40 anos de cinema e educação

Eles já tinham 20 anos de estrada quando os conheci melhor, nos tempos em que programava o setor de cinema e vídeo do CCBB-Rio. O Cineduc – Cinema e Educação implantou no Centro Cultural a Sessão Criança, que até hoje atrai público infanto-juvenil para exibições vespertinas aos sábados e domingos. Também nessa época o Cineduc e o CCBB criaram o festival anual Cinema Criança. Bem antes que eventos semelhantes chegassem aos multiplexes, o Cineduc já abria espaços de resistência à dieta massificada dos programas de TV e da oferta mais comercial dos cinemas.

Amanhã (terça) o Cineduc está completando 40 anos e merece toda celebração. Desde 1970 vem trabalhando para a promoção humana, a formação de plateias críticas e de cidadãos conscientes da importância dos meios de comunicação. Não é uma tarefa simples diante do bombardeio que crianças e adolescentes sofrem diariamente com uma programação cultural repetitiva, alienante, quando não enfeitada com uma interatividade que, no fundo, reforça o consumo passivo.

As atividades do Cineduc procuram despertar a sensibilidade das plateias infanto-juvenis não só para os temas dos filmes, mas também para as técnicas envolvidas na podução audiovisual. Assim é que edita livros (Cinema, uma Janela Mágica, de Marialva Monteiro, é um clássico) e publicações divertidas e instrutivas. Realiza programas de TV e vídeos educativos. Organiza e participa de seminários e mesas-redondas no Brasil e no exterior. Leva a diversos festivais seu know-how específico em curtas e oficinas. No Festival do Rio, faz a curadoria da Mostra Geração.

A entidade atua com crianças, jovens e adultos, alunos e educadores, de latitudes diferenciadas, seja em favelas, em bairros de baixa e alta clásse média, em escolas carentes e privilegiadas, buscando não somente catalisar experiências diversificadas e, em certos momentos, opostas socialmente, mas sobretudo permitir, na prática, sua autossuficiência.

O Cineduc tem um acervo de mais de 100 filmes super-8 e centenas de vídeos realizados por crianças e jovens de escolas públicas, particulares e projetos sociais. Por suas salas de aula passaram os produtores Renata Magalhães, Paula Lavigne, Leo Monteiro de Barros, da Conspiração Filmes, e os diretores Dodô Brandão e Luís Felipe Sá.

É um trabalho abnegado, feito muitas vezes com poucos recursos, mas com uma enorme disposição de colocar o cinema ao alcance dos alunos como instrumento de expressão criativa. E também com um espírito “familiar” que os distingue de outros profissionais do ramo.

Por tudo isso, amanhã é dia de estender o tapete vermelho e aplaudir o Cineduc. Quem quiser se juntar a eles e a mim, apareça às 10 horas da manhã no Espaço de Cinema (R. Voluntários da Pátria, 35). Haverá uma breve projeção de filmes curtos em DVD, com a presença de ex-alunos, professores, amigos e gente de cinema. 

 

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