Cinema – alucinação: Os Verdes Anos

Publico aqui, em primeira mão no Brasil, um texto de Ariel Schweitzer, crítico da Cahiers du Cinéma, historiador e professor de cinema em Paris e Tel Aviv. CINEMA – ALUCINAÇÃO: OS VERDES ANOS por Ariel Schweitzer A principal razão pela qual decidi marcar presença na última edição do Festival de Locarno foi o tributo a Paulo…

A prósima reforma da ortografia portugeza

Dizem qe vem por aí uma nova reforma na escrita da língua portugeza. Pelo qe entendi, as coizas ficarão do jeito qe escrevo aqi: cada letra corresponderá a um fonema espesífico e só a ele. Não averá mais nesesidade dese “h” mudo antes do verbo aver. Nem “s” com valor de “z”, nem “l” dito…

Receita de silêncio

Não falar logo Não falar sempre Não falar muito Não falar tudo A fala é mãe do erro A fala é fã do engodo A fala é ré do enredo Pôr mansamente um silêncio antes da fala ou no lugar dela Acomodá-la, a fala, entre almofadas de silêncio A fala é frágil Alguém precisa protegê-la

A vida inútil

Na próxima quinta-feira, dia 16, completo 60 anos. Num passado não muito distante, esse marco me soava como algo extraordinário, uma espécie de passagem para a velhice. Hoje tenho impressão diferente. Por mais que o corpo acuse seus desgastes e a preguiça às vezes supere a disposição para fazer certas coisas, e mesmo o espírito…

Graças!

Se eu fosse uma pessoa célebre, um Caetano ou um Saramago, começaria hoje mesmo uma campanha contra o “muito obrigado”. Pensando bem, essa é uma das expressões mais estapafúrdias e ultrapassadas da língua portuguesa. Ora, alguém lhe faz um favor ou lhe dá um presente e você, à guisa de agradecimento, diz que se sente…

Cinema e cultura da violência

Texto de Maurice Capovilla, especial para o blog O que leva um menino de 10 anos a atirar na professora pelas costas e em seguida se suicidar? Será que a violência não está mais entranhada em nossa cultura do que pensamos?  Está disseminada na sociedade de forma explícita nos conflitos armados mas também  aparece diluída…

Fotografia e cinema

Começa hoje no Centro Cultural Correios, no Rio, a Mostra Fotocine, que pretende vasculhar as muitas relações entre cinema e fotografia fixa. Lá estão na programação, entre documentários e ficções, filmes em que o fotógrafo é o personagem principal, outros em que a fotografia fixa em si é o destaque, e outros ainda compostos basicamente de…

Minha resposta a Filipe Furtado

A discussão sobre o jovem cinema brasileiro, deflagada pelos artigos de Felipe Bragança e meu em O Globo, foi retomada no blog Anotações de um Cinéfilo, do crítico Filipe Furtado. Para quem não andou por lá, segue abaixo minha resposta ao post do Filipe: Parabéns, Filipe, pela pachorra em esmiuçar os subtextos dos dois textos. Não me importo…

Fábio Andrade: “Não há silêncio”

Entre os muitos comentários ao meu texto Menos silêncio, por favor, aqui está mais um que justifica um realce especial no blog. É do crítico Fábrio Andrade, da Revista Cinética: “Carlinhos, antes de mais nada acho bacana te ver entrar nessa discussão. Compartilho essa impressão de que há um certo desespero por afirmação em parte…

Filmes são incontornáveis

Faço aqui mais algumas considerações sobre o jovem cinema brasileiro em resposta à carta-comentário de Cezar Migliorin: Caro amigo Cezar Obrigado por tomar seu tempo com o comentário aqui no blog. Sua participação é um luxo. Por várias vezes já estivemos juntos em discussões sobre “esse cinema”. Posso até usá-lo como testemunha do meu apreço…

Cezar Migliorin destaca as redes

Pelo teor e extensão, destaco abaixo o comentário do cineasta, artista, crítico e professor Cezar Migliorin a respeito do meu artigo Menos silêncio, por favor.  Salve meu amigo, Visto a carapuça. Tenho apontado para esse cinema como algo importante no Brasil hoje. Me dediquei mais longamente a apenas quatro filmes; Avenida Brasilia Formosa, Pacific, Sábado à Noite e O…

Menos silêncio, por favor

(Artigo publicado hoje no caderno Prosa e Verso de O Globo) Tentei calar-me, mas fui vencido pela necessidade de dizer duas ou três coisas a propósito e a partir do artigo de Felipe Bragança no Prosa e Verso (O Globo) de sábado passado (leia aqui). É um texto articulado e vibrante, que faz um histórico…

Questão de identidade

As palavras são de Maurice Capovilla: “Precisamos reconquistar o espaço perdido no mercado brasileiro e manter a linguagem que conquistamos, caracterizada pela busca de novos meios de expressão. De posse de todos os recursos tecnológicos de que dispomos, é necessário garantir a nossa condição de autores, independentemente de o filme ser considerado comercial ou não,…

A imprensa em seus piores dias

Quem me segue no Twitter tem testemunhado minha recente vergonha com o diploma de jornalista. Não pela profissão em si, uma das mais nobres que existem, mas pelo sentido que ela tem adquirido na grande imprensa brasileira. Estou impressionado com a quantidade de jornalistas-carneirinhos que se prestam ao jogo sujo praticado pelos grandes jornais e…

Rubens Machado Jr. comenta “o novo coletivo”

O parceiro da conversa que inspirou meu post sobre o cinema e o “novo coletivo” enviou os seguintes comentários, que merecem o destaque na página da frente: Carlos, ótimo desenvolvimento da nossa conversa temos aqui! Vou tentar me explicar um pouco mais, não sei se tenho razão, só vejo com curiosidade e atenção ao fato…

O cinema e o “novo coletivo”

Os multiplexes, o Imax, o 3-D e os sistemas sofisticados de som estão lutando o bom combate, mas será que o futuro do cinema como fruição coletiva está com os dias contados? Eis uma pergunta que frequenta muitas conversas sobre o assunto. E não foi diferente em Salvador, na última sexta-feira, quando jantei com o…

Aforismos vagabundos

Definir aforismo: / Eis uma tarefa que mais me foge / Quanto mais cismo. Na verdade, isso foi só um exercício brincalhão. Aforismo não é tão difícil assim de definir: é uma afirmação curta e de alguma forma memorável, usada para comunicar um pensamento original ou espirituoso. E não necessariamente rimada. Etimologicamente, tem a ver…

Sylvio Back de volta às armas

Afastado dos documentários desde 1995, quando lançou Yndio do Brasil e Zweig: A Morte em Cena, Sylvio Back está de volta ao cinema do real com O Contestado – Restos Mortais, selecionado para o próximo Festival É Tudo Verdade. Back é um dos grandes do doc brasileiro, e sua proposta de publicar um ensaio sobre…

Os argentinos e nós

Uma das boas notícias da noite do Oscar foi a vitória inesperada de O Segredo dos seus Olhos na categoria de melhor filme em língua estrangeira. Surpresa não pela qualidade do filme, que é inequívoca, mas pelo franco favoritismo de A Fita Branca e O Profeta. Só sei que alguma coisa me alertava para uma…

Críticos –> cineastas –> críticos

No Meu Lugar é um filme que se define melhor pelo que não quer ser. Não quer ser filme de gênero, nem filme de arte. Não quer ser sociológico, nem político. Não quer ser um filme “representado”, nem experimental, nem linear. Não quer ser óbvio, mas também não quer ser obscuro. É um filme empenhado…