Enlatados

Orson Welles disse certa vez que o mal dos filmes é que eles são guardados em latas. “Nada que vem enlatado pode ser fresco”, explicou.

O mestre precisaria agora recorrer a outra metáfora para sua crítica ao cinema massificado. Grande parte do que hoje se produz não passa por latas. Termina em fitas de vídeo, DVDs, HDs, chips, redes eletrônicas. O cinema como objeto é algo cada vez menos palpável. O que não significa que ficou mais fresco.

Mas, pensando bem, o que é a cornucópia de sequelas da Hollywood atual, em luta para manter os níveis da indústria, assim como suas emulações em outros países? Mesmo que não passem por latas, são provas de que a expressão “enlatados” pode estar perdendo seu sentido literal, mas não metafórico.

3 comentários sobre “Enlatados

  1. Orson Welles também dizia que havia duas coisas não podiam ser representadas satisfatoriamente pelo cinema: o sexo e a morte. Representadas, ele disse. Pois sempre exisitram filmes pornográficos e devem existir mesmo o s tais “snuff movies” (ou pelo menos os tais “faces da morte” com mortes ao vivo). E há que entender Welles: assim como nem tudo que é livro é literatura, nem tudo que foi filmado é cinema.

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