Na Bahia, só falta mesmo Deus sair do altar para fazer gol. É quase isso o que esperam alguns torcedores abordados no documentário Em Nome do Jogo. Os diretores Luiz Ferraz e Lu Guimarães foram buscar figurinhas carimbadas como um padre que enverga a camisa do Vitória por baixo da batina e tem o hino do clube como toque do celular. Ou um vendedor de cocos que se fantasia com as cores do Bahia e leva uma imagem de santa para o estádio.
Outros confiam nos orixás para orientarem a melhoria de seu time. No Quilombo Kaonge, por exemplo, os jogadores do Kalanguinho apostam na fé dos ancestrais africanos para mudar o placar a seu favor. Um torcedor do Vitória mantém um pequeno altar a Exu em sua casa, diante do qual faz sua “firmeza” em dia de jogo.
Talvez a única coisa em comum aos arquirrivais Bahia e Vitória seja a devoção a Santa Dulce dos Pobres, como é chamada agora, depois de canonizada, a veneranda Irmã Dulce, primeira santa nascida em solo brasileiro.
Em nome de Deus ou em nome do jogo, a fé bate um bolão em terras baianas. O filme recolhe momentos desses personagens em seus rituais e na relação direta com o futebol. O roteiro tem certa dificuldade em fazer as conexões anunciadas entre a religião e o esporte. Sem aprofundar qualquer análise, fica na superfície ou da excentricidade, ou do baixo teor de carisma. Vale como mais um aspecto curioso da cultura baiana, ali onde religiosidade e vida cotidiana se imbricam mais do que em qualquer outro lugar do país.




