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Antes de Georges Méliès, Alice Guy Blaché realizou filmes narrativos e até fez um filme sonoro em 1906. Bem antes de Steven Spielberg, Dorothy Azner foi a diretora mais poderosa de Hollywood por décadas. Muito antes de Woody Allen, Frances Marion ganhou dois Oscars de roteiro. Quem olha o panorama dos gêneros na Hollywood de hoje não pode imaginar que metade dos filmes realizados antes de 1925 eram escritos por mulheres. Acontece que a história do cinema se “esqueceu” dessas figuras que dominaram o panorama hollywoodiano antes que ele fosse tomado pelos filmes falados e se transformasse numa grande indústria de homens. O média-metragem E A MULHER CRIOU HOLLYWOOD (Women Who Run Hollywood), de Clara e Julia Kuperberg, procura repor esses pontos nos “is” mediante uma seleção de depoimentos eloquentes e materiais de arquivo fascinantes.

É um filme historiográfico de fatura simples mas eficaz. Conta como mulheres poderosas furaram o cerco masculino nas primeiras décadas do cinema, extrapolando o “lugar” reservado para elas, de costureiras, montadoras, script girls e maquiadoras. Mas depois que a indústria e o sindicalismo cresceram, a partir do final dos anos 1920, ou elas eram estrelas na frente das câmeras ou voltavam à invisibilidade nos bastidores. A diretora Ida Lupino foi uma exceção solitária nos 1950. Uma segunda onda tomou vulto a partir das conquistas feministas e do advento da produção independente, nos anos 1960 e 70. Ainda assim, a desigualdade entre os gêneros no cinema de Hollywood é uma das maiores em qualquer ramo industrial. Esse documentário feito para a TV por duas mulheres e com elenco inteiramente feminino não deixa dúvidas de que Kathryn Bigelow teve muitas predecessoras ilustres no bunker dos estúdios.