Eu Sou Carolyn Parker, a Boa, a Louca e a Bonita

Como ele mesmo conta aí embaixo, este é o primeiro texto de um possível novo resenhista de filmes. Só o tempo e os ventos dirão se Daniel F. Sroulevich, hoje trabalhando com produção, vai tomar gosto pela coisa.

Amigo da família de longa data e agora meu amigo, o crítico Carlos Alberto Mattos me chamou, como quem não quer nada, para fazer uma crítica. Explico: Estávamos na exposição de Fernando Pimenta – mago dos cartazes –, eu queria ver um filme, dei uma rápida olhada na programação e me deparei com a sinopse desse (era o de horário mais próximo). Comentário de Carmattos: “Meio déja vu, mas se quiser fazer uma crítica eu publico”. Aceitei, negando e titubeando… Afinal, crítico dos críticos como sou e com mãe escritora, pai jornalista e irmã com um blog sobre cinema, tava arrumando sarna pra me coçar.

Nos filmes documentários, o conteúdo me interessa mais que a forma. Ponto positivo para este sobre Carolyn. Fala de uma mulher que perdeu tudo, assim como milhares, com a enchente do Katrina, em 2005. O diretor, Jonathan Demme, estava atrás de um(a) personagem em uma área pobre da cidade e conseguiu. A única que não quis ir para um abrigo: “Só saio da minha casa de baixo do meu cadáver”. O Governo empresta um trailer e com a filha (que estudava em outro estado e volta para ficar com a mãe) e o filho (que larga o emprego pelo mesmo motivo da irmã) moram no quintal da casa por 4 anos!

No decorrer do filme, Carolyn, participante do movimento da igualdade civil dos negros na década de 1960, discute com o prefeito – ao vivo, na CNN! –, com os padres da cidade – a igreja do bairro pobre fica em segundo plano, enquanto a do bairro rico é reerguida rapidamente – e assim, meio que aos trancos e barrancos, ela vai conseguindo tudo – lentamente, pois tanto lá, quanto cá, as instituições não são tão eficientes – com uma boa dose de coragem e excelente lábia.

O filme tecnicamente não tem grandes pretensões (edição linear, fotografia comum e música OK) e não é nada demais (sim é déja vu, Carlinhos), mas tem o mérito de acompanhar essa mulher por 5 anos! E ela é, de fato, um exemplo de ativismo político, correção, coragem e humor. No mais, ela só queria voltar pra casa. E quem não quer?

Daniel F. Sroulevich

4 comentários sobre “Eu Sou Carolyn Parker, a Boa, a Louca e a Bonita

  1. Que isso?! Fury Sroulevich, seu traidor da causa! Se vendeu barato, subornado pelo charme e a voz mansa do xará. E para quem dizia que não tinha o menor pendor para a palavra, hein? Brincadeira… Sarros à parte, foi um início pretensioso (afinal, este é um espaço nobre), mas auspicioso. Acho que você deveria se arriscar mais. Quem sabe no blog da sua irmã, não é verdade? Afinal, assisti ao doc do Ayrton Senna instigado pela sua análise. Depois eu me entendo com o Carlinhos.
    Carlos Eduardo Bacellar

    • sem panico minha gente! tá liberado o copyright! rsrs e no próximo(sera que teremos um?) eu escrevo pra vocês tbm!
      abs!

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