“Distrito 9” e a nova ficção

Nos cerca de 40 minutos iniciais está o que realmente me interessou em Distrito 9. Pois este é um filme que sobrevive da sua premissa: um contingente de alienígenas chega a Johanesburgo e é isolado pelos humanos numa espécie de acampamento de refugiados. O roteiro é hábil e sucinto na criação de uma metáfora não só para o antigo apartheid sul-africano, mas para o drama dos imigrantes, refugiados, proscritos de todas as naturezas. Vêm à mente desde Guantánamo às periferias das grandes cidades.

District 9

O processo decorre inevitável: guetificação, favelização, vigilância, repressão, surgimento do apelido, exploração pelo submundo local. O interessante personagem do agente Van De Merwe (nome típico dos afrikaners brancos) aos poucos se converte num boneco de game, acompanhando a mutação do filme de parábola sociológica em mero gato-e-rato, barulhento e hiperativo.

Mas antes que isso aconteça, lá naquela parte inicial, Neill Blomkamp narra os acontecimentos à maneira de documentários e telejornais. Esse procedimento, longe de conferir “autenticidade” ao que se vê, apenas lança mão de uma lógica expositiva que virou, em si, um tipo de espetáculo. Vemos aquele picadinho de narrações, cabeças falantes, flagrantes rápidos em vídeo precário etc como uma forma de fabulação que está no nosso cotidiano. Tão funcional e dramática como qualquer outro conteúdo. A linguagem documental ou jornalística não mais contamina a ficção com uma impressão de verdade. Ela é a nova ficção.

2 comentários sobre ““Distrito 9” e a nova ficção

  1. Bom registrar aqui a sua opinião, Filipe. Distrito 9 tem muitos fãs apaixonados como você. Fique ligado aqui no blog. Abraço!

  2. Antes queria deixar minhas congratulações pelo blog. Vi seu blog numa revista, vim, conferi e gostei bastante. Me considero um critico amador que adoraria ser um de verdade. Mas vamos ao comentario. Concordo muito em sua postagem, contudo eu gostei um pouco mais. Posso até ousar e dizer que foi genial e brilhante. Quando estava iniciando o filme “distrito 9” não esperava o quão bom seria o filme. Para mim foi IMPRESSIONANTE. Porém tenho apenas 20 anos de filme e ainda tenho muito o que ver e aprender. Achei bastante interessante como o diretor Neill Blomkamp consegui colocar de forma bem legal os problemas existente em favelas, como a Violência, Medo e Preconceitos sociais. Tambem achei bem interessante por possuir momentos de ternura a momentos de extrema ação, que o diretor Neill Blomkamp consegue juntar tudo isso e nos jogar na nossa cara o que é importante de fato, que é aceitar as diferenças. O desafio de aceitar diferença, de saber respeitar o que cada um é (humano ou não), acredita e segue são coisas que para alguns pode ser difícil, mas é necessário para a harmonia entre povos e o crescimento saudável de diferentes nações. Talvez com esse bom senso sobre tal assuntos em tempos antigos, grandes vergonhas poderiam ter sido evitadas.

    Abraços e parabens mais uma vez pelo blog

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