Pílulas 41

SALVO, o novo sucesso de filme-de-máfia-siciliana, impressiona pela quase ausência de ação e diálogos, substituídos por um mudo estudo de personagens. Um matador frio enxerga numa garota cega uma oportunidade de afeto e redenção. Cenas longas, lentas e claustrofóbicas têm seu espaço ampliado por um uso magistral do som off (embora a projeção do Estação Botafogo 1 deixe a desejar em matéria de riqueza sonora). A fotografia, de contrastes bem marcados, sublinha o tema da visão e da passagem de um mundo de trevas para a luz. No entanto, o desfecho implausível e chegado ao lugar-comum desaponta bastante quem aposta naquela dramaturgia minimalista e incomum. A força do gênero acaba se impondo sobre o diferencial do filme.

Como todos os filmes de Michel Ocelot, CONTOS DA NOITE trata de princesas, fadas, heróis, homens transformados em animais etc. Um repertório clássico tratado de maneira um tanto antiquada na sua animação de silhuetas (agora computadorizadas) sem texturas, volumes nem detalhes de expressão. Os seis contos, fortemente baseados em diálogos, requerem atenção especial das crianças e uma certa condescendência dos adultos para o aspecto naïf das fábulas. Os cenários de fundo mudam de acordo com o ambiente de cada história (Idade Média, África, Tibete etc), mas a similutude de recursos causa uma certa monotonia sonora e visual. É curioso notar que Ocelot considera os filmes pioneiros de silhuetas de Lotte Reiniger “arcaicos e pouco atrativos”, enquanto os seus próprios trabalhos caminham para uma apreciação semelhante.

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