Dresden Panorama

Um vídeo da minha viagem a Dresden em 2017

Dresden é uma das cidades de história mais atribulada da Alemanha. Polo cultural e artístico estimulado pelos príncipes da Saxônia nos séculos XVII e XVIII, foi em grande parte reduzida a escombros pelos bombardeios dos aliados em fevereiro de 1945, seguidos de um grande incêndio que durou uma semana. Churchill temia que Hitler a utilizasse como ponto estratégico de resistência depois que Berlim e Leipzig caíssem. Depois da guerra, Dresden passou a ser administrada pela URSS como parte da Alemanha Oriental. Muitos dos grandes prédios destruídos ficaram como ruínas para lembrar os horrores do conflito. Foi assim que vi Dresden pela primeira vez, numa visita rápida em 1991.

A plena reconstrução só se deu com a reunificação da Alemanha, após 1989. Ao longo de dez anos, o esplendor barroco da cidade foi restaurado por iniciativa da população. Quando voltei lá, em junho de 2017, já era possível ter uma ideia melhor do que justificava o epíteto de “Florença do Elba”. O centro antigo de Dresden, às margens do Rio Elba, brilhava com suas fachadas caramelo e marrom, suas torres e cúpulas ressaltadas no horizonte, e a sensação de estarmos num grande museu a céu aberto.

No vídeo abaixo, registrei algumas dessas maravilhas, como o Palácio Zwinger, obra-prima do barroco tardio (inaugurado em 1719), com seus prédios e galerias dispostos ao redor de um grande jardim retangular. A poucos metros dali está o magnífico mural de porcelana Fürstenzug (Procissão dos Príncipes), o maior e talvez o mais belo do mundo, ocupando toda a extensão de uma rua. Mais uma pequena caminhada e chegamos à imponente Theaterplatz, onde fica a veneranda casa de ópera de Dresden, a Opera Semper, cujo interior pudemos visitar. Ali Wagner estreou O Navio Fantasma, Rienzi e Tannhäuser, além de ter regido a Nona Sinfonia de Beethoven.

Gravei imagens também do famoso Terraço Brühl (chamado de “Varanda da Europa”) se abrindo para as duas margens do Elba; das igrejas de Nossa Senhora (Frauenkirche, reconstruída pedra por pedra entre 1994 e 2005), Hofkirche e Kreuzkirche. E ainda do palácio Residenzshloss, onde está a Pinacoteca dos Mestres Antigos, moradia da famosa Madonna Sistina de Rafael com seu par de anjos mais célebres da história da pintura.

Saindo do perímetro barroco, Dresden ainda oferece atrações interessantes. O bairro Neuestadt (Cidade Nova) se assemelha aos recantos mais saborosos de Berlim, com intensa vida cultural alternativa. Impossível não topar com muitos estudantes e música nas ruas, além de espaços curiosos como a Kunsthofpassage, onde a arte contemporânea transborda dos interiores das galerias para as fachadas das casas.

Um passeio de tram pode nos levar à fábrica transparente da Volkswagen ou, para quem como eu namora pontes, à vistosa Loschwitzer estendendo suas pernas sobre o Elba. Como tudo parece ter um apelido em Dresden, essa ponte é conhecida como “Maravilha Azul”.

Quem vê a sequência das dezenas de mães dançando com seus bebês em frente à Frauenkirche, em tamanha atmosfera de simpatia e modernidade, não imagina os novos passos que Dresden vem dando em sua marcha histórica. A extrema-direita tem avançado sobre a cidade a ponto de a Câmara Municipal ter decretado “estado de emergência nazista” em novembro de 2019. O Partido ultranacionalista Alternativa para a Alemanha havia obtido 27,5% dos votos, seu maior resultado até então.

O vídeo dura 23 minutos e tem música de Daniel Bukvich e Ludwig van Beethoven.

2 comentários sobre “Dresden Panorama

  1. Você e sua assistente especial se superaram nesse vídeo. Que delícia rever Dresden com vocês e passear de novo em Kunsthofpassage, que conheci graças à sua indicação. Além da beleza das imagens, tem a necessária contextualização histórica. Que tristeza saber que uma cidade tão linda e que sofreu tanto está repetindo os erros do passando, dando espaço para a extrema direita, que em nada combina com a beleza das mães dançando com seus bebês, exemplo seguido pela menininha com sua boneca… Quando o ódio ao outro vai deixar de ser maior do que o amor por nossos filhos? Que triste… e que vídeo lindo!

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