Fim de semana à deriva

NINO DE SEXTA A SEGUNDA

A sinopse de Nino de Sexta a Segunda (Nino) pode sugerir um desses filmes deprimentes sobre personagens com doenças graves. Na sequência de abertura, véspera de aniversário de 29 anos, Nino (Théodore Pellerin) recebe o diagnóstico de câncer na garganta. O tratamento vai começar dali a dois dias. Ele recebe também um recipiente onde deverá colher esperma se quiser ter filhos no futuro.

Aquele frasquinho de plástico vai atravessar o filme como um índice da dificuldade de Nino em lidar com a notícia e também como um elemento quase cômico. Numa das últimas cenas, a literatura erótica de Anaïs Nin terá um papel, digamos, excitante.

Nino é um rapaz introspectivo, e o filme se associa a sua solidão nas caminhadas por Paris enquanto a vida corre indiferente ao seu estado. Muitas coisas dão errado nesse fim de semana pré-quimioterapia, a começar pela perda da chave do seu apartamento, o que o deixa à deriva pela cidade. Falta-lhe coragem para dividir a novidade com a mãe (Jeanne Balibar), a ex-namorada (Camille Rutherford) e o melhor amigo (William Lebghil). Uma festa surpresa de aniversário armada para ele e o encontro com uma ex-colega de colégio (Salomé Dewaels) são oportunidades de reconexão emocional de que ele se vale meio desajeitadamente.

Os diálogos quase sussurrados e a relativa desdramatização do assunto fazem o filme fluir com certa leveza. A perspectiva de um longo tratamento ou mesmo da morte apenas sugere a Nino perguntas e curiosidade sobre sua história, o pai falecido, etc. Pode ser até que alguns julguem o roteiro da diretora Pauline Loquès (estreante em longas) e de Maud Ameline um tanto cool demais, assim como a personalidade de Nino. É parte do projeto, que inclui uma divertida participação especial de Mathieu Amalric e o uso mais inusitado possível para um baby phone.

>> Nino de Sexta a Segunda está nos cinemas.

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