A rainha e os críticos

Ver um filme e em seguida participar de um bate-papo com críticos de cinema tem sido programa raro no Rio, fora de mostras e festivais. Tem a Sessão Cinética, mensal, no Instituto Moreira Salles, e a Sessão Filme em Foco, também mensal, parceria da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) com o Cicuito Estação. Hoje (quinta) é dia de mais uma sessão com a ACCRJ, apresentando, como sempre, uma pré-estreia. No Estação Botafogo 1, às 19h30, será exibido A Jovem Rainha Vitória. Na sequência, os críticos Leonardo Luiz Ferreira, Luiz Fernando Gallego e Mario Abbade vão conversar sobre o filme de Jean-Marc Vallée.

Pelos Oscars a que foi indicado (direção de arte e maquiagem) e pelo que ganhou (figurinos), A Jovem Rainha Vitória já deixa claro a que estirpe de filmes se filia. É daqueles espetáculos feitos sobretudo para os olhos. Cenários suntuosos (palácios, castelos e abadias inglesas), cenas aptas a catalisar a abundância visual (banquetes, bailes, igrejas lotadas, revistas de guarda), um trabalho de enquadramento e de foco destinado a sublinhar a opulência da imagem. Difícil saber o que impressionou mais os votantes da Academia – se a qualidade dos figurinos ou a sua quantidade.

Afora isso, é a monarquia transformada em folhetim. The Young Victoria descreve a fibra da jovem princesa ao resistir a sucessivos oportunistas e não abrir mão do direito à coroa britânica em meados do século 19. O romance com o Príncipe Albert (Rupert Friend) também ganha um destaque propício ao consumo, juntamente com a beleza da atriz (indicada ao Globo de Ouro) Emily Blunt, bem distinta das feições bolachudas de Victoria. Há, naturalmente, um vilão de chutar cachorrinho, no caso o detestável Sir John Conroy (Mark Strong) e uma mãe quase macbethiana (Miranda Richardson) que justifica todo o rancor da futura rainha. Enfim, é a Casa de Windsor vista como uma antecipação dos tempos da mulher livre e independente.

Assim como o filme do Lula, o Che retratado em Diários de Motocicleta e a Coco Antes de Chanel, a Rainha Vitória que vemos aqui se resume aos seus anos de formação. O famoso rigor vitoriano, associado a conservadorismo moral, ainda não aparecia no horizonte da esfuziante e jovem monarca. 

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