Em fevereiro de 2012 voltei à Índia pela segunda vez como jurado da Fipresci no Festival de Documentários e Animação de Mumbai. Aproveitei a oportunidade para conhecer o sul do país, que ficara devendo da viagem de 2005. O sul é bem diferente do resto da Índia – mais relax e ao mesmo tempo mais religioso, embora a capital mística esteja lá em cima, em Varanasi.
Nesse périplo, desembarquei no aeroporto de Bangalore, a meca da Índia tecnológica, mas sem me interessar muito por ela. Queria seguir em frente rumo às cidades mais singulares daquela rota. Nesse vídeo, ocupo-me de Mysore, capital de um antigo reino e tida como um dos lugares mais fascinantes da Índia.
No caminho, a parada obrigatória é Dariya Daulat Bagh, o Palácio de Verão do Sultão Tipu, na localidade de Srirangapatna. Cercado de jardins luxuriantes, o interior do palácio está vedado às câmeras, mas assim mesmo consegui contrabandear alguns flashes das paredes abundantemente decoradas. O anexo Mausoléu do Sultão é outra construção de grande beleza.
Estrada adiante, eu e meu guia-motorista Kiram chegamos à buliçosa Mysore, onde embarquei num típico tuk-tuk para percorrer as ruas até o Mercado Devaraja, que há mais de um século abastece os mysoreanos de gêneros alimentícios, especiarias, flores para as cerimônias religiosas, sândalo e mais o que um indiano possa precisar. A caminhada entre suas barracas é um tour pelas cores e aromas das mil e uma noites.
Os Jardins Brindavan são uma mega-atração popular de Mysore, com um grande espelho d’água onde à noite um espetáculo de jorros, luz e música faz as delícias do público.
Mas o grande must da cidade é mesmo o Mysore Palace, um belíssimo “bolo de noiva” ornado com cúpulas vermelhas e milhares de lâmpadas pelas paredes. É o lugar onde todos os visitantes se sentem obrigados a fazer fotos, selfies e poses. Em função de reformas, as visitas, infelizmente, estavam limitadas às galerias externas, mas estas já eram suficientes para medir a riqueza da decoração.
Erigido no início do século XX, no lugar de um antigo forte que servia de sede para o Reino de Mysore, o Palácio Mysore é tido como um dos mais formosos da Índia, seguindo-se ao Taj Mahal. O templo do palácio, dedicado a Krishna, está constantemente coalhado de fiéis. Bem ao lado, passeios em lombo de camelos e elefantes fazem o contraponto profano.
A Colina Chamundi é outro ponto turístico de Mysore, com mais um templo hinduísta frenético. No entanto, o templo mais impressionante de todos é o Chennakeshava (ou simplesmente Kesava), na localidade de Somanathpur. O conjunto arquitetônico em forma de estrela data do século XIII e é famoso pelas intrincadas esculturas e entalhes em pedra-sabão ao longo de todas as paredes externas e galerias. Uma obra-prima da arquitetura do Império Hoysala.
Um jantar com Kiram no restaurante do Lalitha Mahal Palace Hotel me deu a chance de conhecer mais um prédio suntuoso: o palácio construído em 1921 pelo Marajá Krishnaraja Wodeyar IV.
Em todas as nossas paradas, minha câmera MiniDV atraía a atenção, os sorrisos e a simpatia das crianças. Elas estão no vídeo, assim como o idoso sadhu com seu tamborzinho e o incrível menino-macaco que reporta ao deus Hanuman.
Vejam e curtam a trilha sonora com músicas do prolífico A.R.Rahman (trilheiro de Bollywood), de Anoushka Shankar (filha de Ravi Shankar) e da Bombay Dub Orchestra.






Amei os seus vídeos sobre a Índia! Estive lá em 1996 e, naquela época, eu não possuía uma filmadora. Trouxe inúmeras fotos, mas seus vídeos me trouxeram de volta os sons da Índia, seguramente onde fiz uma das melhores viagens da minha vida. E, sim, concordo muito com você: os indianos são muito doces!
A Índia é insuperável. Fico feliz que meus vídeos lhe tenham reacendido a memória da sua viagem.