Cinema de bicho

O cinema tem no chamado POV (point of view) um dos seus recursos mais fetichistas. É quando a câmera assume explicitamente o ponto-de-vista de um personagem. Na verdade, isso é tão rotineiro que não registramos mais no filme nosso de cada dia. Mas a coisa salta aos olhos (literalmente) quando o POV é usado extensivamente como expediente dramático. Recentemente, vimos isso em O Escafandro e a Borboleta, quase inteiramente filmado do POV de um homem paralisado. Lembro de Terror Cego, de Richard Fleischer, que mostrava o perigo na perspectiva de uma moça cega! Os exemplos são numerosos.

Vez por outra, o cinema mimetiza também o POV de animais. No doc Migração Alada, câmeras foram de fato transportadas em pleno voo por pássaros treinados. Mas nada disso se compara ao que Douglas Duarte me mostrou recentemente. É o Museum of Animal Perspectives, criado pelo artista Sam Easterson. Sam grudou microcâmeras em lobos, vacas, bisões em luta, tarântulas, falcões e até moscas. Os pequenos vídeos estão também no Flickr, catalogados por tipo de animal.

Não sei se alguém terá interesse em ver exatamente como desliza um jacaré num pântano ou como um falcão aterrissa, com os sons correspondentes. Mas uma coisa é certa: expressões como “bird’s eye view” e “a fly on the wall” nunca mais serão meras metáforas na linguagem do cinema.

P.S. O site do M.A.P. traz ainda vídeos de observação. Num deles, um rinoceronte ataca a câmera (controlada remotamente, é claro). É assustador.   

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