execuções, sendo considerado responsável pelo assassinato de mais de 12 mil pessoas. Levado à corte internacional por seus crimes, ele foi peça-chave na revelação sobre como funcionava e agia o Khmer Vermelho.

11) A IMAGEM QUE FALTA (L’image manquante, 2013, 95 min, França e Camboja, 14 anos)
Realizado a partir do livro L’Emination, de Christophe Bataille, a nova obra do cambojano Rithy Panh evoca em primeira pessoa um episódio recorrente em sua obra: o genocídio khmer, que dizimou sua família e transtornou sua infância. Após anos de buscas por imagens ou fotos que exprimissem a dor e o sofrimento do período, o diretor resolveu criar suas próprias, na composição de um filme que, segundo a definição do próprio, “não é a imagem final, nem a busca de uma única imagem, mas a imagem objetiva de uma busca: a busca que o cinema permite”. Prêmio Um Certo Olhar de Cannes 2013.

Filmes de outros diretores

1) O KHMER VERMELHO E O PACIFISTA (Le khmerrouge et le non-violent, 2011, 88 min, Digital, 16 anos)
Direção: Bernard Mangiante
Um novo tribunal no ainda devastado território do Camboja. Perante os juízes, um dos piores criminosos do século XX: Duch, um dos líderes do Khmer Vermelho e chefe do centro de tortura S21. 16.000 presos, sete sobreviventes. Ao seu lado, dois advogados indicados pelo tribunal confrontados com o desafio de defendê-lo. “Cada pessoa doente tem direito a um médico”, diz KarSavuth, o cambojano que sobreviveu às prisões doregime. “Eu sempre tento buscar o homem dentro do torturador”, diz François Roux, um discípulo de Gandhi e defensor dos apoiadores da desobediência civil e da não-violência nos últimos trinta anos.

2) CINCO VIDAS (Five lives, 2010,  93 min, Digital, 16 anos)
Direção: Sopheak Sao, SarinChhoun, Lida Chan, Katank Yos, Kavich Neang
Cinco jovens diretores cambojanos seguem cinco vidas em Phnom Penh, capital do Camboja. Os filmes foram produzidos durante um workshop de documentário liderado por RithyPanh.

3) CASAMENTO VERMELHO (Red wedding, 2012,  58 min, Digital, 16 anos)
Direção: Guillaume Suon e Lida Chan. Produção: Rithy Panh.
Vencedor do prêmio de Melhor Documentário Média-metragem no ano de 2012, no Festival Internacional de Filmes Documentários de Amsterdam. Casamento vermelho narra a história de Sochan Pen, que guardou um terrível segredo por mais de 30 anos: de que ela foi forçada a se casar com um homem muito mais velho, um soldado, pelo Khmer Rouge, com a idade de 16, e em seguida estuprada e espancada na noite de núpcias, antes de escapar. Quatro décadas depois,Sochan, que agora cultiva arroz em um antigo campo de extermínio (onde corpos decompostos ainda estão desenterrados), leva sua queixa à ONU. Ao fazê-lo, ela fala para as mais de 4.000 mulheres que sofreram um destino semelhante durante o regime e viveram suas vidas em vergonha e terror. 

4) POR ONDE EU VOU (Where I go, , 2012, 55 min., Digital, 16 anos)
Direção: Kavich Neang
San Pattica é filho de uma cambojana e um camaronês. Seu pai foi trabalhar no Camboja em 1992-1993, no período da primeira eleição no Camboja, após a queda do regime do Khmer Vermelho. Desde que seus pais saíram de casa,Pattica foi criado por sua avó. No entanto, ela foi forçada a trazer Pattica para estudar e viver em um orfanato em Phnom Penh, e ele quis aprender sobre sua própria identidade, devido à discriminação sofrida por ele no dia-a-dia.

5) O ULTIMO REFÚGIO (The last refuge, 2013, 55 min., Digital, 14 anos)
Direção: Anne-LaurePorée
O filme acompanha a resistência dos Bunong, que vivem há séculos nas colinas do leste do Camboja, confrontando a alienação e a aniquilação por empresas estrangeiras que roubam suas terras, destroem suas florestas sagradas e seus cemitérios tradicionais, a fim de cultivar plantas de borracha. No início de 2010, um grupo de “resistentes” refugiou-se na terra de seusantepassados , no coração da floresta, e recriou um campo fundado no respeito pelos valores Bunongtradicionais.

6) O SONO DE OURO (Le Sommeil d’or, 2011, 96 min., Digital, 14 anos)
Direção: Davy Chou
Uma investigação sobre a herança cinematográfica perdida do Camboja, o filme é uma história oral, com relatos em primeira mão do surgimento e florescimento do cinema no país nos anos 60, tal como descrito por diretores como Lu Bun Yim, LyYou Sreang, a ex-atriz Dy Saveth (a primeira estrela de cinema cambojana, que agora ganha a vida como professora de dança), e dois cinéfilos cambojanos de meia-idade que falam em um café sobre os anos de glória. As entrevistas são intercaladas com visitas a antigos cinemas de Phnom Penh, que foram convertidos em clubes de karaokê e restaurantes.

7) TIO RITHY (Oncle Rithy, 2008, 94 min., Digital, 16 anos)
Direção: Jean-Marie Barbe
Em Sihanoukville, durante as filmagens de seu filme “Uma barragem contra o Pacífico”, o cineasta cambojano Rithy Panh fala sobre os vinte anos de seu cinema, de “Site 2” a “Os artistas do teatro queimado”, atravessando o filme mais emblemático de seu trabalho, “S21”. Entre lições de cinema e reflexões sobre o gênero documentário, o filme traça os limites morais e éticos do cinema.

O CINEMA DE RITHY PANH
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil e Goethe-Institut
Curadoria: Carla Maia e Luis Felipe Flores
Produção: Patrícia Mourão
Apoio Institucional: Embaixada da França no Brasil
www.bb.com.br/cultura
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
30 de outubro a 11 de novembro 2013 (quarta a segunda-feira)
Rua Primeiro de Março 66, Centro, tel (21) 3808-2020
Salas de Cinema 1 (98 lugares) – Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia).

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