Così parlò Storaro

O pensamento de Vittorio Storaro sobre fotografia de cinema frequentemente se confunde com o da direção de arte, tal a sua obsessão pelo uso simbólico e emocional das cores.
Eis algumas afirmações de sua aplaudidíssima master class na Cinemateca do MAM ontem à tarde, promovida pela Associação Brasileira de Cinematografia:
(Transcrição não literal. As fotos foram feitas durante a visita guiada à exposição Vittorio Storaro: Escrever com a Luz, em cartaz no MAM)

“Quem tem medo da cor?
Muita gente tem medo da cor, principalmente no digital.
A cor para mim é uma linguagem.
A partir de Café Society, eu tirei o medo da cor de Woody Allen”

“O 4K ainda não é suficiente para restituir toda a gama de cores que filmamos. Estou pressionando a indústria a avançar para 16 bits de cor, que equivale a 600 milhões de matizes de cor. Nós dois velhinhos, eu e Woody Allen, estamos à frente de muitos jovens. Já fizemos a versão HDR (High Dynamic Range) dos três últimos filmes dele.”

“Tentei me alimentar de todas as artes.
A educação hoje é muito técnica. Forma técnicos ignorantes (com relação ao resto). Eu me revolto contra isso.
Com Caravaggio aprendi a me expressar através de símbolos. A luz como energia simbólica.
Tive a sorte de poder fazer um filme sobre Caravaggio (telefilme de Angelo Longoni).”

“Não aceito fazer algo genérico, que não tenha uma visão particular. Esta foi a minha formação na Itália.”

“Amo as dualidades: lua e sol, dia e noite, homem e mulher, consciente e inconsciente. Este é o sentido da minha vida, a busca do equilíbrio.”

“A Última Ceia, o quadro de Leonardo Da Vinci, é uma composição sublime de equilíbrio, na qual tudo parte do homem (o Cristo) e chega ao homem (os apóstolos). Mas a iluminação do quadro em Milão é horrível. Não sei como os especialistas não veem aquilo!
Estou agora com um projeto sobre a vida de Leonardo.”

“Tenho alertado as cinematecas de vários países a garantir a preservação dos negativos analógicos. Em 2001, visitando a Kodak, conheci o Digital Optical System, que caminhava no rumo de um suporte de imagem que seria indestrutível por centenas de anos. Mas o projeto infelizmente foi abandonado porque todo mundo só queria o digital. Hoje a Kodak está praticamente vazia…”

“Fizemos uma revolução cenográfica em Goya, de Carlos Saura, com a projeção de imagens numa tela, que se alternavam, pelo uso da luz, com as cenas no cenário de fundo. Podíamos então ter dois tempos ou duas realidades num mesmo espaço.”

“Saura tem uma das maiores coleções de equipamento cinematográfico que conheço. São mais de 600 câmeras.”

Um comentário sobre “Così parlò Storaro

  1. Carlinhos, que luxo ouvir o Storaro! nem sabia q. ia falar. Se v. tiver a palestra dele em aúdio ou mais detalhes além do que já postou, por favor, me mande. É um dos meus gurus. Nã é por nada não, mas a minha geração foi a última humana, humanística – com exceções brilhantes das que vieram atrás, sem dúvida. Gostaria de ser uma mosca para ouvir a conversa dele com Allen…
    V. conhece o filme dele sobre Caravaggio?
    Bj.
    Léa Maria Aarão Reis

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